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Registros da Caprinocultura no mundo

Nas últimas duas décadas o número de caprinos aumentou em quase 50% em todo o mundo e com crescente interesse nos projetos leiteiros
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Em 2000, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) levantava as informações sobre a situação da caprinocultura no mundo, afirmando que a espécie caprina é responsável por, aproximadamente1,14% do suprimento anual de leite do mundoEntretanto, sua contribuição econômica é notória, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento.  

Levando-se em conta as proporções numéricas obtidas à época, os conteúdos das análises refletem a realidade atual da caprinocultura, com alguns ajustes e avanços conquistados.  

Outras pesquisas apontavam: Nos últimos 15 anos o número de caprinos aumentou em quase 50% em todo o mundo, enquanto o número de bovinos, não mais que 9%. O maior contingente de caprinos se encontra nas regiões tropicais e áridas – 74% da população mundial. (Goat Production, 1981). 

Tem-se observado, nos últimos anos, um crescente aumento de interesse por criadores na implantação de projetos de caprinocultura leiteira visto sob dois pontos de vista, econômicos, importantes: nos países desenvolvidos nota-se um estrangulamento na produção de leite de vaca, através das cotas de leite, impedindo o criador de aumentar seu faturamento, fazendo-o procurar meios alternativos sem o controle de cotas de produção, como o caso do leite de cabra. Por outro lado, nos países em desenvolvimento nota-se uma procura de mercado alternativo com capacidade de produção com maior liberdade, agregando valor ao produto maior do que se oferece o mercado do leite bovino. 

Os países industrializados apontam uma grande eficiência na produção de leite de cabra, representando 17% da produção mundial com 3% da população caprina, como no caso dos países da Europa. A análise dos sistemas de transformação do leite de cabra na Europa mostra uma grande heterogeinidade de situações, em função de cada realidade regional, das tradições de consumo, e do nível de integração do setor da economia leiteira moderna com infraestruturas industriais. 

É notadamente observado que em todos os países coexiste uma transformação nas fazendas geralmente orientada sobre a venda local, com uma transformação industrial mais ou menos desenvolvida. Os países que apresentam uma maior transformação industrial são: a França com 58% do leite com 500 milhões de litros (FAO, 2000) coletados anualmente por uma centena de laticínios, sendo que, dentre 5 que trabalham na produção em escala industrial, 2 grupos excedem 50 milhões de litros/ano, e qualquer grupo de dimensão industrial internacional tem uma atividade no leite de cabra; a Espanha com 65% do leite coletado pelos laticínios de pequeno porte; Países Baixos e Noruega com baixo volume coletado ( menos de 20 milhões de litros/ano). 

Um dos obstáculos da industrialização a longo prazo se refere à sazonalidade da produção do leite de cabra, mesmo nos países com tecnologia avançada na produção. 

Em relação ao consumo, com exceção da França existe pouco estudo sobre o comportamento do consumidor europeu face aos produtos caprinos. A Europa constitui um conjunto de países em que o queijo de vaca faz parte do hábito alimentar do consumidor representando 17 kg/habitante, sendo o queijo de cabra variando de 500 g/habitante até 4 kg /habitante dependendo do país. 

A maioria dos estudos de comportamento do consumidor mostram que, dentro dos grandes centros urbanos, o queijo de cabra é pouco conhecido, com exceção da França, e é muitas vezes considerado como um produto de sabor pronunciado e de preço elevado. Na América do Norte e Central, estes representam 3% do efetivo do rebanho mundial e se observa uma menor especialização leiteira, com exceção dos Estados Unidos e Canadá, apresentando a utilização do leite de cabra para consumo família, como fonte alternativa de receita pecuária. Na América do Sul o país que se apresenta mais preparado em rebanho com aptidão leiteira é o Brasil, representando excelentes perspectivas para o crescimento de vendas internacionais. 

Caprinocultura x produção de leite

A produção de cabras leiteiras fornece meios de subsistência sustentáveis, especialmente em áreas de recursos limitados, permitindo a geração de renda e emprego para pequenos produtores, além de produtos saudáveis e nutritivos (MILLER; LU, 2019). Nos últimos 50 anos, a produção mundial de leite caprino mais que dobrou e espera-se um aumento de aproximadamente 53% até 2030 (PULINA et al., 2018). 

A produção mundial de leite de cabra foi estimada em 18,7 milhões de toneladas em 2017 (FAO, 2019). A Índia registrou a maior produção mundial (~33%), seguido por Bangladesh (5,9%), Sudão (5,8%), Paquistão (4,5%), França (3,12%), Grécia (3,0%), Turquia (2,8%) e Espanha (2,6%) (FAO, 2019). 

No período de 2007 a 2017, a Ásia apresentou o maior aumento na produção de leite de cabra (22%), seguida pela África (13%), Oceania (9%), Américas (5%) e Europa (4%) (MILLER; LU, 2019). 

No Brasil, predomina a produção de leite de vaca, no entanto, o leite de cabra mesmo com o menor volume de produção, tem grande importância na geração de emprego e renda (DELGADO-JÚNIOR et al., 2020). A caprinocultura brasileira é mais difundida nas regiões Norte e Nordeste, sendo o estado da Paraíba o maior produtor do país. 

Nessa região, a maior parte da produção é direcionada para programas de distribuição de alimentos, como a merenda escolar. A região Sudeste é a segunda maior bacia leiteira, sendo o estado de Minas Gerais o terceiro maior produtor de leite de cabra (IBGE, 2017). 

De acordo com o IBGE, entre 2006 e 2017, o rebanho caprino apresentou crescimento de 16%, totalizando mais de 8 milhões de cabeças com uma produção anual de aproximadamente 25 milhões de litros, o que demonstra seu potencial no contexto do agronegócio brasileiro (IBGE, 2017). 

Fonte: FAO, IBGE
Crédito da foto: Divulgação

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