Medalha de prata para o Brasil no Mundial de Enduro

Equipe brasileira com cavalos da criação nacional de Puro Sangue Árabe conquistou feito inédito e elevou o patamar do país dentro do esporte
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Medalha de prata para o Brasil no Mundial de Enduro
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A equipe brasileira mostrou todo o potencial da criação nacional de cavalo Puro Sangue Árabe ao conquistar a medalha de prata no Mundial de Enduro na Itália. O Longines FEI Endurance World Championships 2021 foi realizado no último sábado (22/05), em San Rossore, na cidade de Pisa. 

A trilha de 160 km na bela paisagem da Toscana foi bastante desafiadora para os melhores atletas do mundo que estavam presentes. Tanto que, das 12 equipes participantes, apenas três completaram o percurso, já que a validação do time exige a chegada de, no mínimo, três conjuntos ao término de cada anel. 

O que não foi problema para a equipe brasileira durante o Mundial de Enduro que contou com quatro experientes cavaleiros, sendo três deles montando exemplares de criação 100% brasileira da raça Árabe. São eles, Felipe de Azevedo Morgulis com Saiph SBV, André Vidiz com Chambord Endurance e Renato Salvador com Uzes Trio, além de Rodrigo Barreto com Koheilan Elvira P. Completam o Time Brasil Dudu Barreto, chefe de equipe, e Henrique Garcia, técnico e veterinário. 

A conquista da medalha de prata aconteceu com o tempo de 23h13min35s, apenas 2 min e 59 segundos atrás dos campeões espanhóis. Mostrando a qualidade técnica dos cavaleiros e alta genética dos cavalos, além do alto nível de competividade da equipe brasileira. 

“Resultado espetacular, é o que a gente já vinha buscando e era algo que não estava muito distante. Foi um resultado merecido, uma prova muito difícil, competitiva, onde as principais equipes tentaram correr forte desde o começo e a gente sabia exatamente o que tinha na mão. Tínhamos cavalos de primeira linha, soubemos aproveitar o que eles ofereciam  de melhor em cada etapa. Espero que seja um divisor de águas no Brasil, que possamos colocar o Enduro no patamar que ele merece,” expõe Henrique Garcia. 

Vitória em equipe no Mundial de Enduro

Felipe de Azevedo Morgulis, que há alguns meses mora em Milão, na Itália, competiu com a égua Saiph SBV, de 13 anos. O cavaleiro – que foi o primeiro da equipe brasileira a cruzar a linha de chegada no tempo de 7h43min6s – relembra a trajetória até a conquista do feito inédito para o Brasil. 

“Começamos a prova bem, indo numa boa velocidade, mas no primeiro anel tivemos um problema com relação ao percurso e perdemos cinco minutos. E isso é muito. E ainda perdemos o Guigo que foi desclassificado. A partir daí acabamos nos concentrando em fazer uma boa prova e não na posição. Aproveitamos que os nossos cavalos tinham condições de fazer e colocamos o nosso ritmo. E logo no próximo anel conseguimos melhorar a posição. No último anel, tocamos os cavalos acreditando neles e já largamos melhor, nos tornando, assim, vice-campeões”, detalha Morgulis. 

Devido a um problema veterinário com Koheilan Elvira P, o quarto cavaleiro que completa a equipe brasileira, Rodrigo Moreira Barreto, foi desclassificado após o 1º anel no Mundial de Enduro. Mesmo assim, ele se manteve dando todo o suporte para os companheiros no decorrer da prova. 

“O objetivo com a minha égua era fazer uma prova de segurança, permitindo aos outros cavaleiros da equipe condições de arriscar mais. Mas, infelizmente, não pude concluir a prova. Talvez, se estivesse no final da prova, os outros conjuntos poderiam arriscar mais e poderíamos ter tirado essa diferença de 3 minutos para o primeiro lugar. Depois que sai, continuei dando força para os cavaleiros e auxiliando a equipe como pude. Foi um resultado e uma sensação incrível!”, pontuou Rodrigo. 

André Vidiz, de Bragança Paulista/SP, competiu com Chambord Endurance, cavalo de 13 anos. Um conjunto experiente, que chegou na sequência, com 7h43min23s. “É um resultado que muda um pouco o lugar do Brasil no Enduro Mundial e nos permite almejar resultados ainda maiores. O sentimento é de ter aberto um caminho para um futuro importante para o Brasil. Não podemos deixar de agradecer aos nossos cavalos, peças fundamentais para a essa conquista”, expõe Vidiz. 

E completando a chegada da equipe, Renato Salvador com Uzes Trio, cavalo de 9 anos de criação própria, fechou em 7h47min6s. “Muita alegria e sensação de dever cumprido. Além dos excelentes cavalos, treinamento e muita dedicação, contou muito a experiência de campeonatos anteriores, quando o Brasil, algumas vezes “bateu na trave”. O meu particular reconhecimento por aqueles que viajaram com o Brasil, muitas vezes com dificuldades, em amor ao esporte”, ressaltou Renato. 

Com a conquista da medalha de prata, Felipe, André e Renato finalizaram entre os Top Ten do Mundial de Enduro. Ficaram, portanto, com o 8º, 9º e 10º lugar, respectivamente. 

Investimento na melhor genética do cavalo Árabe

Esse resultado obtido pela equipe brasileira, segundo Dudu Barreto, já vinha sendo construído há muito tempo. “Isso porque, quando o assunto é criação de cavalos, seja através da busca por conhecimento, treinamento e investimento na melhor genética da raça Árabe, as consequências só podem ser positivas. O Brasil conseguiu chegar a um nível de cavalo que pode competir em qualquer lugar do mundo. E os cavaleiros acompanharam isso, se capacitando para as provas de alto rendimento”. 

Entre as estratégias que tornaram possível essa conquista, o chefe da equipe cita a preparação dos animais fora do Brasil como essencial. “Três dos quatro cavalos da equipe já estavam na Europa e um no Uruguai, o que ajudou no condicionamento deles. Além disso, o espírito de equipe foi fundamental. Trabalharmos muito sério, acreditando que poderíamos levar uma medalha e foi muito bom estar entre a Espanha e a França. Corremos de igual por igual e por muito pouco não trouxemos a medalha de ouro”, comenta Dudu Barreto. 

Henrique Garcia cita que após esse resultado, o Brasil se torna, definitivamente, um celeiro de cavalos de Enduro. Coroando, portanto, o alto investimento em genética que vem sendo feito ao longo dos anos. “São três cavalos de criação brasileira, especificamente para Enduro, linhagens especificas, com alguns cavalos e algumas éguas importadas da Europa para Brasil, fazendo hoje uma linhagem brasileira de Enduro reconhecida no mundo inteiro. Esse é um prêmio de um trabalho que vem sendo feito há anos, temos os melhores cavalos Puro Sangue Árabe de Enduro na criação brasileira”, finaliza. 

Fonte: Assessoria de Imprensa ABCCA
Crédito da foto: Divulgação/ABCCA

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