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Cooperação no setor leiteiro dribla a crise

Para que tudo não acabasse em pizza durante a pandemia, trabalhadores da pecuária de leite se juntam para adaptações necessárias e garantem a presença da mussarela aos consumidores
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Com muitos altos e baixos no setor de lácteos durante a pandemia de Covid-19, a pecuária leiteria passou por momentos críticos e precisou se adaptar às novas tendências de consumo. Além da seriedade dos produtores, empenhados na reinvenção de processos que atendessem não só a demanda de leite e seus derivados, mas que também suprissem todas as exigências sanitárias extras, as cooperativas tiveram papel importante para que o setor sobrevivesse.

Conforme a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), uma grande parcela da produção leiteira tem origem nas cooperativas do segmento no Estado, detentor de oito agroindústrias, concentradas nas microrregiões dos Campos Gerais e do Sudoeste. Em Palmeira, a cooperativa Witmarsum mantém uma fábrica que produz queijos, incluindo o mussarela. O diretor-presidente, Artur Sawatzky, conta que a unidade emprega 33 pessoas e produz cerca de 30 toneladas por mês.

E por falar em mussarela, grande parte de sua produção é fornecida para restaurantes e pizzarias de São Paulo, estado que, histórica e estatisticamente, possui o maior número de pizzarias no Brasil. Esse movimento não poderia ser afetado em nenhuma das regiões do país por causa da escassez do produto. Assim, como disse o presidente da cooperativa Frimesa, Vater Vanzela, o setor foi pego de surpresa, mas tratamos de colocar em prática, sem demora, todas as opções possíveis. “Além da produção de carnes, a Frimesa atua na fabricação de derivados do leite, processando um milhão de litros por dia e gerando produtos de valor agregado, como o queijo mussarela”.

Por ano, o Paraná produz cerca de 4,4 bilhões de litros de leite, sendo o segundo maior produtor do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O secretário executivo do Conseleite Paraná – conselho paritário entre produtores e indústria do leite – o zootecnista Guilherme Souza Dias cita que quase metade da produção é destinada à fabricação de queijo, como o mussarela. Segundo ele, a pandemia provocou uma migração no consumo e fez com que o ano de 2020 fosse bastante atípico para atividade leiteira.

Além da alteração no destino das mercadorias, os produtores da bovinocultura leiteira tiveram que enfrentar o aumento de preços de insumos, como a soja e o milho, principais componentes da ração fornecida aos animais.

No Paraná, em 2020, o preço do leite subiu 51% em relação ao ano anterior, fazendo um efeito cascata sobre o preço dos derivados como queijos para o consumidor final. No entanto, todo esse aumento não chegou ao bolso do produtor, porque os custos de produção subiram mais do que isso. A ração aumentou 53%, pressionada pela elevação no custo do farelo de soja que ficou 84% mais caro.

Cooperativismo no Paraná

Hoje, após quase um ano de pandemia, o setor da pecuária leiteira já se reinventou, mas permanece observando as oscilações do mercado. Para Artur Sawatzky, nesse cenário, o cooperativismo é um estímulo para que os produtores tenham geração de renda e não desistam.

O superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, Altair Valotto, explica que os custos para manter a produção são superiores aos patamares pagos aos produtores. Ele acredita que diante das dificuldades, o cooperativismo se tornou fundamental para sobrevivência do setor, possibilitando o acesso à tecnologia de ponta aplicada à produção.

O secretário executivo do Conseleite destaca que 87% das propriedades paranaenses têm até 5 hectares e o leite está presente em quase 100% delas.

Fonte: CBN Curitiba