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Plantio de soja no Brasil é maior do que prevê o Governo 

30 de março de 2024

Produção de soja estimada pela Conab é 10 milhões de toneladas menor
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Plantio de soja no Brasil é maior do que prevê o Governo 

A área plantada com soja no Brasil é 1 milhão e 200 mil hectares maior do que apontam os levantamentos oficiais do Governo Federal, feitos pela CONAB, a Companhia Nacional de Abastecimento. Na estimativa oficial, o Brasil teria hoje 45,2 milhões de hectares com soja, mas novos dados apontam área plantada próxima de 46,4 milhões de hectares. O estudo é da Agroconsult usando o CropData, ou seja, com dados de geotecnologia, apoio de satélites, cruzamento de dados do mercado de insumos e informações obtidas junto aos produtores, durante o Rally da Safra, o que concede maior confiabilidade ao levantamento.

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REPRODUÇÃO/RALLY DA SAFRA

Durante o Rally da Safra, expedição técnica que é feita há 20 anos e que neste  visitou 1.400 lavouras de soja espalhadas por 15 estados do país, as novas estimativas para a safra 23/24 apontam um aumento de 707 mil hectares na área plantada com soja da região Centro-Oeste, de 445 mil hectares na região Sudeste, de 78 mil hectares no Sul e de mais 59 mil hectares no Nordeste. A Região Norte, no entanto, sofreu um ajuste de 39 mil hectares a menos que nos dados oficiais.

No período em que o mercado está sob pressão interna e externa e que os sojicultores reivindicam do Governo Federal – assim como outros segmentos do agronegócio – prorrogação de prazo para pagamento das dívidas que vieram com a queda na produtividade por causa do clima desfavorável em quase todas as regiões do Brasil, os dados sobre área plantada, produtividade e produção total têm maior relevância.

PRODUÇÃO MAIOR QUE PREVÊ O GOVERNO – Por conta dessas diferenças de dados sobre área e produtividade, a Agroconsult estima uma produção de soja 10 milhões de toneladas maior do que aponta a CONAB para 2023/2024. Desse total, 5,4 milhões por conta de diferenças com estimativas de produtividade nos estados em média de 56,2 sacas por hectare (6,5% menor que o ano anterior) e outros 4,2 milhões de toneladas nas diferenças de aumento de área plantada.

Nos últimos anos houve assimetrias acentuadas entre os números de área plantada com soja – e de produção inclusive — divulgados pelo Governo Federal e os estimados pelo USDA (o Departamento de Agricultura dos EUA), e os dados obtidos por consultorias e empresas multinacionais que operam no Brasil. E como área plantada e produtividade balizam as operações nesse mercado, essas diferenças trouxeram incertezas sobre os números oficiais do Governo Federal.

Para 2024, enquanto a Conab estima a produção brasileira de soja em menos de 147 milhões de toneladas, os norte-americanos estimam 155 milhões, e consultorias privadas preveem números mais elevados, como a Agroconsult, por exemplo, que estima produção brasileira em 156,5 milhões. “As tradings estavam tranquilas nos últimos meses”, lembra André Pessoa, da Agroconsult, pois operam com dados mais próximos da realidade.

É que, se esses dados recentes de área plantada são novidade para boa parte dos produtores e comerciantes, muitos já trabalhavam com áreas e volume de produção maiores, “como é o caso de várias tradings de soja que utilizam a mesma metodologia para gerar estimativas”, reconhece André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.

A produtividade foi reavaliada pela consultoria em algumas regiões e para melhor. No Rio Grande do Sul aumentou de 55 para 57,2 sacas por hectare. Em Minas saltou de 57 para 63,4, em Goiás saiu de 59 para 62,2, e no Mato Grosso, a produtividade foi alterada de 52,5 para 53,1. Para a Bahia, a estimativa passou de 60 para 63,8 sacas por hectare. Houve reduções de expectativas de produtividade em São Paulo, de 55 para 48 sacas; no Paraná, de 58 para 56,1; e no Mato Grosso do Sul, com redução de 57,5 para 51,2.

PESQUISA EXIGE INVESTIMENTO – Levantamentos de safra são trabalhosos, exigem equipamentos, tecnologia e recursos. Em suma: custam caro, mas evitam prejuízos. Os dados sobre produção agropecuária do USDA, por exemplo, são mais respeitados por conta dos recursos tecnológicos e financeiros que os Estados Unidos dispõem para estudo e acompanhamento da evolução das culturas no campo, embora também tenham seguidas correções.. “Seria importante diminuir essa assimetria nos dados que temos no Brasil com o uso de boa tecnologia, seja pela Embrapa ou outro setor do Governo”, comentou André Pessoa, CEO da Agroconsult, lembrando que são dados oficiais do país.

A descrença com informações oficiais na agropecuária é antiga. Em 2020, após deixar o Cepea/USP e assumir a diretoria de Informações e Política Agrícola na CONAB, o professor associado da Esalq/USP, Sérgio De Zen, encontrou inconsistência nas informações sobre safras e outros dados da agropecuária brasileira captados pela companhia. Não escondeu o que viu.

De Zen reavaliou métodos, pediu e conseguiu parcos recursos financeiros, adquiriu equipamentos, distribuiu tablets e, com a ajuda de alguns técnicos, foi a campo obter dados. A primeira apuração já apontava números muito diferentes dos obtidos meses antes nos levantamentos sobre produção agropecuária, principalmente com soja. De Zen usou sua experiência como pesquisador do Cepea/USP e lutou pelo aprimoramento das pesquisas até deixar o cargo em 2022. Mas a disparidade entre as estimativas permanece, dizimando a confiabilidade nos dados com os quais o Governo trabalha. Informação consistente é cara e para poucos.

Por R7

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