Cafezais mais fragilizados pelo clima em 2021

17 de janeiro de 2022

Deficiência de fósforo induzida e ataque de mancha aureolada em maior escala foram mais observadas, no ano passado, em função das combinações climáticas.
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Cafezais mais fragilizados pelo clima em 2021

A condição climática de déficit hídrico, observada de abril a setembro, induziu a deficiência de fósforo em cafeeiros. Já as temperaturas mais baixas no inverno, associadas a um período de chuvas continuadas na primavera promoveram, em 2021, aumento no ataque de Pseudomonas.

A deficiência de fósforo em cafeeiros é pouco comum sob condições normais. Primeiro porque esse nutriente é exigido em menores quantidades pelas plantas de café, quando em comparação com os demais macronutrientes (N, K, Ca e Mg).

Segundo porque o solo dispõe, normalmente, de boa quantidade de fósforo total, o qual, em cafeeiros adultos, é aproveitado, depois de tornado disponível, através da ação de exsudatos ácidos, saídos das raízes, e da sua associação com micorrizas.

Assim a deficiência aparece quando induzida, por condições como uma seca forte, um sistema radicular deficiente, ocorrência de pragas de raízes etc, situações em que a absorção de P fica muito prejudicada.

A literatura considera que a absorção do P pelos cafeeiros se dá na parte da ponta das raízes finas. Com as estiagens, essa parte acaba ficando reduzida, e aparece a carência desse nutriente, ficando evidente os sintomas, que foram observados em muitas lavouras nesse ano.

A deficiência de P se mostra nas folhas velhas, com sintoma inicial de coloração amarelo bronzeado das folhas, depois evoluindo para cor arroxada/avermelhada forte e manchas necróticas, especialmente no ápice das folhas, que quando crescem tomam boa parte do limbo foliar. Assim, se parecem com folhas secas, que depois caem. (figura 1)

Quanto ao ataque de Pseudomonas, diferentemente de anos anteriores, onde era normal a ocorrência da bacteriose em áreas isoladas, principalmente em altitudes elevadas e locais com muito vento, neste ano a doença parece ter saído do seu padrão, havendo problemas também em áreas baixas de terrenos, em lavouras velhas e novas.

Os fatores que podem ter contribuído para o maior ataque estão ligados ao clima, mais frio de inverno, que auxilia na sobrevivência da bactéria, e, a partir de outubro, um período mais chuvoso que o normal, com maior molhamento foliar, o que facilita a disseminação e penetração da bactéria na folhagem.

Nas estações meteorológicas da Fundação Procafé, nas regiões do Triângulo e Sul de Minas e na Mogiana (SP), verificou-se que de outubro a dezembro choveu um total de 150-300 mm a mais do que a média normal para estes meses e agora em janeiro/22 as chuvas têm sido igualmente abundantes.

O menor uso de fungicidas cúpricos pelos cafeicultores, produtos sabidamente de ação bacteriostática, também pode ter facilitado o ataque. Outro fator que favorece o ataque de Pseudomonas são os ferimentos que ocorrem na folhagem, sendo porta de entrada da bactéria, por isso a gravidade da doença após uma chuva de granizo. Suspeitava-se, também, da possibilidade de entrada através de lesões de bicho mineiro, porém, em observações de campo, verificou-se que estas lesões não apresentam infecção pela bacteriose. Na figura 2 pode-se observar os sintomas do ataque de Pseudomonas em folhas, na condição sem ou com ferimentos.

Por fim, tem sido observado, em campo, que plantas de café mais fracas, especialmente aquelas que tem deficiências induzidas por problemas de raízes, ficam mais sujeitas ao ataque de Pseudomonas.

*J. B. Matiello, S. R. Almeida e Lucas Bartelega, engenheiros agrônomos da Fundação Procafé; e Tiago Souza, também engenheiro agrônomos, além de consultor.

Fonte: Fundação Procafé
Crédito da foto: /Divulgação/Fundação Procafé

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