Carne de qualidade: do pecuarista ao consumidor final

6 de junho de 2022

Fazenda em Camapuã (MS) reuniu especialistas para discutirem a alta demanda por carne de qualidade
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Carne de qualidade do pecuarista ao consumidor final
Pecuaristas se reúnem em Camapuã para falar da alta demanda por carne de qualidade – Foto: Divulgação/Thiago Morais

O evento, recentemente promovido pela Fazenda 3R, em Camapuã, MS, aconteceu na cidade reconhecida como a Capital do Bezerro de Qualidade e reuniu importantes nomes da cadeia da produção de carne. A ideia era organizar um bate papo e trazer à tona as vivências diárias de produtores, técnicos, fornecedores, medir a ‘temperatura’ do mercado e também saber a opinião de representantes dos consumidores finais. Toda a gestão e os processos da cadeia são importantes, mas o fundamental é obter o produto demandado hoje, ou seja, carne de qualidade.  

No encontro foi discutido não só o papel da cria, mas a evolução pela qual passou a pecuária brasileira ao longo dos anos, desde o antes da porteira ao consumidor final que está cada vez mais exigente.

O engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, que há 25 anos está inserido no mercado de produção de carne de qualidade, presente ao bate papo de especialistas em Camapuã, levantou a questão do marmoreio. “É na cria, ao fim da gestação, que se define a quantidade de fibra que o bezerro vai ter e a quantidade de adipócitos – que são as células com gordura, o chamado marmoreio – que esse animal vai produzir. O grande aprendizado recente que tivemos é que quanto melhor eu tratar a vaca na questão nutricional e na questão sanitária, melhor eu consigo explorar o potencial genético trabalhado”, disse Barcellos.

Já na opinião de Felipe Aversa, diretor da Churrascada, referência em eventos voltados à cadeia da carne, “hoje o consumidor não come a commodity, ele come a carne de qualidade”. Ele explica que a carne veio como se fosse um vinho e as pessoas estão consumido cada vez um degrau acima. Antigamente exigíamos sabor, maciez; depois padrão, rastreabilidade. Para se ter uma ideia, hoje, o cliente está escolhendo se prefere um corte ou outro, querendo saber de todos os detalhes da cadeia do animal”.

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Demonstração de carnes – Foto: Divulgação/Thiago Morais

Carne de qualidade exige genética, sanidade e nutrição

Para se chegar a um resultado que atenda cada vez mais as exigências de mercado, as estratégias corretas devem ser muito bem trabalhadas da porteira para dentro. E o assunto da conversa passou para melhoramento genético. Segundo Willian Koury Filho, zootecnista com mestrado e doutorado na área de melhoramento genético bovino, o macho é quem termina na carne, mas é na fêmea que a genética vai sendo agregada ano a ano.

“Eu penso que devemos desenvolver pacotes tecnológicos com objetivos específicos. Como vivemos em um país com dimensões continentais, temos diversas raças, várias estratégias para atender diferentes possibilidades de mercado. Por isso a genética, sanidade e nutrição devem ser pensadas de forma especifica, para que aí sim tenhamos melhores resultados. Nós estamos na era da pecuária de precisão e, definir bem a genética, o sistema de produção e para qual nicho de mercado será destinado, assim como o objetivo do produto final são fatores primordiais. A palavra de ordem é gestão”, pontua o zootecnista.

Participaram da mesa também o pecuarista Fernando Saltão, o diretor da Agroceres Multimix e engenheiro agrônomo Ricardo Ribeiral, o leiloeiro Adriano Barbosa e o jornalista Fabiano Reis como intermediador. Para a Fazenda 3R, que desde 2018 foi assumida pelos filhos de Rubinho Catenacci, o evento é a continuação do legado construído em trinta anos de existência.

“O Rubinho sempre foi muito didático e realizar um evento como esse, vai muito de encontro com o que desejamos, sempre contribuir com o crescimento e melhoria da nossa pecuária. Nós precisamos de escala e de uma escala com qualidade para atender as exigências que estamos sendo demandados pelo mercado”, ressalta Henrique Catenacci, um dos diretores da Fazenda.

Após o evento, a Fazenda 3R realizou seu tradicional leilão, ofertando ao mercado mais de 500 animais oriundos da genética trabalhada pela propriedade. Apesar da retração do mercado de reposição, que devido à alta disponibilidade de animais para o abate, já que o inverno bate à porta e a tendência é de diminuição nas pastagens, o leilão teve retorno acima da média do mercado de leilões de corte, com lotes de machos chegando a R$13,00 kg/vivo.

“É o resultado do nosso trabalho que está sendo refletido na qualidade dos animais, que vão gerar um melhor resultado ainda maior para nossos clientes que fazem a recria e a engorda. A conta é essa, entregando qualidade a gente torna o giro mais rápido e uma pecuária cada vez mais eficiente”, finaliza Anna Carolina Chesi Catennaci, diretora da Fazenda 3R.

Fonte: Assessoria

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