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O tempo & o campo

Sistema TEMPOCAMPO divulga boletim de fevereiro, mostrando que o mês de fevereiro foi marcado pelo contraste no volume de chuvas entre as regiões agrícolas do país
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O mês de fevereiro foi marcado pelo contraste no volume de chuvas entre as regiões agrícolas do país. Nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste os volumes de chuva chegaram aos 240 mm, enquanto no Nordeste foram registradas chuvas na faixa dos 90 mm, exceto pelos estados do Maranhão, Piauí e a região do Oeste da Bahia, onde valores acumulados chegaram a 240 mm. Já na Região Sul, foram registrados valores de até 120 mm.

Em virtude da chuva de fevereiro, o armazenamento hídrico oscilou no intervalo de 75 a 90% na maior parte do território brasileiro. Exceto em parte do Nordeste, onde houve restrição hídrica em virtude das altas taxas de evapotranspiração, as chuvas não foram suficientes para assegurar a umidade do solo em níveis acima de 15%. Por outro lado, na maior parte do Norte e Centro-Oeste o armazenamento hídrico foi superior a 75%; no Sudeste, os valores ficaram entre 30 e 75% da capacidade máxima de armazenamento do solo.

No extremo Norte e partes da Região Nordeste foram registradas as maiores temperaturas máximas, superiores a 31°C. No Centro-Oeste as máximas ficaram entre 27° e 31°C, enquanto no Sudeste as máximas ficaram entre 25°C a 31°C. No Sul a temperatura máxima variou de 25°C a 29°C.

Em partes das Regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste foram registrados os maiores valores de temperatura mínima, abaixo dos 25°C, enquanto nas demais regiões as mínimas variaram entre 19 e 23 °C. Já na Região Sudeste foram registradas mínimas na faixa dos 21°C, com destaque para Minas Gerais e São Paulo, onde foram registradas mínimas inferiores a 19°C. No Sul, as mínimas ficaram entre 16 a 19 °C na maior parte dos estados.

Tempo e agricultura brasileira

A estiagem que atingiu os cafezais brasileiros no segundo semestre de 2020 foram prejudiciais à safra atual e ainda causa preocupação aos produtores. Mesmo com a ocorrência de chuvas, os cafeicultores já começaram a notar a consolidação da quebra na safra projetada ainda no ano passado. Além disso, o grande volume de chuvas na segunda quinzena de fevereiro em Minas Gerais e Espírito Santo causou erosão nas áreas produtoras de café e trouxe maior instabilidade às regiões.

Devido ao excesso de umidade provocado pelas chuvas e dias nublados, a colheita da soja em Tocantins foi prejudicada, além da perda de qualidade dos grãos o ocorrido pode inviabilizar a safrinha de milho. Lavouras que foram plantadas tardiamente enfrentaram problemas com aumento na pressão por doenças, levando ao aumento de gastos com insumos. Esse cenário pressionou os produtores na busca por empresas para renegociar contratos e levou a sua atenção para a segunda safra de milho, que terá janela pequena e inviabilizando o uso de insumos já comprados.

A cultura do milho no Paraná também preocupa os produtores, as lavouras tiveram atraso de chuva na semeadura da safra verão, influenciando também no atraso da semeadura do milho safrinha. Além disso, devido à umidade, os produtores que semearam na safra verão estão tendo problemas com cigarrinhas, o que pode prejudicar ainda mais a safra de milho no estado. Contudo, em São Paulo, mesmo com o ataque das cigarrinhas e a falta de água no começo de fevereiro, há expectativa de boa produtividade nas lavouras de milho.

Já o milho no Mato Grosso deve sofrer com o atraso na semeadura, concentrando as operações no mês de março, que é um mês de produtividades relativamente mais baixas por causa da climatologia regional. Contudo, os produtores que conseguiram semear no mês de fevereiro devem garantir uma produtividade adequada.

No início de fevereiro o excesso de chuvas comprometeu as lavouras de feijão na Região Sul, com perda de produtividade e qualidade dos grãos. Em localidades do Rio Grande do Sul as perdas ocorreram devido à estiagem no início do ciclo da cultura. Já em Santa Catarina houve perdas totais nas lavouras de feijão devido ao excesso de umidade.

O Estado do Paraná passa por um momento de grande expectativa com a colheita da primeira safra e plantio da segunda safra da cultura de feijão. Para este novo ciclo espera-se redução de 1% da área e, diferente da temporada anterior que foi marcada pela estiagem, a chuva agora traz preocupações aos produtores, influenciando nos trabalhos de campo, no surgimento de doenças e atraso na semeadura.

As condições das lavouras de soja melhoraram após um começo de temporada marcado pela irregularidade climática, que atrasou a semeadura e comprometeu o desempenho das variedades precoces. No Centro-Oeste, em especial no Mato Grosso, os produtores sofrem lentidão na colheita da cultura devido ao grande volume de chuvas. Na maioria das vezes a soja é colhida com grande dificuldade e com umidade acima do ideal. Caso as condições climáticas não melhorem e a velocidade de colheita continue aquém da média histórica, pode haver mais perdas de qualidade nas lavouras que estão prontas para colher.

O clima do mês de fevereiro não favoreceu os canaviais dos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, devido às chuvas próximas ou abaixo da média histórica, que junto à alta demanda hídrica, criaram condições de leve estresse hídrico. Porém nos estados, onde a demanda hídrica foi atendida, como no Paraná e Mato Grosso do Sul, a cana-de-açúcar manteve altas taxas de crescimento com expectativa de boas produtividades para esta safra.

Fonte: ESALQ/USP