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Sem ferrão, sem perigo: abelhas sem o órgão aumentam produção em até 90%

14 de janeiro de 2024

A introdução de abelhas sem ferrão em uma área de plantio foi determinante para o aumento de 30% na produção de abóboras.
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Sem ferrão, sem perigo: abelhas sem o órgão aumentam produção em até 90%

A natureza com seu equilíbrio perfeito não para de surpreender produtores e pesquisadores que, muitas vezes, encontram no próprio ciclo natural da vida a solução para problemas que julgavam impossíveis de resolver

No Distrito Federal, a introdução de abelhas sem ferrão em uma área de plantio foi determinante para o aumento de 30% na produção de abóboras. A Emater-DF (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal) tem incentivado a prática e garante que essa é uma estratégia barata e sustentável para melhorar o rendimento de diversas culturas agrícolas.

O trabalho experimental que deu certo ocorreu na fazenda Malunga. Técnico da Emater-DF, Carlos Morais explica a Ecoa que a relação milenar entre abelhas e flores carrega uma teoria curiosa: as plantas “seduzem” as abelhas há milhões de anos, quando desenvolveram estratégias de atração dos insetos para serem polinizadas

As flores possuem estruturas masculinas e femininas para a formação de sementes e frutos. Algumas plantas possuem flores masculinas e femininas separadas, como no caso das abóboras. Nesse caso, os insetos são atraídos pelo aroma e alimentos oferecidos pelas flores (néctar e pólen).
Carlos Morais, pesquisador

O pesquisador diz que, ao entrar na flor em busca desses alimentos, as abelhas acabam transportando o pólen de uma flor para outra. “O trabalho da Emater com os produtores de frutas e hortaliças é mostrar a importância e o benefício dessa relação existente na natureza, reproduzida nas lavouras cultivadas comercialmente”, detalha

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Produção aumenta naturalmente

O cultivo comercial de alimentos exige a implantação de grandes áreas plantadas com uma só planta. Uma única espécie, com uma floração que também ocorre em um curto espaço de tempo. Por esse motivo, destaca o pesquisador, se faz necessária a introdução de colônias de abelhas para intensificar o trabalho natural de polinização.

“Contando apenas com a população normal desses polinizadores, a produção seria menor. Vou utilizar novamente o exemplo das abóboras. Em uma área de cultivo normal, contando apenas com a população local de insetos polinizadores, a produção média é de 15 toneladas por hectare. Ao introduzir uma quantidade maior de abelhas durante

Ou seja: na mesma área de cultivo, sem ter que aumentar os gastos com adubo ou água para irrigação, o agricultor pode ter acréscimos de produtividade em seus cultivos, de acordo com o pesquisador.

A técnica pode ser utilizada em diversas culturas. Com o café, exemplifica o técnico, o trabalho de polinização das abelhas pode aumentar a produtividade em até 35%. Já no cultivo de laranja ou limão, esse aumento da produtividade pode variar de 25% a 30%. E com a soja, as abelhas podem elevar a produtividade em até 20%.

Algumas culturas são altamente beneficiadas. Melão aumenta 80% da produtividade. Maçã e açaí aumentam em até 90%. Essa técnica de introduzir colônias das abelhas para prestação de serviço ambiental de polinização pode ser aplicada em qualquer área de cultivo de alimento desde que sejam observadas as regras de controle do uso de agrotóxicos” diz, Carlos Morais.

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Sem ferrão, sem perigo

Em zonas onde são utilizados defensivos químicos pode haver mortalidade das abelhas. “Estamos utilizando abelhas nativas criadas por meliponicultores da região. Essas abelhas naturalmente não possuem ferrão e por esse motivo não oferecem riscos aos trabalhadores. As abelhas com ferrão também podem ser utilizadas, desde que seguidas as regras de proteção”, explica o pesquisador.

O aumento de 30% na produção de abóboras ocorreu na fazenda Malunga, do produtor Joe Valle. A Ecoa, o agricultor conta que a fazenda tem o histórico de trabalhar com a diversidade da natureza. A presença das abelhas na região, segundo ele, sempre despertou o interesse em, de alguma forma, fazer um trabalho polinizador utilizando os animais, mas lhe faltava conhecimento.

Valle lembra que começou a procurar consultoria especializada há 3 anos. O apoio da Emater-DF foi importante no desenvolvimento e implantação do modelo que usa as abelhas sem ferrão dentro de estufas. O trabalho começou pelos tomates, que teve aumento de 20% na produção, e depois seguiu para as abóboras.

“Tínhamos pessoas da Emater trabalhando com isso e eles nos apresentaram um casal que é de um jardim de mel e fazia aquelas caixas para as abelhas. Era a minha dificuldade conseguir essas caixas e ter pessoas que pudessem dar o conhecimento para a gente começar”, conta.

Mais e melhores abóboras

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O produtor conta que implantou o sistema das abelhas no cultivo de abóbora tetsukabuto, que é uma planta que precisa de polinização cruzada. As caixas que ele cita são estruturas dispostas ao longo da plantação com o objetivo de atrair as abelhas. De acordo com ele, os insetos encontram abrigo nessas estruturas e isso faz com que a presença delas no cultivo tenha continuidade

“A gente tinha resultados muito ruins de produção de abóboras nos anos passados, e neste ano foi surpreendente. Um resultado fantástico e uma produção com abóboras mais adocicadas. Essas abelhas procuram abrigo e entram nessas caixas iscas preparadas, o resultado disso é mel. A gente também está montando um modelo de agroturismo, recebendo nossos clientes aqui no sábado de manhã com harmonização do mel com nossos queijos”, conta.

“A utilização dessas abelhas não tem contraindicação. Elas são mansas e de fácil manejo. A gente está preservando as abelhas nativas aqui do cerrado, produzindo mel e ampliando a produção de abóboras. É um ciclo sustentável e ecológico, que dá retorno para para a fazenda e contribui com o meio ambiente”, comemora o agricultor

Por: Ecoa Suor

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