É em Presidente Prudente, no oeste paulista, que se concentra a maior produção do amendoim em um mercado que injetou mais de US$ 159,9 milhões somente em um ano no estado de São Paulo. Porém, diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, as exportações seguem travadas -, o que vem impactando negativamente na cadeia produtiva do grão.
Entre janeiro de 2020 até fevereiro de 2022, a região oeste, onde se localiza a cidade, vendeu diretamente à Rússia e Ucrânia mais de US$ 13 milhões em amendoim e seus produtos, ou seja 50% de toda a produção. Foram, ao total, US$ 8.574.912 (6.924.852 quilos) no ano passado. Outros US$ 3.638.302 (3.075.000 quilos) em 2020. E mais US$ 1.139.291 (1.025.000 quilos) em janeiro e fevereiro deste ano.
Impactos na exportação de amendoim
Em entrevista ao Agro & Negócios, o produtor de amendoim Helder Lamberti Filho, de Rezende Feijó, relatou a situação, além de falar das alternativas para minimizar o problema. “É um momento muito perigoso para a cadeia produtiva em SP e no Brasil”, afirmou ele, lembrando que a guerra iniciou ao mesmo tempo da colheita.
Como se não bastasse este problema, navios cargueiros com o produto também foram atacados no conflito. “Isso causou mais caos para as empresas e, também, para os produtores que estão vendo as exportações travadas. Com as sanções econômicas impostas para a Rússia, a situação se agravou ainda mais”, lamentou Helder.
De acordo com o produtor, com 50% do grão exportado para Rússia e Ucrânia, é preciso colocar em estudo, outros destinos, entre eles alguns países como Argélia e China. “Depender de apenas dois países vem trazendo consequências para os produtores; o preço está lá embaixo por conta do represamento do grão, enquanto o custo aumentou”, avaliou.
Helder ainda destacou possíveis soluções para a cadeia produtiva do amendoim, como a busca por novos mercados no exterior e, também o aumento do incentivo para o consumo interno. Segundo ele, só nos Estados Unidos, cada pessoa consome 7 kg em média por ano, enquanto na China, 14 kg. Já no Brasil, a média anual é de apenas 1,2 kg. “Precisamos descobrir os benefícios do amendoim. Por que os outros países descobriram e a gente não? Vamos conscientizar a população sobre a pasta e o óleo, por exemplo”.
Fonte: Norte Agropecuário
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