CNA e Apex-Brasil promovem capacitação com foco na exportação de cacau e chocolates

O projeto Agro BR vem para aproximar os produtores de cacau e de chocolate, com potencial de agregação de valor do mercado internacional
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O chocolate brasileiro é um produto que vem alcançando novas fronteiras ao redor do mundo. Para contribuir com o fortalecimento dessa cadeia produtiva, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no final de junho uma capacitação online do projeto Agro.BR com foco exportação de cacau e chocolate.

O Agro.BR é um projeto da CNA e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para capacitar, planejar e viabilizar a geração de negócios internacionais para pequenos e médios empresários rurais brasileiros.

Na abertura, a coordenadora de Promoção Comercial da CNA, Camila Sande, ressaltou que a cacauicultura ganhou destaque dentro do projeto em função da boa adesão da cadeia produtiva do Agro BR e nas ações de promoções comercial do Brasil.

“O chocolate brasileiro pode ocupar todas as prateleiras no mundo porque o nosso produto é de excelente qualidade. Os produtores de cacau que integram o Agro.BR  são de ponta, por isso vamos continuar investindo na promoção desses produtos e fazendo com que essa diferenciação seja valorizada para alcançar novos mercados”, disse Sande.

O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Guilherme Moura, que também é produtor de cacau, lembrou como o produto é representativo no estado, que é um dos grandes produtores do país.

“O projeto Agro BR vem para aproximar os produtores de cacau e de chocolate, com potencial de agregação de valor do mercado internacional, especialmente aqueles que não conseguem alcançar novos mercados porque precisam se organizar e estruturar. O Agro.BR vem justamente para fazer essa ponte”, afirmou o diretor.

A exportação de cacau, o acesso a mercados-alvo e as tendências do setor foram os temas abordados por Dorival Regini, sócio-diretor da Landis, empresa sediada na Itália que atua na importação de cacau e café.

Segundo ele, “em 2019, o mercado de chocolate girava em torno de 130 milhões de dólares com expectativa de crescimento de 5% ao ano. Pelo tamanho do mercado mundial, é possível perceber que as oportunidades são grandes. Estrategicamente, os mercados dos Estados Unidos e da Europa são os mais flexíveis para acessar”.

Sobre as tendências, Regini comentou que as empresas importadoras estão cada vez mais atentas ao Fair Trade (comércio justo). “A intenção envolve a sustentabilidade da cadeia produtiva para que o produtor seja valorizado e que os ganhos não fiquem limitados somente aos grandes intermediadores e aos grandes compradores”.

Durante a capacitação, a gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau, Adriana Reis, reforçou aos participantes que os mercados de cacau e de chocolate brasileiros estão em um ótimo momento.

“Temos regiões produtoras diferenciadas com climas, solos e materiais genéticos distintos que conferem um sabor e terroir diferenciados aos produtos. Além disso, o país já possui três indicações geográficas registradas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e validadas pelo Ministério da Agricultura, como é o caso do cacau de procedência do sul da Bahia, do cacau de Linhares, no Espírito Santo e a indicação de procedência de Tomé-Açu, no Pará”.

Case de sucesso de exportação da Cooperativa dos Cacauicultores do Sul da Bahia

Uma pequena cooperativas do Sul da Bahia deu um salto para o comércio exterior fazendo suas primeiras exportações diretas, com o apoio do projeto Agro.BR da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A Cooperativa de Produtores de Cacau Cabruca da Bahia (Coopercabruca), que reúne 34 produtores do sul do Estado, mandou em março deste ano para a Suíça, país europeu que tem fama de produzir o melhor chocolate do mundo, 500 kg de liquor de cacau fino.

Foi ousadia pura”, diz Orlantildes Santos Pereira, presidente da cooperativa fundada há três anos com o objetivo de proteger a mata e produzir cacau de qualidade.

Pereira conta que mandou amostras do cacau seis meses antes de fechar o negócio, que rendeu aos produtores US$ 13 mil (cerca de R$ 69 mil). O liquor de cacau, também chamado de “massa de cacau”, é resultado do processamento das amêndoas descascadas, torradas e moídas e serve de base para a produção de chocolates. O produto foi comprado por uma associação de chocolatiers que vai lançar uma marca de origem na Suíça.

A qualidade do cacau exportado foi garantida com análise laboratorial de cada lote. Para ser classificado como cacau fino, o produtor precisa colher as amêndoas no ponto certo de maturação, controlar a fermentação por sete dias e secar ao sol por mais dez dias. Apenas de 30% a 40% da produção anual de cacau dos cooperados é classificada como fino.

Economista e neto de agricultores que tiveram suas lavouras de cacau dizimadas pela praga vassoura-de-bruxa, Pereira diz que a praga foi, de certa forma, benéfica para a cultura porque obrigou os produtores a adotarem novas tecnologias com materiais mais produtivos e tolerantes.

Segundo o presidente, algumas plantas chegam a render até 200 arrobas por hectare no sequeiro, ante a média de 30 arrobas. Em sua pequena propriedade, herdada dos pais, ele colhe 800 arrobas por ano no sistema cabruca, ou seja, os pés de cacau são plantados sob as árvores da Mata Atlântica. São cerca de 600 árvores por hectare, enquanto a produção tradicional tem até 1.111 plantas por hectare.

O presidente da Coopercabruca diz que as orientações e o suporte do Agro.BR foram fundamentais para viabilizar a primeira de muitas exportações diretas que a cooperativa pretende fazer.

“Já estamos conversando com um grupo na Europa que quer trabalhar exclusivamente com as amêndoas da nossa cooperativa”, diz, acrescentando que o maior desafio nessa primeira exportação foi convencer o produtor a apostar no modelo de exportação e esperar o pagamento.

Curiosidades do chocolate

7 de julho é o Dia Mundial do Chocolate! Não só o sabor, mas também a história e seu encanto fazem do chocolate uma paixão mundial que vem desde os tempos mais antigos. Os maias, por exemplo, consideravam o chocolate (bebida de cacau preparada com água quente) o “Alimento dos Deuses”.

Fonte: CNA
Crédito da foto: Divulgação

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