Amendoim sofre com a guerra Rússia-Ucrânia

30 de março de 2022

Guerra entre Rússia e Ucrânia agrava a exportação de amendoim. Entre as consequências, está a queda no preço para o mercado interno e o aumento de custo para o produtor.
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Guerra Rússia-Ucrânia trava mercado do amendoim
Guerra Rússia-Ucrânia agrava a exportação de amendoim. Entre as consequências, está a queda no preço para o mercado interno e o aumento de custo para o produtor – Foto: Lifeforstock/Freepik

É em Presidente Prudente, no oeste paulista, que se concentra a maior produção do amendoim em um mercado que injetou mais de US$ 159,9 milhões somente em um ano no estado de São Paulo. Porém, diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, as exportações seguem travadas -, o que vem impactando negativamente na cadeia produtiva do grão.

Entre janeiro de 2020 até fevereiro de 2022, a região oeste, onde se localiza a cidade, vendeu diretamente à Rússia e Ucrânia mais de US$ 13 milhões em amendoim e seus produtos, ou seja 50% de toda a produção. Foram, ao total, US$ 8.574.912 (6.924.852 quilos) no ano passado. Outros US$ 3.638.302 (3.075.000 quilos) em 2020. E mais US$ 1.139.291 (1.025.000 quilos) em janeiro e fevereiro deste ano.

Impactos na exportação de amendoim

Em entrevista ao Agro & Negócios, o produtor de amendoim Helder Lamberti Filho, de Rezende Feijó, relatou a situação, além de falar das alternativas para minimizar o problema. “É um momento muito perigoso para a cadeia produtiva em SP e no Brasil”, afirmou ele, lembrando que a guerra iniciou ao mesmo tempo da colheita.

Como se não bastasse este problema, navios cargueiros com o produto também foram atacados no conflito. “Isso causou mais caos para as empresas e, também, para os produtores que estão vendo as exportações travadas. Com as sanções econômicas impostas para a Rússia, a situação se agravou ainda mais”, lamentou Helder.

De acordo com o produtor, com 50% do grão exportado para Rússia e Ucrânia, é preciso colocar em estudo, outros destinos, entre eles alguns países como Argélia e China. “Depender de apenas dois países vem trazendo consequências para os produtores; o preço está lá embaixo por conta do represamento do grão, enquanto o custo aumentou”, avaliou.

Helder ainda destacou possíveis soluções para a cadeia produtiva do amendoim, como a busca por novos mercados no exterior e, também o aumento do incentivo para o consumo interno. Segundo ele, só nos Estados Unidos, cada pessoa consome 7 kg em média por ano, enquanto na China, 14 kg. Já no Brasil, a média anual é de apenas 1,2 kg. “Precisamos descobrir os benefícios do amendoim. Por que os outros países descobriram e a gente não? Vamos conscientizar a população sobre a pasta e o óleo, por exemplo”.

Fonte: Norte Agropecuário

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