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Produção de soja e trigo turbinam agronegócio no Distrito Federal

3 de abril de 2023

A produção de trigo no Distrito Federal cresceu quase 50%, em comparação com a última safra e, para a soja, que está sendo colhida, os produtores esperam novo recorde, com ajuda da tecnologia e da extensão rural
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Produção de soja e trigo turbinam agronegócio no Distrito Federal

Dos grãos produzidos no Distrito Federal, dois têm se destacado na última safra: a soja e o trigo. Na comparação entre dezembro de 2022 com o mesmo período de 2021, a produção de trigo cresceu 49,1%, passando de 10.500 para 15.660 toneladas. O processo de colheita da soja, por sua vez, está sendo finalizado, mas produtores e técnicos do setor esperam uma produção recorde neste ano.

A produção da soja colhida no início do ano de 2022 foi menor do que 2021, mas, para 2023, em compensação, espera-se uma colheita recorde. “A expectativa de uma supersafra de soja deve se confirmar em 2023, apesar de não ter sido divulgada ainda. Podemos perceber que o preço da soja vem caindo semana após semana, com a alta disponibilidade do produto no mercado, é a lei da oferta e da demanda. O preço caiu de R$ 170 a saca para R$ 130. Isso tem muito a ver com a safra. Tanto no Sul quanto no Centro-Oeste, ela está sendo maior do que em 2022”, projeta o gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Emater, Alessandro Rangel.

“Acreditamos que a safra 2022/2023 da soja deve ultrapassar 148 milhões de toneladas no Brasil, devido, principalmente, às boas condições climáticas nessa primeira safra”, analisa Rangel. A previsão do boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a próxima safra da soja no Brasil segue na mesma linha analisada pelo gerente da Emater. “A produção estimada de soja no Brasil é de 151 milhões de toneladas, 20,6% superior à safra passada”, projeta o último boletim da Conab, divulgado no último dia 9 de março.

O resultado final da colheita da soja na última safra será divulgado pela Conab no próximo dia 13. Mas, de acordo com o último boletim, divulgado em 9 de março, é esperada alta produtividade. “Todas as lavouras estão sendo bem conduzidas e com boas condições fitossanitárias, podendo resultar em produtividades acima das estimadas”, diz o boletim.

Paixão pelo agronegócio

Erlan Kramer, 33 anos, produz soja há 20 anos no Distrito Federal. Herdou a paixão pelo agronegócio de seu pai, Darci Kramer, que está no ramo desde 1989, quando migrou de sua cidade natal no Rio Grande do Sul para o DF, a fim de investir no negócio. Com o auxílio de seis funcionários na lavoura, a família gerencia a produção do grão na Fazenda Sítio Novo, localizada em Santo Antônio do Descoberto. A plantação é feita a partir de outubro, e pode chegar a até início de dezembro, de modo que a colheita ocorre entre março e abril, geralmente. Para 2023, as expectativas são altas e a previsão é de recorde da produção local.

Segundo Erlan, embora haja diversos fatores que influenciam os números, a baixa da colheita do ano passado se deve principalmente à falta de chuvas no mês de março. Em 2023, a situação é diferente. “Não faltou chuva esse ano, o que foi bastante favorável. Nem tudo que é demais é bom, mas quando falta, é pior”, diz o produtor. Além disso, Erlan conta que para este ano, há muita oferta e, em razão disso, os preços estão mais baixos. “Ano passado, o preço foi lá em cima, e a soja chegou a R$ 180, R$ 200. Ficou muito lucrativo, e todo mundo se aventura. Assim, tem mais produto, e os preços diminuem. É a lei da oferta e da procura”, explica.

O produtor acredita que a tendência é que, a cada ano, a produção aumente no Brasil. “A gente vai melhorando com o passar do tempo, vão surgindo novos produtos, inovações, manejos de solo, maquinários, tecnologias”, conta. A família planeja sempre investir em melhorias para que a produção local acompanhe o crescimento nacional. Ainda, relembra a importância do agronegócio no Brasil. “O agronegócio é o que toca o Brasil hoje. Sem ele, o país vai caindo. Alimento é a base do mundo”, conclui Erlan.

Retomada

Gabriel Henrique Triacca produz grãos há 25 anos na Fazenda Pedro Carmo, localizada no Paranoá. Num passado recente, o produtor resolveu suspender a produção de trigo, uma vez que outras culturas estavam mais interessantes, tanto financeiramente quanto operacionalmente. Mas este ano, decidiu retornar à produção, de modo que 60 hectares, dos 150 disponíveis na fazenda, serão reservados para o plantio do trigo. Gabriel investe na variedade sequeira, que é tolerante a índices menores de chuvas. “O investimento é bem menor em relação ao trigo irrigado de inverno, que é plantado em maio, mas mesmo assim dá um lucro satisfatório”, conta. O planejamento é que, a partir de 2023, todo ano seja separado entre 20% a 30% da área para a plantação de trigo.

De acordo com o produtor, a decisão de voltar à produção de trigo se deve, além de ser uma cultura lucrativa, à folhagem, que também atua como um melhorador do solo. “O trigo diminui a incidência de ervas daninhas resistentes a herbicidas, além de diminuir as doenças de solo”, diz Gabriel. Os valores se encontram entre R$ 90 a R$ 110 a saca, gerando um lucro médio de R$ 2.000 por hectare e uma receita bruta de R$ 4.500, segundo o produtor. Além disso, a expectativa da colheita, que acontecerá entre julho e agosto, é de 40 a 50 sacas por hectare.

Preservação

Em parceria com órgãos federais, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) conta com programas de produção e preservação para ajudar a aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, preservar as áreas plantadas. Um exemplo é o Programa Produtor de Água no Piriripau.

O DF abriga uma área correspondente a 90,3% da bacia do Ribeirão Piriripau, onde concentram-se diversas atividades como produção de frutas, grãos e carnes. As áreas de agricultura correspondem a 71% da bacia. A presença do manancial de água representado pelo Ribeirão Pipiripau e da Estação Ecológica de Águas Emendadas, nessa região, tornam o meio ambiente local bastante suscetível a pressões de vários tipos, sendo necessárias medidas preventivas sistemáticas e conjugadas entre vários atores para manter o equilíbrio ecológico.

O projeto atua na recuperação de áreas de preservação permanente, além de ações de readequação de estradas rurais, construção de pequenas barragens e educação ambiental. O intuito é aumentar o volume de água que recarrega o lençol freático e diminuir o escoamento superficial, que resulta em problemas, como erosão e assoreamento.

Por Correiro Braziliense

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