Renovando viveiros de mudas nativas na região do Alto Rio Doce

Produtores rurais de Mariana e Barra Longa cultivam mudas nativas para o reflorestamento da Bacia do Rio Doce e fomentam mercado com o apoio de projeto da Fundação Renova
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Renovando viveiros de mudas nativas na região do Alto Rio Doce
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Áudio

O projeto ATER Viveiros Familiares, criado pela Fundação Renova, visa a estruturação de unidades viveiristas e o fomento econômico local dentro de propriedades rurais atingidas pelos danos do rompimento da barragem de Fundão, localizadas em Mariana e Barra Longa. 

O objetivo do projeto é apresentar para os produtores rurais outras formas de diversificar a renda familiar nas propriedades rurais e fomentar a criação de viveiros de mudas nativas na região do Alto Rio Doce, carente desse mercado. 

Além do fomento da economia local, a ação inclui os viveiristas na agenda dos programas compensatórios de reflorestamento e proteção de áreas degradadas mesmo antes do rompimento da barragem de Fundão, previstos no Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC).  

Atualmente, mais de mil hectares de Áreas de Preservação Permanente e áreas de recarga hídrica estão em fase de implantação em Minas Gerais e no Espírito Santo. Cerca de mil nascentes estão em processo de recuperação. O acordo prevê a recuperação de 5 mil nascentes e o reflorestamento de 40 mil hectares até a foz. Será destinado R$ 1,5 bilhão para as iniciativas de restauração florestal. 

A Fundação Renova apoiou e capacitou produtores rurais 

Agora eles passam a ter outra alternativa de renda em suas propriedades: produção de mudas florestais nativas. E ainda, a região do Alto Rio Doce agora tem mercado para aquisição de mudas para os processos de restauração florestal. A Fundação Renova ainda continuará fornecendo capacitação técnica e apoio aos viveiristas familiares. 

Assim, os produtores rurais de Mariana e Barra Longa que se tornaram viveiristas passarão a produzir suas próprias mudas de espécies nativas. Eles realizam todo o manejo necessário para que as mudas atendam os critérios de qualidade para serem comercializadas e plantadas. O processo de produção de mudas inicia com o planejamento para a implantação do viveiro, com a escolha da melhor área para a produção. Esta deve ter boa luminosidade, ser protegida de ventos fortes, ser bem drenada e possuir área para as diferentes fases de crescimento das mudas, entre outros.  

No manejo, os viveiristas são capacitados desde as sementes até a expedição das mudas, passando pelas capacitações em coleta, beneficiamento, secagem, armazenamento e germinação das sementes, identificação de espécies, preparo do substrato, manejo das sementeiras e canteiros, replantio das mudas, adubação, irrigação, rustificação das mudas, preparo das mudas para expedição e acomodação das mudas para transporte, entre outras. 

Etapas do ATER Viveiros Familiares 

Para viabilizar o projeto, foi necessária a capacitação dos produtores, feita com apoio técnico da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que colaborou também com pesquisas que visam aumentar a tolerância das mudas em solos com rejeitos, por meio de microrganismos e manejo a baixo custo. 

Foi comprovado que a revegetação emergencial no epicentro do desastre acelerou o aumento da diversidade de microrganismos fixadores de nitrogênio no solo. Devidamente isolados e inoculados no substrato, eles permitem a produção de mudas mais resistentes e de maneira mais rápida. A presença destes microrganismos melhora o aproveitamento da adubação e otimiza o uso de insumos. 

A partir da pesquisa, em 2019, produtores rurais de Mariana (MG) e Barra Longa (MG) aderiram ao projeto Ater Viveiros Familiares. A implantação dos viveiros contou com o envolvimento das famílias, que enxergaram a oportunidade de recuperar áreas impactadas e de diversificar a renda, proveniente, em sua maioria, da produção leiteira. Cada um deles recebeu cerca de 5 mil mudas. A capacidade das unidades produtivas soma 48 mil plantas anualmente. 

A estruturação dos viveiros foi feita com apoio técnico da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que colaborou também com a descoberta de microrganismos que aumentam a tolerância da planta em solos com rejeitos e permitem manejo a baixo custo. 

Após meses de cultivo e manejo das mudas de espécies nativas ao longo de 2020, os novos viveiristas de Mariana e Barra Longa (MG) comercializaram uma safra de cerca de 20 mil mudas para a recuperação de nascentes do Alto Rio Doce (MG) no período chuvoso de 2020/2021. As mudas foram adquiridas pela Fundação Renova e enviadas para produtores rurais dos municípios de Coimbra, Ponte Nova e Paula Cândido, remunerados pela entidade para recuperar nascentes localizadas dentro de suas propriedades. 

Até então, a Fundação Renova fornecia mudas em estágio inicial de desenvolvimento e os produtores manejavam essas mudas até estarem aptas ao plantio e depois comercializam essas mudas para a própria entidade ou empresas prestadoras de serviços de restauro florestal (fornecedoras da FR). Isso aconteceu por dois ciclos. 

A última capacitação com os viveiristas em 10 de abril, realizada pelo consultor especializado em viveiros, Alex Freitas, abordou temas como coleta de sementes e frutos, marcação de matrizes e produção de mudas desde o início do processo. A partir desse encontro, o projeto ganhou outro formato (menos assistencialista), em que os viveiristas passarão a produzir mudas por conta própria e realizar todas as etapas do processo de produção de mudas de um viveiro comercial. 

O projeto até agora gerou renda para os produtores que participaram. Dessa forma, viveiros foram criados e podem ser uma alternativa para o mercado de mudas florestais nativas na região. No total, os viveiros têm capacidade de produzir 24 mil mudas/ano. 

“Nesta nova fase, os viveiristas seguem por mais um ano no ATER Viveiros Familiares, até a etapa de comercialização das mudas no período chuvoso 21/22, mas também estarão conectados a outros projetos”, diz Andreia Dias, analista do programa de Uso Sustentável da Terra da Fundação Renova. Assim, nessa próxima etapa, o apoio da Fundação Renova acolherá os viveiristas no projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, no qual eles serão beneficiados pelas ações do projeto. 

 Além disso, há a continuidade da assistência técnica aos viveiristas familiares, realizada pela equipe da OCA, parceira no ATER na região, dentro do escopo do Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (Pasea). E ainda há o apoio da área de Economia e Inovação da Fundação, que irá apoiar na formalização do empreendimento, caso haja interesse dos viveiristas. 

Fonte: Fundação Renova 
Crédito da foto: Divulgação/Tânia Regô/Agência Brasil

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Leia também