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Manejo alimentar dos caprinos

Em foco, a categoria de crias e a fase de recria
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Como foi dito no artigo anterior, “Manejo Alimentar de Reprodutores”, o manejo alimentar deve seguir as fases do sistema de produção, ou seja, para cada categoria, em cada fase de produção. E, dando sequência ao estudo feito por técnicos da Embrapa sobre manejo alimentar de caprinos no Nordeste Brasileiro, agora vamos abordar outro aspecto de categorias do sistema de produção, a alimentação de crias e a fase de recrias.

Manejo Alimentar das Crias

Nas primeiras semanas de vida, dois aspectos são de fundamental importância para a sobrevivência e bom desempenho das crias: capacidade de produção de leite e a habilidade materna das matrizes, estando esta última intimamente relacionada com a primeira e traduzida como cuidados e proteção dispensada às crias pela mãe. É importante, portanto, trabalhar essa característica com base no parâmetro: kg de cordeiro desmamado / ovelha parida, descartando aquelas menos produtivas.

Durante a época de carência alimentar (época seca), as crias ficam com as mães o dia todo até 15 dias de idade. A partir dessa idade deverão ser retidas no aprisco e submetidas a duas mamadas diárias (amamentação controlada); uma pela manhã e outra à tarde, antes e após o pastejo das matrizes. No aprisco, deve ser fornecido para as crias forragem de boa qualidade (capim-elefante verde ou feno de leguminosas ou de gramíneas) e concentrado à vontade. Essa prática é conhecida como creep feeding.

O concentrado deverá conter 3,0 Mcal de energia metabolizável por kg de matéria seca, 15 % de proteína bruta, 0,50 % de cálcio e 0,35 % de fósforo. Não é aconselhável utilizar leguminosas verdes por que causam diarréias nas crias. A leucena, mesmo na forma de feno, por conter mimosina, não deve ser utilizada como único volumoso para crias cujo rúmen ainda não se desenvolveu completamente.

A associação da amamentação controlada e com o creep feeding traz benefícios tanto para o desempenho reprodutivo das matrizes como para o produtivo das crias. Com o uso dessas práticas o desmame pode ser realizado entre 70 e 84 dias de idade.

Fase de Recria

A recria é a fase do sistema de produção que é iniciada após o desmame das crias com o objetivo de prepará-las para o acabamento ou para reposição (fêmeas), caso não se trate de cruzamento industrial. Não existe uma duração pré-estabelecida para a recria. Tratando-se de animais para abate, o desejável é que essa fase não exista, isto é, que os animais passem diretamente do desmame para a fase de acabamento. Mas, em situações em que as crias são desmamadas com menos de 15 kg, os animais devem ser submetidos a uma fase de recria até atingirem esse peso.

Por tratar-se de ruminantes, a alimentação deve ser baseada, principalmente, em volumosos, os quais abrangem uma grande variedade de alimentos, como forragens verdes e conservadas (feno e selagem). Ressalte-se que esses alimentos devem ser de boa qualidade nutritiva, no sentido de atender aos requerimentos nutricionais desta categoria animal, os quais são elevados.

A inclusão de leguminosas, a exemplo da cunhã (Clitoria ternatea), da leucena (Leucaena leucocephala), da gliricídia (Gliricidis sepium) etc., como parte da fração volumosa da dieta, é uma medida importante. Outra boa fonte de volumosos que poderá ser utilizada são os resíduos da agroindústria frutífera, que já representa uma fonte considerável de alimentos de boa qualidade nutricional. O uso de concentrados poderá ser adotado como complementação da dieta.

Fonte: Embrapa – Sistemas de Produção – Embrapa Caprinos