Entrei na escola com meus 5 anos de idade, e era a primeira vez que uma criança com necessidades especiais se matriculava no Centro Educacional São João Baptista. As pessoas ainda não sabiam como lidar comigo, não havia corrimão nem banheiro adaptado, enfim, eu tinha que me virar como podia. Mas, podia contar com a ajuda de auxiliares que me acompanhavam nas tarefas mais difíceis. Nessa época, confesso que minha deformidade óssea não era tão ruim, isso aconteceu conforme eu crescia.
Conseguia até dançar nas coreografias ensaiadas pela professora de Artes. O que me deixava às vezes chateada é que o professor de Educação Física, o Ditão – hoje entendo que era por muito cuidado -, não me deixava participar das atividades esportivas. Eu era encarregada de apitar os jogos de meus amigos, mas o que queria mesmo era correr, nem que fosse para cair, pois o importante era estar no meio da bagunça.
Eu morava numa cidade muito tranquila, Águas da Prata/SP, e minha avó tem até hoje uma casa muito gostosa lá. Havia uma casa de bonecas, presente dela para mim, e eu aproveitava também para desenvolver com minhas amigas muitas atividades, como brincar e teatro com direito a um cabide de fantasias, explorar a criatividade com uma coleção de Barbies que completavam as nossas brincadeiras. E, à tarde, na volta da escola, acreditem, eu jogava queimada com minhas amigas, corria do meu jeito, mas corria.
Quando desenvolvi uma séria tendinite – no tendão calcâneo – e aí fui proibida de jogar, fiquei muito triste. A dor era horrível, a cada passo que dava doía demais. Então, a partir desse diagnóstico minha vida ficou um pouco mais restrita.
Contando novamente com o amigo cavalo
Minha sorte é que os passeios a cavalo não precisaram ser interrompidos, e nessa altura a minha mãe fez uma pista na nossa fazenda, com alguns obstáculos para que eu pudesse cada vez mais me desenvolver. Fazia baliza, passava varinha no chão, praticava a margarida, enfim, muitas novidades que me ajudavam no equilíbrio, na coordenação e a conseguir ficar mais centrada.
Relembrando toda a minha trajetória tenho a certeza de que o cavalo foi o grande responsável por eu estar como estou hoje em dia. Isso porque, com ele sempre conseguia me desenvolver a cada dia um pouquinho mais! Para incentivar o meu amor pelos cavalos, minha mãe fazia como se fossem provinhas com minhas amigas na fazenda. E desde cedo percebia que tudo que não conseguia sozinha conseguia com ele. Isso foi me estimulando cada vez mais. Ele era a companhia que eu precisava para romper barreiras e me sentir igual a todos.
Muitas vezes perguntei para a minha mãe por que eu era diferente das outras crianças, mas, no cavalo, eu ficava igual. Então a importância desse grande amigo fez toda a diferença em minha vida!
Por Veri Real
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