Experimento apresenta resultados 50% acima da média em produção de abóboras

Além de contribuir para a segurança alimentar da região, o objetivo do experimento com a produção de abóboras foi introduzir e difundir o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) nas regiões Oeste e Noroeste do Paraná. O resultado foi 500 kg doados ao Banco de Alimentos da Ceasa Paraná
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Experimento apresenta resultados 50% acima da média em produção de abóboras

Cerca de 500 kg de abóbora foram doados pelo Polo de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná de Santa Tereza do Oeste ao programa Banco de Alimentos da Ceasa Paraná, responsável por garantir o acesso a alimentos de qualidade às populações em situação de insegurança alimentar e nutricional. Os frutos entregues da produção de abóboras foram o resultado de um experimento de campo para avaliação do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), coordenado pela pesquisadora Drª Josiane Bürkner dos Santos.

Através do experimento, foi plantado um hectare, dividido em 36 parcelas, com duas variedades de abóbora – sendo possível porque a abóbora cabotiá é um híbrido e suas flores não são autofecundáveis, necessitando da moranga para que haja o cruzamento e produção de frutos. De acordo com Josiane, o plantio das sementes foi feito na primeira semana de novembro de 2021 e a colheita no início de março. A produtividade média das parcelas chegou a 60 toneladas por hectare, enquanto a média na região é de 40 toneladas por hectare.

Ainda segundo Josiane, foram analisados vários aspectos como as melhores coberturas de inverno e verão e as plantas mais indicadas para a rotação de culturas. A pesquisadora observou que no Polo de Pesquisa, a produção de abóboras teve um bom desenvolvimento. “Onde havia trigo mourisco, usado como cobertura, o cultivo se desenvolveu de forma mais saudável, com menor incidência de oídio, em comparação às parcelas sem essa cultura. As coberturas de solo foram auxiliares no cultivo e resultaram em maior produção e frutos com mais qualidade”, destacou Josiane.

Três princípios básicos no SPDH

De acordo com pesquisadores, o SPDH deve seguir três princípios básicos: o não revolvimento do solo; a rotação de culturas, com a diversificação de espécies comerciais e de cobertura; e a cobertura permanente do solo, tanto de plantas vivas quanto de resíduos culturais. Dentre os benefícios dessa prática estão a redução das perdas por erosão das chuvas em torno de 90%, perdendo assim também menos nutrientes do solo (adubos, nitrogênio, fósforo e potássio), menores perdas de água por evaporação, lixiviação e consequente economia de água, principalmente das culturas irrigadas, em até 30%.

Vantagens

A diminuição dos custos na mecanização em até 75% e o controle de plantas espontâneas, diminuindo o número de capinas são outras vantagens nesse processo. A presença da palhada também reduz os extremos de temperatura em até 10ºC na superfície do solo. O SPDH aumenta os teores de matéria orgânica e aumenta a ação biológica de minhocas e outros organismos.

O sistema também contribui para uma menor dispersão de doenças, observando que, em função da preservação do solo, pelo maior retorno de resíduos orgânicos, o SPDH permite uma maior recuperação de sua qualidade. Com isso, o nível de necessidade de reposição de nutrientes é menor, minimizando os custos de adubação, sem prejuízo da produtividade das lavouras.

Agroecologia

A partir do experimento realizado em Santa Tereza do Oeste, verificou-se que as áreas cultivadas neste sistema apresentaram menores perdas causadas por geadas ou estiagem. Josiane informou também que o cultivo foi feito com o mínimo de insumos e sempre usando controles agroecológicos ou até mesmo orgânicos. “Somente em último caso o agroquímico foi usado para o controle de pragas e doenças. Além disso, foram usados adubos orgânicos e químicos, seguindo estritamente os indicadores da análise de solo, sem excesso de nutrientes”, explicou.

Produção de Abóboras

Outro detalhe importante é que os custos com insumos foram reduzidos e houve um aumento de produção 50% maior que a média da região. “Apenas com a adubação conforme a análise química. Os agroquímicos foram aplicados somente quando as pragas e doenças ofereciam risco de danos à lavoura, o que reduziu o seu uso. Normalmente o produtor calendariza a aplicação de fungicidas, inseticidas e adubos, o que não é economicamente viável, principalmente na nossa realidade atual”, afirmou Josiane.

doacao de aboboras
A doação das abóboras feita ao Banco de Alimentos da Ceasa graças ao esforço de todos os servidores e colaboradores do IDR-Paraná – Divulgação IDR Paraná

A doação das abóboras feita ao Banco de Alimentos da Ceasa foi possível graças ao esforço de todos os servidores e colaboradores do IDR-Paraná que trabalharam durante o ano passado, planejando e instalando o experimento. Uma outra parte da colheita foi destinada aos restaurantes do IDR-Paraná de Ponta Grossa, Londrina, Pato Branco e Santa Tereza do Oeste. Apenas algumas abóboras ficaram no Polo para a análise de qualidade do pós-colheita dos frutos.

A ação está em acordo com a missão do Instituto que pretende prestar serviço integrado de pesquisa, experimentação agrícola e extensão para a expansão da produção de base de agroecológica na produção de alimentos com alta qualidade e sustentabilidade ambiental. Além disso, a iniciativa atende aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.

Fonte: IDR Paraná (reportagem: Roberto Monteiro)

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