Carcaças de caprinos e ovinos são transformadas em adubo orgânico

21 de outubro de 2022

A compostagem feita de carcaças consiste em um processo biológico, onde caprinos e ovinos mortos e restos de partos são misturados a resíduos vegetais em uma estrutura chamada composteira
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Carcaças de caprinos e ovinos são transformadas em adubo orgânico
Estrutura de composteira usada para decomposição das carcaças e produção do adubo orgânico – Foto: Eduardo Oliveira

Uma técnica de decomposição natural de carcaças de caprinos e de ovinos mortos pode gerar adubo orgânico, para uso nas propriedades rurais. A compostagem consiste em um processo biológico, onde animais mortos e restos de partos são misturados a resíduos vegetais em uma estrutura chamada composteira. Ao fim do processo, é gerado o fertilizante natural que pode ser usado nas lavouras ou vendido, gerando novas possibilidades de renda aos agricultores.

Entre as vantagens da compostagem estão os benefícios ambientais. Em uma agricultura tradicional, as carcaças de caprinos e ovinos costumam ser enterradas ou mesmo abandonadas, em processos que podem ser prejudiciais: enterrar traz risco de contaminação do lençol freático, enquanto deixar o animal se decompor gera odores desagradáveis que podem servir de atrativo para insetos e animais carniceiros, que se proliferam e podem veicular doenças aos rebanhos e aos humanos.

“Este processo traz benefícios, sobretudo por transformar um material, que teria grande potencial de poluir e contaminar o ambiente, em um produto limpo, com alto valor agregado, que é o adubo orgânico”, destaca o médico-veterinário Marcílio Frota, analista da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE). O produto gerado tem nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, o que garante bom potencial de uso para finalidades diversas, como a produção de grãos, produção de mudas, recuperação de solos em áreas degradadas, reflorestamento ou jardinagem.

Carcaças: alto valor agronômico

Segundo Marcílio, o adubo resultante da compostagem de carcaças é considerado um produto de alto valor agronômico, por suas propriedades. “A adubação com esse produto é capaz de aumentar consideravelmente o teor de matéria orgânica, melhorando propriedades no solo como a retenção de água. Além disso, possui a capacidade de elevar o PH, corrigindo, em alguns casos, a acidez encontrada rotineiramente em solos brasileiros”, explica ele.

De acordo com o médico-veterinário, além de ser alternativa ambientalmente adequada, o produto traz outras vantagens, como redução de custos na propriedade. “A grande vantagem do composto em relação aos fertilizantes minerais é o custo. Seu potencial de uso como fertilizante orgânico minimiza a aquisição de insumos e promove a autossuficiência e a sustentabilidade para a propriedade rural, como tecnologia acessível de inclusão social e produtiva ao agricultor familiar”. Outra alternativa para os produtores rurais que usam a compostagem é a possibilidade de venda do adubo: o valor médio da tonelada do produto é de R$ 250,00, com variação de acordo com a região do país. 

Processo de compostagem

A compostagem ocorre por um processo natural de fermentação que ocorre na presença de ar e umidade a alta temperatura, proporcionando a decomposição de resíduos animais e vegetais, a partir da ação de fungos e bactérias. A técnica é acessível tanto para produtores rurais (inclusive de agricultura familiar), como para agroindústrias (frigoríficos e abatedouros).

O local onde se realiza a compostagem é chamado de composteira, um galpão rústico, com piso cimentado, protegido contra água de chuva e fechado na lateral com paredes de dimensão recomendada de 1,6m de altura, feitas de tijolo ou madeira. Sua localização deve ter fácil acesso, longe do limite de propriedades e próxima ao aprisco ou abatedouro, para facilitar o transporte de carcaças ou restos de abate diariamente, sempre ao final do dia de trabalho.

No manejo para a compostagem, o produtor mistura as carcaças ou resíduos de abate com resíduo vegetal, observando as orientações para acréscimo de água e verificação de temperatura (saiba mais clicando aqui).  “Para que o processo ocorra de forma correta o produtor tem que atentar para a montagem correta das pilhas e cama, preparação das carcaças e umidificação das mesmas. Além das carcaças em si, o produtor deverá ter um material rico em carbono para realizar a montagem da cama e compor as pilhas. Este material pode ser sobra de capim triturado, cama formada de sobra de cocho e esterco ou resíduos vegetais, como palhadas, podas de árvores ou silagem mofada”, explica Marcílio Frota.

Na presença de umidade e temperatura adequada, as carcaças de caprinos e ovinos adultos se decompõem completamente entre aproximadamente 120 e 150 dias. Para restos de parto, animais natimortos, vísceras, retalhos de carne e sangue, a decomposição ocorre em apenas 30 dias. Com o composto orgânico gerado ao fim do processo, é possível reduzir a aplicação de fertilizantes minerais no solo, diminuir custos de produção e promover a ciclagem de nutrientes em propriedades rurais.

Regulamentação para uso

O biocomposto produzido pela compostagem é classificado como fertilizante orgânico de classe A, por utilizar matéria-prima de origem animal, sem componentes potencialmente tóxicos e de uso seguro na agricultura, de acordo com a Instrução Normativa Nº 25 de 23 de julho de 2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Fonte: Embrapa

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