Desde 2013 as exportações para árabes não chegavam a tanto

25 de janeiro de 2022

As exportações brasileiras para a Liga Árabe, organização regional formada por sete países do bloco, somaram, em 2021, US$ 14,42 bilhões, alta de 26,15% sobre o ano anterior
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Desde 2013 as exportações para árabes não chegavam a tanto
Minerva se prepara para mandar mais carne bovina aos EUA a partir de José Bonifácio (SP) – Foto: Divulgação/Minerva

Este é o melhor resultado das exportações dos últimos oito anos, segundo dados compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Entre os produtos do agro, dominantes na pauta com o bloco depois do minério de ferro, as vendas subiram 9,52%, para US$ 8,92 bilhões, com destaque para o açúcar (US$ 2,75 bilhões, -3,64%), frango (US$ 2,42 bilhões, +21,59%), milho (US$ 1,04 bilhão, -5,99%), carne bovina (US$ 920,60 milhões, -4,93%) e soja (US$ 638,13 milhões, +97,49%).

Para o secretário-geral da Câmara Árabe, Tamer Mansour, a alta nas vendas se deve à retomada econômica precoce dos países da Liga Árabe, principalmente os do Golfo, que, além de grandes compradores de produtos brasileiros, estão entre os primeiros a iniciar a vacinação em massa, implementar medidas sanitárias rígidas e assegurar assistência de saúde à população.

De acordo com os dados da Câmara Árabe, em 2021, os Emirados Árabes adquiriram do Brasil US$ 692,24 milhões em frango, alta de 63,34% sobre o ano anterior, resultado que coloca o país na posição de maior mercado para o frango brasileiro no bloco de 22 países do Oriente Médio e do norte da África.

Além disso, o frango brasileiro encontrou mais espaço no Iêmen (US$ 171,77 milhões, +27,05%) e na Líbia (US$ 142,52 milhões, +90,44%), que se tornaram respectivamente o terceiro e o quinto destino para o produto na região.

“Em relação à Líbia, houve um aumento por conta da abertura de portos e acredito que o país vai estar em crescimento nos próximos anos”, sinaliza Mansour.

Mais carne bovina aos EUA a partir de José Bonifácio (SP)

A Minerva Foods não recuperou todas as perdas de quatro pregões seguidos na B3, registrada na segunda dezena de janeiro, embora tenha quase chegado, aos R$ 10,27 no fechamento de 14 de janeiro.

Contudo, a alta de 1,02%, com o papel estacionando em R$ 9,86, já trouxe a notícia de que o grupo conseguiu habilitação para exportações aos EUA em mais uma planta, a de José Bonifácio (SP).

De todo modo, ainda não houve tempo suficiente para os investidores absorverem o que pode representar de fato a adição dessa nova unidade aos embarques para os EUA, destino que a companhia divide com Marfrig e JBS.

Embora somente o balanço do primeiro trimestre de 2022 começará a apresentar a realidade do frigorífico, alguns dados gerais do mercado deverão já ser analisados no decorrer das próximas semanas.

Neles, ficarão conhecidos o potencial de importações americanas, apesar de já se saber que boa parte das 72 mil toneladas exportadas para o mundo até a segunda semana do mês, superando todo janeiro 21, foi devido a esse destino.

Carne in natura é carro-chefe

Os EUA se consolidaram com o segundo destino das exportações de carne bovina brasileira em 2021, considerando que a China continental e Hong Kong são uma coisa só. Foram mandadas para lá 85,8 mil toneladas, contra apenas 20 mil/t do ano anterior.

O crescimento de carne in natura, que representou boa parte dos US$ 465,2 milhões em receitas para o Brasil, contra US$ 96 milhões de 2020, é significativo por representar preços mais elevados que nas exportações para a China, principal destino da proteína.

E a planta de José Bonifácio, agora apta a esse mercado, é unicamente de abate, desossa e comercialização de carne in natura, além de estar mais próxima do Porto de Santos.

A empresa não informou a capacidade da unidade e nem suas exportações atuais, mas proteína exportada aos EUA, sem processamento, somente as plantas de Araguaína (TO), Janaúba (MG), Paranatinga (MT) e Palmeiras de Goiás (GO) possuem autorização.

Além das subsidiárias na Argentina e Uruguai, da Athena Foods, braço da Minerva na América do Sul. A indústria-sede, em Barretos (SP), pode embarcar carne enlatada.

Por Redação MAB

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