Em 2003, uma epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) contaminou 8.096 pessoas e matou 774. E, até recentemente, era considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a mais séria doença contagiosa dos tempos atuais. Concentrada em Hong Kong, China, a SARS paralisou a economia da região durante quase três meses. Como é comum em casos de surgimento de epidemias, estudos foram desenvolvidos com o intuito de frear seus efeitos. Nesse contexto, pesquisas demonstraram a eficácia do ácido tânico como auxiliar no combate a doenças respiratórias graves. Tecnicamente, o tanino corresponde a um grupo de compostos fenólicos que tem como principal característica a afinidade em se ligar às cadeias de proteínas e precipitá-las. Tais compostos, encontrados principalmente nas partes lenhosas, nas folhas e em frutos não maduros de muitas plantas, eles atuam como instrumento de defesa.
Inibindo a atividade de enzimas
Certamente, a epidemia de SARS de 2003, localizada basicamente na Ásia, não se compara à pandemia de COVID-19 que o mundo todo enfrenta atualmente. Entretanto, as sementes plantadas pelos estudos feitos com ácido tânico naquela época nos ajudam a ter um pouco mais de esperança. Isso porque a China Medical University, com sede em Taiwan, desenvolveu uma pesquisa científica sobre o tratamento para combater o coronavírus, que descobriu que os taninos do vinho podem inibir a atividade de duas enzimas chave do vírus.
Chie Hung, presidente da universidade, em entrevista à TVBS, disse: “O plano inicial da pesquisa é identificar compostos naturais que podem ter um efeito sobre um SARS e, em seguida, usar uma protease do novo coronavírus para detectar e encontrar ácido tânico no resultado. Possui a capacidade inibitória mais forte”. Hung explicou que o ácido tânico é um polifenol solúvel em água. Os compostos polifenóis têm antioxidantes e eliminadores de radicais livres, que apresentam efeitos anti-inflamatórios. O diretor afirmou, ainda, que os taninos podem prevenir a infecção e controlar o crescimento do vírus.
Os estudos indicam, conforme o diretor da universidade, que os taninos podem ser desenvolvidos como droga farmacêutica no futuro. Além disso, se o consumo de alimentos e bebidas que contêm ácido tânico for adequado, eles podem se apresentar como uma forma de aumentar a imunidade ao vírus: “A uva e o sorgo têm um conteúdo de tanino relativamente alto. Na verdade, estamos fazendo pesquisas nessa área e esperamos, num futuro próximo, decidir se o vinho ou o baijiu (licor branco) são mais potentes em taninos.”
Fontes: Paraná Imprensa; Revista Adega – UOL; Estadão