Setor agropecuário comemora fim das sobretaxas dos EstadosUnidos

21 de novembro de 2025

Presidente da Faesp alerta, entretanto, que é preciso reforçar a diplomacia e buscar sempre novos mercados para garantir a rentabilidade do produtor
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Setor agropecuário comemora fim das sobretaxas dos Estados Unidos

A decisão do governo americano de suspender, nesta quinta-feira (20), as sobretaxas sobre as importações de mais de 60 itens da lista de produtos agropecuários brasileiros representa um avanço significativo para o comércio bilateral e para a dinâmica do agronegócio nacional. Ao aliviar um peso financeiro relevante sobre itens como carne, soja, frutas e commodities diversas, os Estados Unidos reabrem espaço para que produtores brasileiros ampliem sua presença em um dos mercados mais
competitivos e lucrativos do mundo. Essa medida demonstra reconhecimento da qualidade e da importância estratégica dos produtos do campo brasileiro no cenário global.


Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, além do impacto econômico direto, a suspensão das sobretaxas traz um elemento fundamental para o planejamento das atividades rurais:
previsibilidade. Em um setor profundamente sensível às oscilações externas — seja de preços, custos logísticos ou barreiras comerciais —, a possibilidade de operar com maior clareza sobre as condições de acesso ao mercado internacional permite que
agricultores e pecuaristas invistam melhor, negociem com mais segurança e organizem sua produção de forma mais eficiente.


“Essa notícia reforça a importância do setor agropecuário brasileiro no contexto global. A tarifas extras penalizavam não apenas o produtor nacional, mas também os consumidores americanos, que viram sumir das prateleiras de supermercados
alimentos que fazem parte da rotina diária das famílias e onde eles reconhecem qualidade. É uma vitória importante do agro”, frisou Meirelles. Antonio Ginack Junior, da Comissão de Bovinocultura de Corte da Faesp, comemorou a decisão, mas ressaltou que os produtores precisam estar atentos para o futuro.


Segundo ele, “a taxação foi fantástica para o mercado brasileiro pois assim os vendedores de carne bovina tiveram que sair da zona de conforto para abrir novos mercados. E abriram! Com isso o preço da arroba ao ser taxada pelos Estados
Unidos, ao invés de cair, aumentou aqui no Brasil”.


“A notícia é muito boa, já que os Estados Unidos são grandes importadores de café do Brasil. A preocupação era que eles procurassem outras origens devido as tarifas, fazendo com que trabalho de anos do setor fosse desfeito. Para o setor cafeeiro a
decisão traz a certeza de voltaremos a exportar forte para o mercado americano”, explicou Guilherme Vicentini, coordenador da Comissão de Cafeicultura da Faesp.


Outro fator relevante é que a medida fortalece a confiança nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O gesto do governo americano sugere disposição para o diálogo e para a cooperação, reduzindo tensões e abrindo espaço para acordos
mais amplos no futuro. Essa sinalização positiva tende a beneficiar não apenas o agronegócio, mas também outros setores da economia que dependem de relações externas estáveis e transparentes.


Ainda assim, a decisão do governo americano não deve ser interpretada como uma garantia definitiva. O episódio do tarifaço — com sobretaxas que chegaram a impactar significativamente a competitividade brasileira — funciona como um alerta importante
para a vulnerabilidade de países exportadores diante de mudanças políticas e conjunturais. A dependência excessiva de poucos mercados torna produtores e governos mais suscetíveis a riscos geopolíticos e disputas comerciais que fogem ao
seu controle.


A suspensão das sobretaxas, entretanto, deve ser acompanhada por uma estratégiamais ampla de diplomacia econômica ativa e da construção de novas parcerias internacionais. Diversificar mercados, ampliar acordos comerciais e investir em inovação e qualidade são caminhos essenciais para garantir que os produtos brasileiros continuem competitivos no cenário global. Somente assim será possível assegurar a rentabilidade dos produtores rurais e fortalecer a posição do Brasil como um dos grandes protagonistas do agronegócio mundial.

Por Ascom Faesp

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