Fortalecimento da cadeia de morango no Brasil

Projeto Rede Morangos do Brasil: visando variedades adaptadas do fruto
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Mais de 60% das mudas cultivadas do morango precisam atravessar milhares de quilômetros para chegar até os produtores no Brasil. Elas vêm de países como Espanha, Argentina e Chile. Tais importações podem elevar o custo de produção e causar alguns problemas para o agricultor que, muitas vezes, recebe mudas com qualidade comprometida e também variedades não específicas às condições climáticas brasileiras.

Diante deste problema, enfrentado por produtores de morango de todo o território nacional, a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais (Seapa), por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), se uniu a instituições de outros quatro estados no projeto Rede Morangos do Brasil, que busca a elaboração de um plano multirregional para pesquisa e extensão, visando desenvolver ações de fortalecimento da cadeia de morango no Brasil.

A Empresa vinculada à Seapa, juntamente com outras 11 instituições de pesquisa dos estados de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina, desenvolverá pesquisas sobre melhoramento genético; tecnologia de produção de mudas; nutrição de plantas para os diversos sistemas de produção; doenças e pragas da cultura; e pós-colheita e gestão da cadeia (produção e comercialização).

A secretária Ana Maria Valentini destaca que a pesquisa agropecuária exerce um papel muito importante na área de inovação e desenvolvimento de variedades melhoradas geneticamente. “A pesquisa agropecuária precisa ficar atenta às necessidades do produtor rural. E este projeto na área do morango vem para atender a uma grande e importante demanda. É sempre importante lembrar que Minas é o principal produtor de morangos do país”, pontuou a secretária.

A Rede Morangos do Brasil surgiu após uma reunião com as lideranças de várias instituições de pesquisa e extensão rural do país para debater o problema da falta de qualidade de mudas importadas. Após o diálogo inicial, foi oficializado um protocolo de intenções que propõe ações de pesquisa e desenvolvimento em rede, incluindo o intercâmbio de material genético de morango adaptado às condições brasileiras.

“Aproveitando a possibilidade desse intercâmbio, a EPAMIG apresentou um projeto que prevê a instalação de vários experimentos visando o desenvolvimento de novas variedades adaptadas às condições de solo e clima de Minas Gerais, para, em seguida, juntamente com a Emater-MG, instalar Unidades de Demonstração nas principais regiões produtoras de morango do estado. Com isso será possível oferecer aos produtores mudas de qualidade e, assim, reduzir a dependência da importação”, lembra o diretor de Operações Técnicas da EPAMIG, Trazilbo de Paula.

Mário Sérgio Carvalho Dias é o pesquisador da EPAMIG que coordena o projeto “Híbridos nacionais de morangueiro: biotecnologia para produção de mudas e desempenho produtivo em Minas Gerais”. Ele explica que, no laboratório de biotecnologia da EPAMIG Norte, será realizada a multiplicação in vitro de híbridos nacionais de morangueiros selecionados em programas de melhoramento da EPAMIG, da Universidade Estadual de Londrina e do Instituto Agronômico de Campinas.

“Será também realizada a indexação destes híbridos para as principais viroses que afetam o morangueiro e são transmitidas pelas mudas. Após esses processos, as matrizes dos híbridos serão multiplicadas em viveiro e as mudas resultantes serão cultivadas em 13 Unidades de Demonstração e Observação (UDO), implantadas nas principais regiões produtoras do estado. Nas unidades, serão coletados dados de produtividade e feita a caracterização qualitativa dos frutos. Os resultados obtidos poderão indicar cultivares com elevado potencial produtivo para as diferentes regiões de Minas e mais acessíveis ao produtor mineiro”, detalha o pesquisador.

As UDO’s serão implantadas nos seguintes municípios: Pouso Alegre, Bom Repouso, Estiva, Senador Amaral, Bueno Brandão, Munhoz e Espírito Santo do Dourado (Sul de Minas); Alfredo de Vasconcelos e Ressaquinha (Campo das Vertentes); Datas (Alto Jequitinhonha); Nova Porteirinha e Montes Claros (Norte) e Prudente de Moraes (Centro-oeste). A estimativa é que o projeto atenda a aproximadamente 8,2 mil produtores, sendo 91% deles da agricultura familiar.

Produtores anseiam resultados do projeto

Ronaldo Herculano de Lima, produtor de morango de Pouso Alegre, destaca a importância de se investir nas pesquisas voltadas para este cultivo. “Enquanto outros países têm muitas variedades novas, a gente está carente de variedades para o clima tropical. O que se planta no Rio Grande do Sul é o mesmo que se planta em Minas e até na Bahia”, pondera.

O produtor Pedro Donizete de Freitas, de Senador Amaral, destaca que as mudas importadas chegam ao Brasil representando pelo menos 20% de todo o custo da lavoura. “A muda vinda da Espanha custa cerca de R$ 1.500 o milheiro, e a produção média é de 1 quilo no ano. O preço que a gente recebe, na roça, é R$ 8 o quilo, então a situação fica bastante sofrida para todos nós”, afirma.

Curiosidades – A fruta

O morango (Fragaria spp) é um fruto típico de climas temperados do norte e do Chile. Pequeno, de cor avermelhada brilhante, com sabor levemente ácido, aroma agradável e forte, o alimento é bastante versátil, servindo para o preparo de sucos, smoothies, sorvetes, doces, bolos, biscoitos e receitas agridoces (principalmente saladas). Ele é o grande representante das frutas vermelhas –chamadas de berries em inglês, e desse grupo também faz parte a amora, framboesa e cranberry. Possuem antocianinas (antioxidantes) em grande quantidade que dão a cor avermelhada ou arroxeada. Por ser de clima frio, seu cultivo é mais difícil no Brasil, ficando mais restrito às regiões de clima subtropical e temperado e aos períodos de inverno.

Fonte: Equipe Agrovenki

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