Problemas na cadeia de suprimentos, aumento da demanda internacional, escassez de mão de obra e sensibilidade às mudanças climáticas (mais regiões sob seca ou chuvas em excesso) elevou os preços dos alimentos em todo o mundo, cerca de um quarto, somente no ano passado.
No início de 2022, embora o índice das Nações Unidas que acompanha os preços mundiais dos alimentos tenha recuado em dezembro, eles permanecem perto de seu recorde histórico de 2011. Mas ao final de fevereiro, a Rússia (grande fornecedor de trigo, milho, óleo de girassol, fertilizantes e energia) entrou em guerra com a Ucrânia, grande fornecedor de trigo ao mundo.
Em poucos dias, a Bolsa de Chicago (termômetro mundial) elevou suas cotações substancialmente. A primeira sessão do mês de março foi marcada por expressivas valorizações, com cotações da soja superando os US$ 17 o bushel, o milho acompanhando o movimento de alta e o trigo atingindo os maiores patamares dos últimos 14 anos na bolsa americana, com contratos superando a barreira dos US$ 10 o bushel.
Commodities Agrícolas
Na jornada da madrugada seguinte, as cotações seguiram na mesma tendência, à medida que as notícias relatavam avanço de forças militares da Rússia em cidades importantes da Ucrânia, especialmente em Kharkiv. Rússia e Ucrânia respondem por quase 30% das exportações mundiais de trigo, quase 20% dos embarques de milho e por 80% das vendas externas globais de óleo de girassol.
Paralelamente, os líderes mundiais além de megaempresas, dos Estados Unidos e da União Europeia, não paravam de anunciar sanções contra a Rússia, principalmente no plano econômico. Uma das principais foi retirar os bancos russos do sistema internacional de pagamentos Swift, elevando a incerteza em relação ao comércio de commodities agrícolas.

Outro agravante recente do confronto é a inserção do Mar Negro no embate. Ele colocou todo o sistema logístico em alerta máximo, com relatos de navios atingidos por mísseis e empresas anunciando suspensão de operações em território ucraniano. Autoridades ucranianas informaram que os portos do país só retomarão as atividades em um cessar fogo com os russos.
Fonte: Mundo Agro Brasil
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