Café torrado e moído segue como produto de maior impacto nos faturamentos

Enquanto ano passado registrou alta de 1,34% no consumo interno de café, o custo da indústria em 2021 já está 30% mais caro
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Tão importante para a indústria nacional quanto para a mesa dos brasileiros, o café se manteve como um dos produtos mais consumidos no Brasil, mesmo diante da crise econômica gerada pela pandemia.

Os números obtidos pela Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC – mostram que, em 2020, a procura por café seguiu seu ritmo de crescimento: registrou 1,34% de alta em relação ao mesmo período analisado no ano anterior.  E, quanto à indústria, a ABIC revela informações de uma pesquisa qualitativa inédita, a primeira realizada em duas décadas no Brasil, que mostra que 82% do setor é composto por micro e pequenas empresas e a produção industrial se concentra no Sudeste (76,6%).

O consumo interno de café no país registrou crescimento em 2020, com 21,2 milhões de sacas entre novembro de 2019 e outubro de 2020, o que representa uma alta de 1,34% em relação ao período anterior (dados de novembro de 2018 a outubro de 2019). 

Brasil manteve posição de segundo maior consumidor de café do mundo

Os números coletados pela ABIC revelam ainda que, no ano passado, o Brasil manteve a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. Dados da última pesquisa realizada pela Euromonitor, em 2019, destacam o país como maior mercado mundial em volume total de café como bebida quente. Quando analisado o consumo per capita, observa-se que, em 2020, ele foi de 5,99 kg por ano de café cru e 4,79 kg por ano de café torrado. O bom desempenho na mesa do consumidor teve impacto direto na indústria: as empresas associadas à ABIC registraram um crescimento de 2,19% no período.

Atualmente, as indústrias associadas respondem por 72,4% da produção do café torrado (grão e moído) e representam 85,4% de participação (share) no mercado. A ABIC registra em seu banco de dados mais de 3.000 produtos certificados.

Perfil da indústria produtora

O estudo qualitativo realizado pela ABIC, e que traz um perfil da indústria produtora de café no Brasil em 2020, mostra que 82% do setor é composto por micro e pequenas empresas. Os números mostram que 70% delas operam com administração exclusivamente familiar.

Como são pequenos, 80% desses negócios têm até 19 colaboradores e contam com capacidade de produção de até 2.000 sacas por mês. Isso porque há 20 anos, os pequenos produtores representavam apenas 33,4% dos industriais! Comentando sobre isso, Ricardo Silveira, presidente da ABIC, diz: “É importante entendermos como a nossa indústria está organizada para identificarmos como podemos auxiliar na melhoria do parque industrial e na estruturação desses negócios, consequentemente oferecendo um produto com ainda mais qualidade para o consumidor”.

Mesmo com o crescimento de 2% para 7% em 2020, as produções próprias ainda são a maioria em 93% dos pesquisados. E os principais canais de distribuição são supermercados regionais, redes médias e pequenos varejos que representam, juntos, 57,6% do faturamento das indústrias.

Grão torrado e moído continua à frente no faturamento das empresas

O café torrado e moído continua reinando absoluto, com impacto de 81,4% no faturamento das empresas. Mas, apesar de estar em segundo lugar, o tipo torrado em grão saltou de 3,4% de participação em 2000 para 15% em 2020. Em relação ao tipo de embalagem para café torrado e moído, a almofada continua liderando, com 80,3%, e a embalagem a vácuo, que representava 40%, caiu para 10,2%.

Outro crescimento impressionante é o da fonte de aquisição de matéria-prima para a produção de café. Em 2000, a compra realizada diretamente do produtor representava apenas 25,4% do total e atualmente responde por 71%.

Produção industrial

Ainda segundo o relatório divulgado pela ABIC, a produção industrial está bastante concentrada no Sudeste, que detém 76,6% do mercado. Em segundo lugar vem o Nordeste, com 15,4%. Para distribuir o café desenvolvido nas empresas, 62% dos associados usam frota própria.

Com o desenvolvimento do setor industrial no Brasil, a ABIC comemora a conscientização sobre a importância nos cuidados com o produto que é entregue ao consumidor e também com o meio ambiente. De acordo com a pesquisa, 34% das empresas já implantaram programas de sustentabilidade nas suas unidades. 

Já a certificação de produtos de alta qualidade, com o uso dos selos da ABIC, teve alta de 85% nos últimos cinco anos. Atualmente, a ABIC certifica mais de 3.000 produtos quanto à pureza, sendo 1.041 produtos com a categoria de qualidade certificada, e realiza mais de 5.000 análises para o monitoramento do mercado.

A ABIC lançou o aplicativo ABICAFÉ, que permite que os usuários façam uma rápida  consulta no momento da compra para checar se o produto que eles pretendem adquirir é certificado e atende aos padrões exigidos de pureza e qualidade. Essa iniciativa reflete uma série de esforços da ABIC para buscar soluções e ferramentas que auxiliem no desenvolvimento do agronegócio café. 

De olho na safra 2021 do Brasil

Na sexta-feira (12/03) passada, a bolsa finalizou com leves altas para o mercado de café arábica. Foi uma semana marcada por altas consecutivas, em um momento em que o otimismo de uma demanda mais aquecida nos Estados Unidos volta dar suporte aos preços. Além disso, o setor cafeeiro segue de olho no desenvolvimento da safra 21 do Brasil.

Na Bolsa de Nova York (ICE Future US), o café tipo arábica com vencimento em maio/21 teve alta de 65 pontos, valendo 133 cents/lbp, julho/21 subiu 60 pontos, negociado por 134,95 cents/lbp, setembro/21 registrou valorização de 65 pontos, negociado por 136,90 cents/lbp e dezembro/21 teve alta de 60 pontos, valendo 138,90 cents/lbp.

Fonte: ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café

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