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Riqueza do agronegócio torna o Centro-Oeste prioridade para o mercado financeiro

13 de abril de 2023

Riqueza da região subiu de patamar e alcançou o Sudeste com a maior proporção de investidores em relação à população local.
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Riqueza do agronegócio torna o Centro-Oeste prioridade para o mercado financeiro

Impulsionada pelo agronegócio, a riqueza dos moradores do Centro-Oeste do País passou a ser alvo de disputa no mercado de investimentos. E não é para menos. No ano passado, a região subiu de patamar e alcançou o Sudeste com a maior proporção de investidores em relação à população local.

Em 2022, 43% dos habitantes do Centro-Oeste disseram aplicar em algum produto financeiro – dos mais simples, como a poupança, aos mais complexos –, uma alta de 10 pontos porcentuais na comparação com o levantamento de 2021, de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Nos últimos anos, o agronegócio tem destoado do resto da economia brasileira e contribuído de forma direta para esse desempenho positivo do Centro-Oeste. Num cenário de baixo desemprego, a massa de renda de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal somou quase R$ 28 bilhões em 2022, um crescimento de 26% em 10 anos, segundo dados compilados pela consultoria LCA. Nesse mesmo período, a massa total do País aumentou 17%.

“Os maiores ganhos foram observados durante a pandemia por causa do boom de commodities e das safras recordes”, afirma Bruno Imaizumi, economista da LCA.

Mais do que impulsionar a renda do produtor, o setor tem sido capaz de dar dinamismo para toda a cadeia da economia local, beneficiando a indústria e o comércio instalados na região. “A participação do agronegócio na economia brasileira é enorme. Estamos falando de 25% do PIB”, afirma Julio Mello, responsável pela área comercial da XP.

Na esteira do bom momento do Centro-Oeste, a XP deu início a um road show no mês passado por 16 cidades da região para formar e contratar assessores de investimentos e, claro, buscar mais clientes. O ponto de partida foi Brasília. Nas próximas semanas, serão visitadas cidades expoentes do agronegócio na região, como Lucas do Rio Verde, Rondonópolis e Sorriso.

A empresa não tem uma meta definida para a contratação de novos assessores, mas o plano inicial é ampliá-la dos atuais 50 para 150 profissionais no Centro-Oeste até o fim do ano. Em potencial de ativos sob custódia na região, a estimativa da XP é de subir de R$ 3 bilhões para R$ 6 bilhões em 2023. “Ou a gente exporta uma pessoa para lá ou formamos uma pessoa local. Eu acredito mais nessa segunda opção, de formar alguém que entenda e se comunique bem com aquelas pessoas da região”, afirma Mello.

Family office em busca de riqueza

A busca pela riqueza do Centro-Oeste também passou a ser o foco dos escritórios que miram as grandes fortunas. Neste ano, o family office suíço Julius Baer criou uma posição exclusiva para buscar clientes da região. “Um dos objetivos é mostrar o conceito de family office, que é diferente e, de certa forma, novo na gestão de patrimônio”, afirma Fernando Vallada, CEO do Julius Baer no Brasil. No País, o volume mínimo exigido pelo escritório é de R$ 25 milhões.

A presença da companhia na região faz parte de uma estratégia global da empresa. Com US$ 500 bilhões administrados em 26 locais, o Brasil, ao lado de outros nove mercados, foi escolhido como prioritário pela marca.

Num movimento um pouco mais antigo, a Portofino Multi Family Office nomeou há dois anos um executivo de relacionamento para atender o Centro-Oeste em busca de famílias com patrimônio mínimo de R$ 5 milhões. Em 2023, a meta é crescer 80%. “Na gestão do patrimônio, a capilaridade é relevante. É importante o investidor saber que tem uma pessoa, um escritório do lado dele”, diz Daniel Barbuglio, responsável pela área de marketing do escritório.

Se há mais investidores ligados ao agronegócio, mais produtos financeiros para o setor foram desenvolvidos nos últimos anos. Em agosto de 2021, foram lançados os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais). De acordo com a Anbima, já são 35 fundos dessa classe de produto, que somam quase R$ 10,6 bilhões em emissão.

“Os fundos do agronegócio ajudaram a facilitar a entrada dessa população no mercado. É algo com que eles convivem no dia a dia”, afirma Helio Pio, sócio da Devant Asset.

O fundo criado pela Devant nasceu com patrimônio de R$ 70 milhões, e tem na carteira ativos de grandes empresas do mercado de agronegócio. Contempla, por exemplo, operações de logísticas e armazenagem de grãos. “No nosso road show, a maior parte de interessados foi da região Centro-Oeste”, afirma Pio.

Por Estadão

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