No município de Trairi, região do semiárido nordestino, o produtor rural Cícero de Barros é um dos que vivem da produção de coco, um dos produtos mais versáteis da fruticultura brasileira.
Em 2017, Cícero deixou o Estado de São Paulo para produzir a fruta na região cearense. “Eu já tinha o principal: a terra, que era uma herança da minha mãe, e água. Então juntei o útil ao agradável e comecei a produzir sem muito conhecimento. Quando meu pai plantava, ele só cavava um buraco, colocava a planta sem estrume, água e dava o fruto. E hoje não, a gente vê que precisa de várias técnicas”, lembra.

Muito mais do que uma bebida tropical, do coco se aproveita tudo, desde a água, a carne, o óleo, até o bagaço. E para o Ceará, por exemplo, ele é uma das principais atividades agrícolas.
A descoberta no uso de técnicas e a mudança no manejo vieram com a Assistência Técnica e Gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). No início do atendimento, há um ano, foi feito um diagnóstico do solo e dos 646 coqueiros-anões da propriedade.
“A análise de solo é importante para saber qual a necessidade nutricional da planta e para ter uma projeção de quantidade de frutos e de quilos. Já a análise de folha é fundamental para saber os nutrientes que as raízes absorveram”, explica a técnica de campo do Senar Ceará, Silviane Chaves.
Com as devidas adubações mensais e controle de pragas e doenças, o índice de abortamento caiu 90%. São cerca de 12 colheitas por ano. De acordo com o produtor Cícero, a despesa maior é com insumos. Antes, ele também gastava com energia elétrica, mas com a ajuda do Senar conseguiu a instalação de um painel solar com recursos de um programa estadual, que financia tecnologias sustentáveis.
Usufruindo da energia solar para os produtores de coco
O painel solar tem 18 placas que geram 900 quilowatts-hora de energia solar por mês, o suficiente para ser utilizado na irrigação dos pés de coco e zerar a conta mensal de energia elétrica de três residências.
“É na planilha de custo que se vê a diferença e o quanto você vai lucrar com isso. Eu percebo que faz uma diferença na conta da energia e na flexibilização na hora de aguar os coqueiros”, diz Cícero de Barros.
Com a redução no custo da energia elétrica, uso do manejo correto e controle das despesas, Cícero está mais preparado para aumentar a produção. “A ideia é duplicar. Se eu tiver a oportunidade de comprar uma propriedade ou um terreno aqui do lado para juntar e ampliar, vai dar certo”.

Assistência Técnica e Gerencial
A Assistência Técnica e Gerencial do Senar está sendo positiva também para outros agricultores do município. É o caso do João Freire, mais conhecido como “Mererê”, que faz parte do grupo de 30 produtores atendidos. Há 20 anos na atividade, é a primeira vez que ele consegue cortar tantos custos. “Eu não conseguia comprar adubo e pagar as pessoas que nos ajudam com o dinheiro da propriedade. Sempre tirava de outro lugar para colocar aqui dentro. Hoje, graças a Deus está sobrando um pouquinho”, comenta Freire.

São 400 plantas em produção e 600 coqueiros que vão dar frutos no ano que vem. O lucro é de até R$ 10,00 por planta. Com a atividade organizada, por meio da Assistência Técnica, João espera uma melhora nos preços e conseguir agregar valor ao produto. “O objetivo é conseguir beneficiar esse produto na nossa região para levar até a prateleira ou pelo menos até a indústria para gerar aqui para nossa comunidade”, explica.
Para o presidente do Sindicato Rural de Trairi, Clodoveu Pinheiro, se aumentar a produção, a renda do produtor aumenta junto. “Os produtores estão se associando, mesmo informalmente, para compra de insumos, venda dos produtos, conseguindo preços melhores”.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Rodrigo Diógenes, o objetivo não é só mudar a realidade no campo, mas sustentar grandes cidades que estão afastadas dos centros urbanos, como vilas e comunidades. “Isso porque, no momento em que o produtor produz de forma consciente, ele ganha dinheiro e investe na sua atividade”, destaca.
Tais avanços se devem à chegada do programa Agronordeste, iniciativa criada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Senar e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), e que tem unido o campo e a cidade.
Fonte: via assessoria CNA
Crédito da foto: Divulgação
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