Meus primeiros passos contaram com a ajuda do fisioterapeuta chamado cavalo 

Veri Real segue nos contando sua história, na qual os comprometimentos físicos perdem espaço para dar lugar aos primeiros passos de uma brilhante caminhada. Ela descreve a composição de uma fórmula ‘mágica’: amor de mãe somado à pratica da equitação
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Meus primeiros passos contaram com a ajuda do fisioterapeuta chamado cavalo 

Diante de tantas perspectivas negativas apresentadas pelos médicos à minha mãe, por conta da Paralisia Cerebral e sérios comprometimentos, minha vida poderia ter ficado estacionada. Mas tive a sorte de ter uma mãe que já tinha essa visão do bem que os cavalos representavam em nossas vidas. E, foi assim que, com um ano e meio eu ganhei o meu primeiro cavalo, um Pequira mestiço de Quarto de Milha. Seu nome era Gigante! 

Peço a vocês que acreditem, pois eu chegava a montar mais de seis horas por dia, puxada por minha mãe. Naquela época, 26 anos atrás, a Equoterapia ainda era uma técnica pouco usada, principalmente no interior, mas graças a Deus, tive desde pequena esse companheiro chamado cavalo, que se tornou minhas pernas e, mais tarde, minhas asas.  

Após minha primeira cirurgia, fiquei engessada por alguns meses e numa posição um tanto desconfortável. Cheguei a desenvolver escaras (feridas que são criadas pelo contato do gesso com a pele ou também por ter que ficar deitada na mesma posição). Mesmo assim, meus passeios a cavalo continuavam sendo diários. Nessa época já tinha os meus três anos e não apresentava a marcha independente.  

Após alguns meses, com a retirada do gesso, em São Paulo – cirurgia realizada pelo grande professor in memorian Dr Roberto Atílio Santin -, me foi recomendado muita fisioterapia. Com isso, então, chegamos ao consultório de uma grande fisioterapeuta e não deixei sequer que ela chegasse perto de mim. Tentaram de muitos jeitos, mas não houve acordo.

Foi aí que minha mãe, Andrea, ligou para o meu médico e contou o ocorrido. Trocou uma ideia com ele, perguntando se a reabilitação poderia começar pelo cavalo. A princípio ele ficou surpreso, mas concordou com a sugestão. Logo fomos a Hípica Paulista, e já de cara montei em uma égua linda, de nome Evelyne. E não é que mais uma vez esse amigo fez toda a diferença?  

Depois de alguns meses de muitos exercícios, numa tarde eu desci do cavalo e dei meus primeiros passos em minha fazenda. Eu lembro o quanto minha mãe gritou de alegria enquanto eu mesma não tinha tanta noção da importância daquele dia. Quase dois anos de treinamento para trocar o primeiro passo.

Naquele período fiz o uso da cadeira de rodas e do andador. Além da fisioterapia, fazia outros tratamentos como Terapia Ocupacional, Hidroterapia, Psicopedagogia, Musicoterapia. Foi uma infância um pouco diferente das outras crianças, mas tenho que dizer que foi uma infância feliz, acompanhada de um ser mágico que me despertava sorrisos em passeios diários, cercados com tons de verde maravilhosos e canto de pássaros que alegravam a minha alma. 

PoVeri Real
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