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Já se discute a permanência de avicultores e suinocultores na atividade

Produtores de aves e suínos sofrem os impactos da valorização do milho e podem diminuir a oferta de carne e ovos ao consumidor
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A história começa com produção e exportação do milho brasileiro e culmina (até agora) com os preços do cereal. O custo do milho preocupa setor de proteína animal, como citou o vice-presidente da Associação Mato-Grossense de Avicultura (Amav), Tarcísio Schroeter, em matéria publicada esta semana. Ele que a nova projeção preocupa o setor de proteína animal do estado. A avicultura já sente os reflexos no custo de produção e pode diminuir a oferta de carne e ovos ao consumidor. “O milho já está em R$ 80 a saca na média. No ano passado, estava R$ 40. Só que no ano passado, o ovo estava em R$ 80/R$ 90 a caixa. Hoje, ainda a R$120/R$ 130. Teoricamente a caixa de ovo era para estar entre R$ 150 e R$ 170”, diz Schroeter.

E continua: “Por conta disso, as granjas estariam tomando prejuízo e a única solução é diminuir a produção. O produtor vai reduzir plantel de frango de corte, de aves de postura, e o mercado vai ter que se adequar. A nossa esperança é que tenha mais oferta de milho, continuando a chuva em abril e maio pelo menos”, diz.

A suinocultura também sofre os impactos da valorização do cereal e teme falta do produto no mercado interno, segundo o presidente executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues. Alguns produtores já cogitam arrendar áreas para cultivar o cereal e garantir o alimento dos animais.

“Provavelmente, o custo de produção deve aumentar um pouco mais ainda em função dessa falta. Achar esse milho no mercado está sendo difícil já, e o produtor descapitalizado como está, sem compras antecipadas, pode causar um impacto muito grande em um curto espaço de tempo. É possível que nós, produtores, principalmente os pequenos, tenhamos que sair da atividade em função desse custo tão alto”, acrescenta.

A produção de milho em Mato Grosso deve cair 1,3% em relação à safra passada, totalizando 34,97 milhões de toneladas, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na contramão, a demanda pelo cereal deve crescer 16,33%, chegando a 11,57 milhões de toneladas.

De acordo com o gestor de Inteligência de Mercado do Imea, Cleiton Gauer, a expectativa era de um crescimento de quase 18% na demanda frente à temporada 19/20, mas houve um ajuste. “Basicamente, esse reajuste foi puxado pela reorganização das expectativas de demanda para o esmagamento de milho, e também pelo consumo interno para a alimentação animal”, conta. Gauer diz que com a valorização do cereal em Mato Grosso, pecuaristas têm procurado alternativas para a ração.

ABPA: essa situação é preocupante para o setor

Nas palavras do diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, essa situação é preocupante para o setor. “Se formos pegar os dados da Embrapa, eles indicam que houve aumento entre 45% e 50% em relação ao ano passado nos custos de produção. Temos praças onde o milho subiu mais de 100% e, como as rações são compostas por pelo menos 60% de milho ou farelo de soja, o pecuarista tem duas saídas, que são a redução dos plantéis e repasse do preço ao consumidor”, explicou.

Com esse desequilíbrio nos preços, continua ele, poderá haver desemprego na cadeia produtiva e ainda haverá mais acréscimo nos preços ao consumidor final.  “O preço do frango subiu 16%, dos suínos 26%, ou seja, muito aquém do que foram os custos de produção”.

Para o diretor da ABPA, a exportação tem virado uma alternativa. “Temos visto no acumulado do ano, até março, um aumento de 20% no volume exportado de carne suína e 2% no mercado de aves. Devemos ter um crescimento substancial, sem descuidar do consumidor interno, que continua comendo frango e suíno. No ano passado, o consumidor passou de 43 para 45 quilos no consumo de carne de aves e de 15 para 16 quilos no caso de suínos”.

Fonte: ABPA/Acrismat/ Amav /Imea