Redução da área plantada é a principal alternativa para produtor de arroz enfrentar safra 2025/2026

6 de outubro de 2025

Alerta foi dado pelo economista-chefe da Farsul durante palestra online conduzida pelo presidente da Federarroz, Denis Nunes
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Redução da área plantada alternativa para produtor de arroz safra 25/26
foto: Repordução

Ocorreu na noite desta quinta-feira, 2 de outubro, a palestra online “Contexto da Safra de Arroz 25/26” conduzida pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) Denis Nunes, e com participação do Economista-Chefe do Sistema Farsul e CEO da Agromoney – Assessoria Econômica, Antonio da Luz.

Inicialmente, o presidente da Federarroz fez um apanhado sobre a semeadura
da safra 25/26, mostrando o cenário onde a Índia entrou forte nas exportações de arroz. Outros fatores apontados foram o dólar instável devido às políticas econômicas, instabilidade política nos Estados Unidos, juros ainda altos, e estoques elevados.

Como medidas mitigatórias, a Federarroz propõe linhas de investimentos, procura de outras culturas ou pecuária, não esquecer o custo do dinheiro ao comercializar, aumentar exportações, renegociar contratos de arrendamento e também com parceiros comerciais e financeiros, fortalecer à união, por meio de associações, sindicatos e cooperativas.

Como ações estratégicas e práticas para enfrentamento da crise no mercado de arroz, Denis Nunes referiu orientações para redução de área plantada, de acordo com a realidade de cada produtor, já que os estoques de passagem serão grandes além de intensificar e apoiar as estratégias de exportações.

Também é sugerido cobrar do governo federal a intensificação das fiscalizações das importações que não atentem às condições fitossanitárias brasileiras, subvenções para comercialização, exigência que mercados concorrentes cumpram as mesmas regras trabalhistas e ambientais brasileiras, e pedido para elevação do preço mínimo do arroz. condizente com os custos de produção.

Ao governo estadual, uso da taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) para escoamento de mercado e socorro aos produtores da região central atingidos pela enchente de 2024. Alteração do regime do ICMS igualando a outros estados da federação e apoio às campanhas de incentivo ao consumo de arroz

Na sequência, o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, traçou um quadro preocupante para os arrozeiros relativo à safra 2025/2026. O economista previu um ano de extremos para o setor. “Ou teremos um ano bom ou ruim, mas certamente não teremos um ano cinza”, previu. “Estamos nos encaminhando de encontro a um iceberg e vamos dividir aqui medidas que nos propiciem desviar dessa montanha de gelo”, comparou.

Antônio da Luz mostrou uma série de gráficos que demonstram ao longo dos últimos anos fatores internos e externos que provocaram desequilíbrios entre produção e demanda no mercado de arroz. O crescimento da produção da Índia e a retomada da produção da China e Estados Unidos vem se constituindo em ameaças ao mercado brasileiro de arroz.

Da Luz chamou a atenção para o problema central que poderá causar sérios riscos à atividade na safra 25/26.

“A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem aconselhado o produtor a aumentar a área plantada. Isto é uma irresponsabilidade”, apontou. O economista enfatizou que os estoques estão muito altos e um aumento de área plantada provocaria naturalmente uma redução ainda maior do preço ao produtor.

O economista lembrou também outras dificuldades para o equilíbrio de preços no setor como a queda de renda do consumidor e a restrição de crédito por parte dos governos. “Portanto, todos os indicadores levam a uma natural redução de área plantada como única alternativa para regular a questão dos estoques com a demanda para patamares aceitáveis”, concluiu.

Ao final, o presidente da Federarroz, Denis Nunes, qualificou a palestra com um “choque de realidade”. “Este choque de realidade é importante para que tomemos uma atitude. Temos consciência que são medidas dolorosas, mas que evitarão que essas projeções pessimistas se confirmem”, ponderou.

Por ASCOM FEDERARROZ

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