Diante das importações de fertilizantes químicos paralisadas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que o Brasil possui reservas para atender a demanda interna somente até setembro deste ano. Vale lembrar que a Rússia é um dos principais fabricantes mundiais de fertilizantes e, atualmente, cerca de 25% das importações brasileiras são provenientes do país do leste europeu, sobretudo de produtos à base de potássio.
Por conta disso, na última quarta-feira, 16 de março, em uma videoconferência realizada com representantes da FAO (Food and Agriculture Organization), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, solicitou ao comitê de segurança alimentar da Organização das Nações Unidas (ONU) que fertilizantes não sejam incluídos na lista de sanções à Rússia.
A ministra apresentou proposta para que os produtos sejam incluídos na mesma categoria dos alimentos, o que significa que eles não tenham a exportação interrompida durante o conflito entre Rússia e Ucrânia. Ainda de acordo com ela, o comércio de fertilizantes é indispensável para garantir a segurança alimentar do mundo e que o impedimento da comercialização do produto pode afetar a disponibilidade de alimentos, além de gerar uma pressão inflacionária. O pedido será encaminhado para a apreciação da ONU.
Ao total, a importação de fertilizantes chega hoje a 85% no Brasil, sendo o percentual ainda maior de produtos à base de potássio, atingindo 96%. Apesar das limitações para o envio de fertilizantes, não houve suspensão da Rússia na entrega do produto, inclusive, um navio foi enviado na semana passada.
Outras alternativas
Por conta deste problema de dependência, especialistas têm aproveitado para apontar alternativas que diminuem custos e também protegem o meio ambiente, uma vez que a produção de alimentos é algo bem amplo no Brasil, sendo que somente pequenos produtores e a agricultura familiar não utilizam fertilizantes por causa do preço.
Em contrapartida, eles são essenciais em todas as culturas de grande porte no país, principalmente nas cultivadas na Amazônia e Cerrado, como milho, café, cana-de-açúcar, soja, pastagens, fruticultura, trigo e arroz.
Resistência
Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro tem aproveitado a atual crise para impulsionar a aprovação do projeto de lei que libera a exploração de recursos naturais e a mineração em terras indígenas, o PL 191/2020. A alegação dele é que essas áreas de conservação protegidas pela legislação são ricas em potássio, elemento químico essencial para utilização no agronegócio.
Em nota emitida, a Federação Brasileira de Geólogos afirma que “as jazidas localizam-se a cerca de 900 m de profundidade em uma área extremamente sensível da Floresta Amazônica (no estado do Amazonas) e nas proximidades da foz do rio Madeira; o processo de exploração e de beneficiamento do minério ainda precisa vencer desafios tecnológicos significativos em função de suas características (alta solubilidade); não existe infraestrutura, especialmente de oferta de energia, no porte exigido para viabilizar um empreendimento dessa natureza”.
Tendência do preço de fertilizantes químicos é subir
Em uma teleconferência realizada no dia 16 de março para apresentar os resultados de 2021 da SLC Agrícola, produtora brasileira de soja, milho e algodão, o diretor-presidente, Aurélio Pavinato, disse a analistas de mercado que os fertilizantes são preocupantes para 2023 e que o insumo atualmente é o tema mais desafiante para todos. Ainda de acordo com ele, os preços estão altos e 50% já adquiridos pela empresa para a safra 2022/23 foram comprados por valores adequados.
Para Pavinato, há imprecisões a respeito do que acontecerá, dependendo da evolução da guerra. “Sabemos que historicamente os preços de fertilizantes não ficam altos por muito tempo. A expectativa que haja ajuste nesses preços. Mas independente disso, é que os preços subam”, avalia ele.
Fonte: UOL, CNN, Febrageo, Infomoney
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