E o insight veio novamente pelo cavalo

Em um dos episódios marcantes na caminhada da paratleta Veri Real houve a retomada da certeza de que algo bom viria.
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E o insight veio novamente pelo cavalo

Veri Real diz: “Quando achei que não iria mais aguentar – e olha que sou boa em desafios – encontrei um vídeo no YouTube que mostrava a história campeã da energia sem igual de um cavalo muito querido. Isso acendeu em mim uma luzinha novamente. Se Deus me fez passar por essa prova era porque tinha reservado algo muito especial lá na frente”.

Após uma semana de hospital fui liberada para voltar para casa. Sem sombra de dúvida foi a viagem mais dolorida da minha vida. Um amigo nosso, o Kinkao, emprestou sua caminhonete que, na parte de trás, virava uma cama. Porque, por estar engessada em grande parte do corpo, não conseguia me sentar. Cada vez que o carro brecava, mesmo que devagar, eu ia até a lua e voltava. Imaginem pegar uma Marginal Tietê desse jeito.  É punk mesmo!

A viagem demorou quase três horas, mas para mim representou um dia. Finalmente chegamos em casa. Na época, morávamos em um sítio distante da cidade e a adaptação para toda a nova rotina foi difícil: banho na cama, comer na cama, ficar praticamente presa a ela, justo eu que era acostumada a cavalgar todos os dias com minha mãe, e que agora teria que me adaptar à minha nova realidade sem prazo definido para terminar. Eu não tinha vontade de nada, a dor realmente era insuportável; e olha que eu tomava remédios bem fortes para atenuar essa dor, e mesmo assim com toda a sinceridade as dores acabavam comigo. No final de todo esse período cheguei a emagrecer mais de seis quilos, não tinha vontade de nada, nem de comer.

Só pensava quanto tempo tudo isso iria demorar e também em como meu corpo iria responder a todas essas intervenções a que foi submetido. De15 em 15 dias voltávamos a São Paulo para fazer um acompanhamento da cirurgia. Confesso que só de pensar em encarar a estrada e aquele trânsito de São Paulo já me dava arrepios. Mas, era por uma boa causa. Tive alguns problemas em meu organismo por causa de toda a readaptação desse novo estágio. Pensava comigo mesma: um dia tudo isso vai terminar, toda essa dor vai passar, apesar de que é mais ou menos assim, no primeiro dia a dor dói, no segundo dói mais e assim por diante. Então vai piorando! Juro que no final do primeiro mês eu já não aguentava mais, comecei a entrar num processo de muita angústia. Graças a Deus tenho uma família que nunca me abandonou e nessa fase foi de muita importância. Sabe que nem vontade de computador eu tinha? Às vezes eu entrava no YouTube e pesquisava alguma coisa, e foi aí que no meio dessas pesquisas eu achei um vídeo do Victory Fly e fiquei apaixonada  pelo cavalo, por sua história e pela família também.

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Victory Fly VM

Só pra vocês entenderem, o Victory Fly foi o divisor de águas do Tambor Nacional, quebrou recordes e foi eternizado como a Máquina do Tempo. Esse cavalo forte se tornou uma referência para uma geração de admiradores do esporte. Seus proprietários diziam frases como: “Vamos continuar sonhando alto e correndo rápido, com muita garra, talento, raça, dedicação e amor.”

Nem lembro quantas vezes eu assisti e revi esse vídeo, e assim começou a brotar na minha cabeça um novo objetivo. Sempre fui movida por desafios e apesar de estar muito devagar, debilitada, uma luzinha começou a brilhar em minha mente. Eu precisava amadurecer essa nova ideia.  Sempre o cavalo fazendo parte da minha vida.

Os meses demoravam a passar e tinha horas em que eu achava que não ia aguentar ficar mais na mesma posição. Eu estava ‘quadrada’, ‘achatada’, mas não desistiria de jeito nenhum! Se Deus me fez passar por essa prova era porque tinha reservado algo muito especial lá na frente, isso era a minha maior certeza, o que viria a seguir.

PoVeri Real
Facebook: @paraatletaveri  | Instagram: @paratletaverireal | Site: http://paratletaverireal.com.br/

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