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Argentina suspende exportação de carne bovina e afeta empresas brasileiras

A medida visa reduzir os preços do alimento no mercado doméstico
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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, suspendeu a exportação de carne bovina por 30 dias. Emitido na noite da segunda-feira 17, o decreto afeta frigoríficos brasileiros que estão entre os maiores exportadores sediados no país, como Minerva Foods e Marfrig.  

De acordo com nota da Reuters (18/05), o governo disse na segunda-feira (17) que vai implementar a medida emergencial devido ao “sustentado aumento no preço da carne bovina no mercado doméstico”. Com os preços em alta veio a preocupação com a perda de controle da inflação antes de eleições para o Congresso no final do ano. 

Conforme o governo estrangeiro, a medida de suspender a exportação de carne bovina visa reduzir os preços do alimento no mercado doméstico. Afinal, os argentinos sofrem com a inflação elevada. A postura extrema de Fernández não diverge da que foi tomada pela gestão de Cristina Kirchner. Ao limitar os embarques em 2014, a peronista desestimulou a pecuária e, com isso, reduziu o rebanho argentino em 10 milhões de cabeças. Dessa forma, diminui o peso argentino no comércio internacional do produto. À época, empresários se queixaram, conforme noticiou o jornal La Nación. 

“As exportações foram fechadas. Amanhã (19) vamos continuar negociando com o governo”, disse uma fonte do setor de carnes da Argentina ligada à associação de exportadores ABC, acrescentando avaliar que a medida é um erro mesmo em meio ao cenário de alta de preços. 

Após o anúncio da medida, a brasileira Marfrig (MRFG3), líder global em produção de carne bovina, disse que suas operações na Argentina representaram 3,2% da receita líquida consolidada no primeiro trimestre. “Assim sendo, o impacto direto desta restrição se limita a 1,3% da receita líquida consolidada, representada pelas exportações argentinas no período”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado, nesta terça-feira. 

Quanto à Minerva (BEEF3), que não comentou a situação, tem a opção de compensar suas vendas a partir da produção em outras nações.  

Da receita total da Marfrig, que obtém mais de 80% da geração de caixa nos EUA, os argentinos representam apenas 1,3%. Na Minerva, a representatividade da Argentina é maior — em torno de 10% da receita total e 27% da subsidiária Athena Foods. 

Nos últimos anos, a Argentina vinha ampliando as exportações de carne, especialmente para a China, ajudando a impulsionar o setor, mas também gerando temores de que os embarques em alta pudessem pressionar os preços domésticos. 

A Argentina é a sexta maior produtora global de carne bovina e foi em 2020 o quinto maior exportador, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. 

Fonte: Reuters
Crédito da foto: Divulgação/Canva

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