Comemorado na terça, 22 de março, o Dia Mundial da Água foi marcado pela primeira live do evento Agropecuária do Futuro – uma série realizada pelo Canal Rural que começou falando sobre o uso responsável desse recurso natural tão essencial para a produção de alimentos, bem como de tecnologias que podem otimizar o seu uso e aumentar a produtividade, entre elas, a irrigação, técnica que evita a abertura de área e o desmatamento, além de aumentar a produtividade.
Dados da Embrapa mostram que, na cultura do arroz, por exemplo, quando há irrigação, a produtividade aumenta em até 3,7 vezes por hectare. Porém, a técnica ainda precisa ser mais difundida no Brasil. “Hoje no país, parece um paradoxo com a quantidade de água que a gente tem e o tanto que irrigamos ainda é muito. Daria para dobrar tranquilamente a área de irrigação no Brasil”, afirmou Rogério Vian, presidente do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS).
Irrigação evitaria perdas
Entusiasta, Rogério acredita que um sistema de irrigação mais presente nas lavouras do país poderia ter evitado boa parte das perdas da última safra ocasionadas pela estiagem. “Nós não esperávamos um La Niña tão violento como foi esse ano e isso poderia ser minimizado houvesse investimentos em irrigação”, avalia. Para ele, não seria preciso irrigar a área total, mas poderia ser realizado uma irrigação de salvamento para salvar até 90% das lavouras.
Segundo Vian, é possível ter um rápido retorno do investimento para a implantação de um sistema de irrigação. “Eu considero a irrigação um ponto crucial para a agricultura e quando você faz a conta da montagem de estrutura de armazenagem, percebe que ela se paga muito rápido”.
Dessalinização da água
Professor de ciências ambientais da Universidade Hebraica de Jerusalém, o doutor Yair Mau, também participou do evento direto de Israel para contar sobre a experiência do país com a utilização e dessalinização da água. “Aqui em Israel, a dessalinização da água começou há cerca de 15 anos e logo foram construídas as primeiras usinas de dessalinização. Hoje já são cinco ao longo da costa mediterrânea de Israel e cerca de 1/4 da água do país é dessalinizada”, revelou.
No entanto, Yair também explicou que a técnica de dessalinização da água ainda é muito cara e utiliza muita energia. Por conta disso, o uso dessa água na agricultura é inviável. “No final das contas, ela acaba não chegando na agricultura, indo inteiramente para o uso doméstico. Só então, após ir para o esgoto e passar por tratamento é que ela vai chegar na agricultura”, detalhou.
Devido ao alto valor e as dificuldades para fazer a dessalinização, o doutor israelense acredita que a prática é inviável para a maioria dos países e que outras técnicas deveriam ser prioridade para preservar e otimizar o uso da água. “Nenhum país deveria começar pela dessalinização, pois há coisas muito anteriores a dessalinização que podemos fazer, só que, infelizmente não chamam tanta atenção”, frisa.
Yair ainda ressalta para o desperdício de águas em todas as cidades do mundo por conta de rachaduras nos encanamentos. “É difícil saber exatamente quanto, mas pode ser de 30% a 50% da água é perdida nos canos. Israel, por exemplo, consertou todo o encanamento do país e tem um sistema avançado de monitoramento dos canos. Então muito antes da dessalinização de qualquer água, tanto para uso doméstico, quanto para agricultura, é preciso consertar os canos”, defendeu.
Finalizando, Vian também reiterou que o desperdício de água é um grande problema e falou sobre como seria importante a captação de água da chuva no Brasil. “Precisamos captar água da chuva, afinal temos telhados em barracões e nas casas. Acho que todo projeto de uma casa em construção poderia ter algo para captar essa água”, afirmou.
Fonte: Yahell Bonfim/Planeta Campo
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