A Associação Paranaense de Suinocultura (APS) alerta que o excesso de oferta e os preços baixos dos suínos estão aumentando o cenário de crise no setor. Para a entidade, as dificuldades devem afetar todo o sistema, prejudicando também frigoríficos e vendedores de insumos.
Segundo o presidente da APS, Jacir Dariva, o cenário está complicado, especialmente para os suinocultores independentes. “A indústria ainda consegue repassar margens através de produtos embutidos, mas é algo que independente não consegue fazer. Com isso, resta apenas deixar a atividade”, afirma.
O suíno foi a proteína animal que mais cresceu nos últimos anos no Brasil. Entre 2016 e 2021, a produção aumentou mais de 30%, sendo que o Paraná foi o responsável por 1,7 milhão de cabeças, se tornando o segundo maior produtor do Brasil no ano passado. “A oferta deve continuar crescendo nos próximos meses, aumento o estoque de carne nas granjas e nos frigoríficos, apertando ainda mais a margem do produtor. Isso só deve mudar no fim do ano, mas apenas o produtor que sobreviver vai conseguir”, explica.
Produtor independente já recebe menos por suínos que integrados
Diante da crise na suinocultura brasileira, os produtores independentes já recebem menos pelos animais do que os integrados, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. No último dia de maio, os independentes receberam, em média, R$ 4,59 por quilo entregue aos frigoríficos do oeste de Santa Catarina, enquanto os integrados faturaram R$ 5,07 por quilo.
Esse quadro de preços, incomum, é mais um desdobramento da crise da atividade no país. Como lembra o Cepea, os custos da criação independente são historicamente mais altos porque esses produtores não têm o mesmo poder de compra dos frigoríficos para adquirir grandes lotes de insumos. Por terem despesas mais altas, eles também recebem mais pelo quilo dos suínos vivos.
O movimento decorre da fraca demanda e da ampla oferta que o setor de suínos enfrenta há meses, afirmam os pesquisadores. Em maio, houve poucos negócios no mercado à vista, resultado da diminuição das vendas de carne suína. Os integrados, porém, receberam o preço-base dos contratos firmados com as empresas.
Fonte: Canal Rural, Valor Econômico
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