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Ícones da raça Quarto de Milha – Parte 1

Inicia agora a série da história contada em detalhes. Nesta coluna, Caracolito, o cavalo que recebeu o Registro nº 1 da ABQM, um marco na trajetória da entidade e do “Cavalo Mais Versátil do Mundo”
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Desde sua chegada ao Brasil em 1954, trazido pela Swift King Ranch (SKR), o cavalo Quarto de Milha mostrou que seria uma raça diferenciada. A Swift King Ranch, empresa pertencente a um forte grupo norte-americano, possuidor das maiores fazendas no Texas, veio para cá investir em terras, adquirido quatro fazendas na região de Presidente Prudente, interior do Estado de São Paulo. E, a partir daí, trouxe na primeira remessa o garanhão Saltillo Jr e seis éguas, além de 270 cabeças de gado Santa Gertrudis.
 

Pela sua marcante estrutura física e atributos genéticos, que comprovaram ao longo dos anos suas inúmeras qualidades, o Quarto de Milha passou a ser reconhecido como “O Cavalo da Família Brasileira”. Apenas para citar algumas qualidades pertinentes à raça, podemos considerar sua docilidade, rapidez, habilidade, força, inteligência e versatilidade nas 22 modalidades esportivas.  

Para comprovar o seu magnífico desempenho, a raça passou a ocupar a ponta entre as principais espécies equinas no nosso País. E para abrilhantar essa trajetória, vamos mostrar alguns protagonistas que contribuíram muito para essa conquista, e que, com certeza, ficaram marcados na sua história.

Caracolito foi o primeiro cavalo registrado na ABQM

Alguns anos depois, com a morte de Saltillo Jr em 1960, a SKR trouxe o cavalo Caracolito para substituí-lo na reprodução. E é com ele que vamos dar sequência  a esta coluna, contando alguns detalhes sobre importantes exemplares que contribuíram para desempenho da raça no Brasil.

No ano seguinte à fundação da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha – ABQM (15 de agosto de 1969), Caracolito recebeu o Registro nº 1 da entidade, efetivado, mais precisamente, no dia 19 de fevereiro 1970, ficando marcado na história da entidade e do “Cavalo Mais Versátil do Mundo”.

O cruzamento do Quarto de Milha – com seu tipo forte e compacto, como eram Saltilho Jr e Caracolito -, com éguas de sangue inglês resultou em animais bem aceitos na região, e que se tornaram destaques nas canchas de corrida, na lida com o gado, e, em seguida, muito requisitados desde a introdução das provas funcionais.

Relembrando um pouco da história, uma frase do gerente geral da empresa no Brasil, na época, Joaquim Soares Neto, o Zezo, mostra o que representou a chegada dos primeiros animais: “O desembarque ocorreu na Fazenda Laranja Doce, vindos de São Paulo por via ferroviária. Eu tinha a impressão de estar indo buscar o cavalo do Roy Rogers (herói dos filmes western norte-americano). Quando as portas do trem se abriram e os peões viram aquelas sete éguas e o garanhão Saltilo Jr., ficaram impressionados com a musculatura dos animais. Para nós, eles pareciam deuses”.

Já na segunda remessa, junto com outras éguas, veio Caracolito, um alazão tostado, nascido em 10 de março de 1957, que tinha como pai Caracol (procedência de Macanudo – Old Sorrel) e como mãe La Calavaza – filha de Wimpy, o primeiro animal registrado pela AQHA, que, por sua vez, era filho de Solis (TB). Esse cavalo trouxe em seu cartel os títulos, por três vezes, de Grande Campeão nos Estados Unidos, além de conquistar dois Reservados Grandes Campeonatos e ainda, por vinte e duas vezes, a primeira colocação.

Caracolito desapareceu no dia 17 de setembro de 1974, com 17 anos, deixando em sua campanha reprodutiva 195 filhos registrados na ABQM. E para coroar este símbolo da raça, ele fez parte do seleto grupo de animais que foram homenageados no 1º Hall da Fama da ABQM, em 2011.