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Mel orgânico e própolis do Brasil continuam em alta

Muitos produtores rurais voltaram a incrementar suas produções de mel para atender a demanda
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Ano passado, as vendas ligadas ao consumo interno e, principalmente, o aumento no número de exportações já puderam ser observados como fatores de alta significância. A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel viu as exportações subirem 52% em relação a 2019! O aumento na demanda por mel, muito provavelmente, se deu em função da busca por alimentos ricos e naturais durante a pandemia do coronavírus.

“Parece que o mundo todo estava e está a procura do mel orgânico brasileiro e da própolis do Brasil”, disse Suelen de Palma Tomazella, gerente administrativa da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel. Para a gerente, um dos fatores que incentivaram essa subida nos embarques é o impacto da pandemia no mercado chinês, principalmente no primeiro momento. A China é o principal exportador de mel no mundo e, com a pandemia, o as exportações do país ficaram travadas durante um bom tempo, e a demanda deles foi direcionada a outros produtores, como o Brasil.

Outra explicação está na fama de alimento saudável, natural e que pode, ainda, reforçar o sistema imunológico. Apesar de não saber se essa demanda vai se sustentar no cenário pós-covid, a Abemel está otimista. Os brasileiros têm observado o comportamento do consumidor europeu e norte-americano, habituais consumidores de mel, e vê uma tendência do alimento se sedimentar em mercados mais maduros, e se consolidar no Brasil.

Mudanças no consumo nacional?

Embora as variáveis do último ano tenham impulsionado a produção nacional de mel cada vez mais para o mercado externo, análises do setor mostram que houve também um significativo aumento na demanda nacional. Pode ser que esse quadro de procura venha a se intensificar ainda mais em 2021 e nos anos seguintes, delineando um reflexo em longo prazo.

Historicamente, o consumo de mel pelo brasileiro é limitado. “O consumo de mel per capita no mundo gira em torno de 220 gramas por habitante por ano. Na Europa, chega a ser em torno de 1 a 1,5 kg por pessoa no ano, e nos EUA fica em torno de 600g por habitante no ano. No Brasil, esse valor não passa de 60g consumidos por pessoa no ano. Um consumo extremamente baixo, e isso tem várias razões. O Brasil, como grande produtor de um mel considerado melhor do mundo, ainda precisa voltar seus olhos para o estímulo do consumo interno”, defende a gerente da Abemel.

O alimento mais completo que existe

A composição química do mel é extremamente rica, já que se trata de um alimento com uma vasta quantidade de substâncias muito importantes para a saúde do ser humano. Nele encontramos: carboidratos, vitaminas, minerais, água, proteínas. Na saúde humana, funciona como substituo do açúcar, sendo um produto possuidor de várias atividades terapêuticas, destacando-se suas ações – Antibacteriana: Impede o crescimento de bactérias;Antibiótica: Combate infecções bacterianas; Anti-inflamatória: Impede ou ameniza a inflamação de tecidos; Antimicrobiana: Mata ou inibe o desenvolvimento de micro-organismos; Depurativa: Purifica o organismo eliminando substâncias tóxicas e resíduos;Emoliente: Amacia e deixa a pele mais flexível;Energética: Fornece energia; Cicatrizante: Estimula o processo de cicatrização;Imunoestimulante: Estimula e reforça o sistema imunológico.

Humanos consumiam mel há mais de 10 mil anos, que era a única fonte de açúcar na alimentação. O hábito de consumir mel vem de longa data na história da humanidade: os registros mais antigos datam de 8 mil a.C., com pinturas rupestres no sítio arqueológico de Cuevas de Las Arañas, na Espanha, que representam o alimento. Apesar de ser produzido por mais de 20 mil insetos e até por algumas plantas, o mel docinho, viscoso e amarelado que consumimos vem das abelhas do gênero Apis.  

Suas propriedades variam de acordo com as plantas que provêm o néctar, o terreno e a espécie de abelha, o que pode alterar cor, aroma e sabor. A coloração mais comum é amarelo-escuro, mas pode variar entre branco e castanho. Quanto mais claro, mais suave em aroma e sabor, porém menos rico em proteínas e sais minerais.

As propriedades antibióticas e fungicidas desta substância! A própolis possui diversas propriedades biológicas e terapêuticas.  A própolis é conhecida como um poderoso antibiótico natural. Hoje a própolis é utilizada com maior frequência na prevenção e tratamento de feridas e infecções da via oral, também como antimicótico e cicatrizante, muitas vezes usada como spray. Estudos mais recentes indicam eficiente ação de alguns de seus compostos ativos com ação imunoestimulante e antitumoral.

É fato que, em função da covid-19, com o consumidor mais tempo em casa, surgiram questionamentos e algumas mudanças de hábitos alimentares, especialmente no que diz respeito à procura pelos mais saudáveis.

Com isso, produtos ‘saudáveis’ chamaram especial atenção, como o mel orgânico brasileiro e o extrato de própolis. De acordo com Tomazella, estudos científicos chegaram a demonstrar que a própolis é um produto que estimula o sistema imune, e é um aliado para evitar sintomas mais graves, o que impulsionou a procura. “Em 2020, a associação observou a demanda internacional crescer e puxar os preços internacionais do produto. Em paralelo, houve uma forte valorização do dólar em relação ao real”, diz ela.

Isso potencializou o preço do mel no nosso mercado. Atualmente, mais de 80% do valor do quilo exportado fica com o produtor rural. Logo, observamos uma maior renda chegando ao produtor rural. “O aumento das exportações refletiu no aumento da produção, muitos produtores rurais voltaram a incrementar suas produções de mel para atender a demanda. Neste período, houve também um estímulo para a produção de própolis”, destaca.

Outras feições das exportações

As exportações do Brasil ainda são muito concentradas nos Estados Unidos, que soma 75% do mercado, e na Europa. “Infelizmente os países árabes ainda não figuram como grandes consumidores do mel brasileiro. Essa é, sem dúvida, uma oportunidade ao mel brasileiro, visto que o consumo do mel é parte da cultura árabe”, afirmou Tomazella.

Em 2020, o Omã, principal destino árabe do mel brasileiro, importou apenas 61 toneladas.  Para a gerente da Abemel, um país que tem tido papel importante em chamar atenção para o mercado árabe são os Emirados Árabes Unidos. A nação tem realizado eventos, feiras e missões comerciais envolvendo o setor. “No ano passado, a pandemia acabou atrapalhando os planos. Entretanto, assim que voltarmos à vida que tínhamos antes – e confiamos que isso irá acontecer em breve – é fato que a presença nesses países tem todo potencial para gerar negócios”, conclui ela.

Apesar de diversos mercados demandarem produtos com certificado halal, para os exportadores o custo ainda é um entrave. “É importante destacar que embora o Oriente Médio seja um mercado de grande potencial para o mel brasileiro, os custos acerca da certificação halal são ainda muito elevados, o que muitas vezes inviabiliza o empresário na obtenção da certificação frente aos retornos apresentados”, afirma a gerente da associação.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe