O AGRONEGÓCIO MAIS PERTO DE VOCÊ

A transformação do cacau com novas propostas

O cacau brasileiro já foi o produto mais exportado do mundo e agora seu foco está na tentativa de crescimento e valorização da cadeia produtiva como um todo
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Áudio

O rei das produções em terras brasileiras, assim foi a história protagonizada pelo nosso cacau. Faz algum tempo que o setor de cacau passa por uma revolução de mercado, muito similar ao que aconteceu com o setor de cafés especiais alguns anos atrás. A cacauicultura brasileira, que sofreu com grandes perdas devido à doença vassoura de bruxa, vem se reinventando para conquistar novos mercados e, dessa forma, competir com o mercado internacional.

Pensando em ressaltar a autenticidade e a importância de todo o processo pelo qual se obtém o melhor do cacau e seus derivados, os apaixonados pelo Agro e os marqueteiros de plantão colocaram mãos a obra em duas vertentes explicativas, passando o usar os termos ‘Bean to Bar’ – do grão à barra – e ‘Tree to Bar’ – da árvore à barra. De uns dois anos para cá, muito se falou desse assunto, com explorações diversas sobre as regiões produtoras, as disputas pela liderança, passando pela colheita, secagem, abordagens e tratamentos e fermentação, a polpa, a semente, chegando na produção de chocolates; tema pra lá de atraente. 

As sementes do cacau são os ingredientes fundamentais para a produção da manteiga de cacau, do liquor de cacau e do chocolate, alimentos cuja qualidade depende principalmente dos fatores genéticos e ambientais do cacau, como também do pré-processamento do fruto, que compreende a colheita e abertura do mesmo, a retirada das sementes, a extração da polpa, a fermentação das sementes e a secagem e o armazenamento das amêndoas, etapas que ocorrem ainda na fazenda. A etapa de fermentação do cacau é de vital importância para a redução do amargor e da adstringência do fruto, bem como para o desenvolvimento dos precursores do sabor, aroma e cor do chocolate, sendo que nenhuma outra etapa posterior é capaz de corrigir as falhas nessa etapa ou melhorar a qualidade do chocolate. Durante essa fase, iniciam-se importantes transformações físicas, bioquímicas e estruturais das sementes do cacau, por meio de uma série de reações químicas mediadas por microrganismos.

Após a realização das etapas de pré-processamento do cacau, as amêndoas seguem para as indústrias produtoras de chocolate, onde vão ser torradas e utilizadas para a obtenção do liquor, manteiga e pó de cacau, bem como dos produtos achocolatados.

Cacau de ontem e de hoje

Num panorama sobre o mercado de cacau brasileiro, vamos encontrar o país que caminhou de maior exportador do mundo para a realidade atual, onde a produção não supre o consumo interno. Hoje, a cacauicultura brasileira está passando por importantes transformações, focando em gerar maior valor agregado ao produto e valorizando o crescimento da cadeia produtiva como um todo. O cacau é a principal matéria-prima do chocolate, feito por meio da torra e moagem das suas amêndoas secas em processo industrial ou caseiro. Outros subprodutos do cacau incluem sua polpa, suco, geleia, destilados finos e sorvete.

Assim como no caso do café, foi preciso se reinventar, trazendo à tona novos interesses para o mercado de cacau e também novos olhares para o setor de chocolates. Quem abraçou essa ideia foi o engenheiro agrônomo Lucas Cirilo, também diretor de sustentabilidade e marketing na Gencau. Pare ele, mostrar as histórias por trás dessas transformações é também mostrar como os produtores de cacau e o setor de chocolates está crescendo no Brasil. “A cacauicultura brasileira é recheada de histórias de conquistas coletivas, de avanços sociais e de crescimento em busca pela sustentabilidade, já que o cacau é uma planta nativa da Amazônia e pode representar o Brasil em pautas relacionadas ao agronegócio ambientalista”, diz.

Para ilustrar um pouco a narrativa do agrônomo, vamos lembrar do cacau cabruca, por exemplo, que, por ser plantado por mais de 200 anos, no Estado da Bahia, à sombra da floresta, seu cultivo foi responsável pela conservação de grandes corredores de Mata Atlântica. O sistema de cultivo, que é conhecido como cacau cabruca, o sub-bosque é removido e substituído por mudas de cacaueiro, tradicionalmente plantadas aleatoriamente. As mudas crescem e passam a produzir seus frutos sob a proteção do vento e sombra das árvores da Mata Atlântica.

O cacaueiro (Theobroma cacao), o cacaueiro, é a árvore perenifólia que dá origem ao fruto. É originário da chuvosa Bacia do rio Amazonas, na América do Sul. Esta árvore possui duas fases de produção de frutos: temporão (março a agosto) e safra (setembro a fevereiro). Sua propagação se dá por sementes (seminal/sexuada) e de forma vegetativa (assexuada). Por ser uma planta tolerante à sombra, vegeta bem em sub-bosques e matas raleadas sendo, portanto, uma cultura extremamente conservacionista de solos, fauna e flora. Pouco mecanizada, é uma cultura que proporciona um alto grau de geração de emprego. Encontrou no sul da Bahia um dos melhores solos e clima para a sua expansão.

Cultivo global e produção no Brasil

Em 2018, o cultivo global de grãos de cacau movimentou uma economia de 9,94 bilhões de dólares. Neste mercado, foi estimado um crescimento composto de 7,3% ao ano de 2019 até 2025.

Em 2018, o Brasil produziu 239 mil toneladas de cacau, sendo o 6º maior produtor do mundo. Por um longo tempo, a Bahia liderou a produção brasileira. Depois começou a disputa da liderança da produção nacional com o estado do Pará. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e a sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa. Rondônia é o 3º maior produtor de cacau do país, com 18 mil toneladas colhidas em 2017. O Espirito Santo é o 4° maior produtor, com safras próximas a 10 mil toneladas por ano, principalmente na cidade de Linhares.

Cacau

01/Mar   |   Cacau – Cotação em R$

UF                                                              Valor                                                                Unidade

BA                                                            260,00                                                                  ARROBA

ES                                                          1.020,00                                                                SACA

PA                                                           16,50                                                                       KG