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Rural Ventures traça planos para potencializar agtechs em 2023

13 de março de 2023

A companhia pretende fazer 10 investimentos pré-seed em 2023, com cheques médios de R$ 300 mil
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Rural Ventures traça planos para potencializar agtechs em 2023

Em meio ao inverno das startups e à estiagem do venture capital, a Rural Ventures enxerga um forte potencial para o setor no agronegócio em 2023 e já começou a planejar o próximo movimento de sua estratégia. Com exclusividade ao Startups, a companhia anunciou uma parceria com o fundo norte-americano The Yield Lab e os planos de aumentar seus investimentos em empresas early-stage.

O negócio foi criado por Fernando Rodrigues, ex-sócio e head de commodities da XP Investimentos. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro com foco em commodities, o executivo deixou a organização em 2021 para trilhar um novo caminho. Por ter dois filhos pequenos e passar muito tempo em casa por conta da pandemia, ele decidiu criar um podcast de entrevistas com empreendedores e fundadores de agfoodtechs do país.

O primeiro episódio do Rural Ventures foi ao ar em setembro de 2021. Ao lado do amigo Kieran Gartlan, Fernando discute as tendências do mercado, divide histórias e dialoga com as principais agtechs que trabalham na interseção da agricultura e da tecnologia. Hoje, são quase 50 episódios com executivos da Astella Investimentos, Cargill, SP Ventures, Bayer, do Santander, Itaú BBA, entre outros.

Pouco depois do lançamento, eles decidiram pivotar o modelo e levar o Rural Ventures a outro patamar. “Dada minha proximidade com o ecossistema, enxerguei algumas oportunidades de investir e potencializar essas startups, conectando-as com investidores e companhias consumidoras”, diz Fernando. Assim, nasceu a Rural Ventures como uma empresa formada por empreendedores, investidores e analistas do mundo agrícola com foco em encontrar empreendedores que queiram mudar a forma como o Brasil produz e alimenta o mundo.

Além do podcast, que contribui para a geração de leads de startups com grande potencial de crescimento, a companhia investe em empresas early-stage. Por enquanto, são 6 investidas: SciCrop, Preservaland, Campo Capital, BovExo, Agroboard e Arara Seed. Para 2023, a projeção é fazer mais 10 investimentos pré-seed, com cheques médios de R$ 300 mil. Assim, a Rural Ventures tem a meta de alocar entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões em agtechs e foodtechs até o fim do ano.

Sócios da Rural Ventures
Sócios da Rural VenturesFoto: Divulgação / Startups

Ganhando força

Para fortalecer sua atuação no mercado brasileiro, a companhia fechou uma parceria com a The Yield Lab, gestora norte-americana que investe em startups de AgriFoodTechs da América Latina. “Adquirimos uma participação neste VC que tem 19 investidas no continente, e nos tornamos parceiros de negócio”, diz Fernando.

Enquanto a Rural Ventures foca no estágio pré-seed, a Yield Lab investe em estágios mais avançados, do seed ao série B. Empresas que chegam à gestora norte-americana, mas não se encaixam na tese dela podem ser direcionadas para a companhia brasileira, e vice-versa. Há ainda a possibilidade de co-investimento entre as companhias. Além disso, a Yield acompanhará a jornada das empresas da Rural Ventures, com oportunidades de investir no negócio quando estas chegarem em estágios mais avançados.

Além disso, a Rural é uma das investidoras da Arara Seed, plataforma de equity crowdfunding focada em agtechs e foodtechs. Fernando e o sócio Bruno Massera, CFO de mercado internacional da BRF, atuam como conselheiros na Arara. Segundo Fernando, a companhia vai investir R$ 3 milhões em startups que façam a distribuição de equity via Arara Seed.

Além do crowdfunding, a Rural Ventures aporta capital por meio de investimento-anjo dos sócios e co-investimento com outras companhias. O negócio ainda não é um fundo formal, mas fazer essa transição já está nos planos. “A ideia é que em 2024 a gente se torne uma entidade, um VC focado em agtechs e foodtechs. Mas ainda não decidimos se faremos uma Limited Partnership (LP) no exterior ou um fundo tradicional no Brasil”, pontua.

Enquanto não formaliza o posicionamento como fundo de investimento, a Rural Ventures aposta na oferta de conhecimento, conexão e direcionamento da startup a longo prazo. Assim como Fernando, os sócios estão inseridos no meio e possuem relacionamento de muitos anos com empresas do setor para gerar conexões e acesso ao mercado. Com isso, a Rural Ventures é capaz de testar e validar as soluções em campo, rodando as tecnologias com potenciais clientes (empresas e produtores) em uma estrutura que oferece uma área de plantio de milho, soja, feijão, entre outros.

Cadê os unicórnios?

Fernando considera esse um “cenário interessante” para o crescimento da Rural Ventures. “Por um lado, o juros aumentou e ficou mais difícil para as startups captarem. Por outro, o valuation está em um patamar muito mais justo e quem investe tem mais tempo para avaliar as startups. O mercado geral diminuiu, mas o agro continua aquecido”, analisa. Os queridinhos do momento, aponta o empreendedor, são negócios com crescimento sustentável, tese validada, valuation pé no chão, ganho de escala e que estão conseguindo se bancar. 

Apesar do avanço das agtechs e do Brasil ser uma potência agrícola, o país ainda não tem um unicórnio agro. Fernando acredita que teremos sim uma startup do agronegócio avaliada em mais de US$ 1 bilhão, mas essa não será uma conquista simples. “Pelo ecossistema do agro estar tão bem organizado e as grandes corporações estarem tão bem inseridas nele, elas geralmente compram uma participação na startup ao enxergarem a possibilidade dela virar unicórnio. Depois, abocanham o restante”, avalia.

“A startup não vira unicórnio não porque o modelo é inviável ou ela não valorizou. Pelo contrário: é disruptivo e escalável. Mas há uma empresa muito maior que já enxergou esse movimento, adquiriu a solução e a inseriu no seu ecossistema”, acrescenta Fernando. Para ele, o unicórnio agro será uma startup com uma linha de atendimento e atuação que passe despercebido das grandes corporações. 

Como exemplo, ele cita algumas linhas de inteligência artificial que façam conexão com outras startups, ou empresas de relacionamento com o B2B para fortalecer o produtor rural. “Vai existir um unicórnio agro brasileiro, mas não será simples. Não será algo como ocorreu no mercado financeiro, pois as grandes corporações estão muito antenadas no ecossistema”.

Por Terra

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