O AGRONEGÓCIO MAIS PERTO DE VOCÊ

Safras, uvas e vinhos ao gosto do brasileiro

No Sul do Brasil, a safra de 2020 foi especial e a colheita de 2021 também traz vinhos equilibrados e aromáticos
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Áudio

Nem é preciso muita análise para perceber que o vinho, hoje, já faz parte da vida dos brasileiros. Como se diz, ‘caiu no gosto’, despertando curiosidade em relação às suas origens, processos de produção e, claro, aos mais variados sabores de cada uma das uvas utilizadas. E se o consumidor nacional está disposto a conhecer mais sobre a bebida, os produtores saem ganhando, assim como as empresas, que, por sua vez, têm investido mais em melhorias, seja na produção das uvas, seja na elaboração de vinhos.  

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que elabora um estudo sobre o preço por meio de painel envolvendo agricultores, revendedores de insumos e indústrias, publicou no início de 2021 o preço mínimo da uva industrial – R$ 1,10/kg para safra 2020/2021 – garantindo que o novo valor vale para a uva destinada à fabricação de suco, vinho e outros derivados. Esse preço, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), vai vigorar até 31 de dezembro de 2021 e vale para os estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O valor leva em conta os custos variáveis de produção das lavouras, além de considerar outros indicadores de mercado.

A boa notícia é que, com a bela safra de 2020, vinícolas de todo o país se empenharam na produção elaborada de vinhos, fazendo felizes tanto os consumidores quanto as empresas distribuidoras. No Sul do Brasil, está ressaltado o Estado do Rio Grande do Sul, o maior produtor de uvas finas do país, superando 870 mil toneladas em 2020. Mas na hora de escolher um rótulo gaúcho, você sabe quais castas dão origem aos melhores vinhos? Afinal, cada cepa se adapta melhor a um clima e solo.

Uvas produzidas em solo gaúcho

Cabernet Sauvignon, a mais produzida e consumida no mundo, é facilmente encontrada em todo o território gaúcho. A robusta Cabernet Sauvignon também é produzida na Serra Gaúcha, e embora seja uma uva de final de ciclo, possui maior resistência à umidade, se compararmos com a Merlot, devido sua casca mais espessa.

Além da Serra Gaúcha, também tem destaque na região da Campanha, quase na fronteira com o Uruguai. Com solo arenoso, boa amplitude térmica e insolação, além da baixa pluviosidade durante a maturação das uvas, os vinhos lá produzidos apresentam grande tipicidade. Ela ainda é cultivada com sucesso na Serra do Sudoeste, que engloba as cidades Pinheiro Machado e Encruzilhada do Sul.

A Cabernet Sauvignon produz vinhos com boa estrutura e intensidade aromática. Falando em aromas, destacam-se as notas de pimentão verde e especiarias (principalmente pimenta-do-reino). Seu sabor é picante e levemente herbáceo. Quando jovem, pode apresentar taninos um pouco ásperos e duros, que com o tempo se tornam aveludados e elegantes. É uma uva com um grande poder de envelhecimento dependendo da safra e da proposta da vinícola.

A Tannat, uva emblemática do Uruguai, ganha cada vez mais espaço no Rio Grande do Sul. Essa casta tem se adaptado com perfeição a região da Campanha Gaúcha, caracterizada pelo Bioma Pampa com longas horas de sol, fazendo com que a planta concentre açúcares e matéria corante, conseguindo equilibrar sua elevada carga tânica.

Em geral, a Tannat possui alto teor alcoólico, coloração violácea, além de ter abundância de taninos. Possui o couro como principal descritor aromático, podendo ser consumida após alguns anos de garrafa. Muito utilizada em cortes com outras variedades, visto que agrega cor e estrutura a cepas menos robustas.

Guatambu e a safra histórica de 2020

Com as estações do ano bem definidas, verões quentes com pouco volume de chuvas e invernos com frio constante, a Campanha Gaúcha, localizada no extremo sul do Rio Grande do Sul, a fazer fronteira com o Uruguai, na latitude 31, é uma região brasileira cujas características geológicas e climáticas se assemelham às das melhores vinícolas do mundo do hemisfério sul, e, não por acaso, abriga 18 das principais vinícolas do Brasil, inclusive a Guatambu, produtora dos vinhos em lata Mysterius.

Se o clima já é historicamente muito seco no verão, na safra 2020 essa característica acentuou-se, registrando chuvas abaixo de 50mm nos meses de fevereiro e março, permitindo a maturação plena das uvas, bagas muito concentradas, o que gerou vinhos com equilíbrio entre álcool, acidez e corpo, tintos com alta concentração de taninos maduros e álcool, além de brancos com aromas intensamente frutados. Foi justamente nesta safra histórica que nasceram as latas Mysterius. Por isso o vinho tinto Veraz seco, um corte de uvas Tannat, Cabernet Sauvignon e Tempranillo, por exemplo, contém 14% de álcool natural. E o Mysterius Intuição, que é um espumante elaborado com uvas Prosecco Brut (com 11,5% de graduação alcoólica), que apresenta aroma frutado e grande frescor em boca. “São vinhos premium, de bastante qualidade, que colocamos em lata, como forma de inovar a atender às novas demandas dos clientes jovens.” – comenta Gabriela Pötter, agrônoma e enóloga da Guatambu.

E embora a Campanha Gaúcha venha produzindo vinhos há pouco mais de 40 anos, já é responsável por 31% da produção de vinhos finos brasileiros e acaba de ganhar o selo IP (Indicação de Procedência), que atesta que o vinho expressa as características da região na qual foi produzido, ou, na linguagem dos especialistas: atesta o “terroir” do vinho. Uma espécie de selo de qualidade e originalidade, cujo processo levou cerca de cinco anos de pesquisas, estudos de um grupo interdisciplinar sobre a região, em um projeto liderado pela Embrapa Uva e Vinho (RS) e analisado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI.

Terminada em 24 de março, a colheita da safra de 2021 não foi diferente de sua antecessora: “O clima deste verão na região da Campanha, assim como da safra 2020, foi mais seco do que a média dos anos, que já é caracterizada por ter estiagem. Isto resultou em bagas pequenas e muito concentradas, gerando vinhos equilibrados (entre álcool, acidez, pH e polifenóis) e com grande intensidade de aromas e sabores. Será mais uma safra memorável”, comemora Gabriela Hermann Pötter, responsável pelo Controle de Qualidade dos vinhos.

Atuação no Agronegócio

A Estância Guatambu é uma empresa familiar com atuação no agronegócio desde 1958. Atualmente sob o comando da terceira geração, visando diversificar seus produtos, iniciou em 2003 o projeto de produção de uvas viníferas, com a implantação do vinhedo com mudas importadas da França e da Itália, em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha.

Em 2013, inaugurou-se um marco no Pampa, o nascimento de uma das mais belas e estruturadas vinícolas brasileiras: a Vinícola Guatambu, com seu nome originado da fazenda Guatambu (árvore brasileira com grande porte, de madeira nobre e resistente). Hoje a vinícola se destaca pela inovação e vinhos de alta qualidade, muito devido ao clima privilegiado do Pampa Gaúcho, sendo reconhecida pelos seus vinhos premiados, como os vinhos Épico e Rastros do Pampa Tannat, já consolidados com os prêmios Top Ten Expovinis, Melhor Tinto do Brasil pelo Guia Descorchados e Medalha de Bronze no London Wine Chalenge.

 Fonte: Redação Agrovenki/ apoio assessoria Vinícola Guatambu