Pesquisadora brasileira é uma das mais citadas em ranking internacional de produtividade científica

1 de julho de 2022

Juliana Freitas-Astúa, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura da Embrapa, está na lista de 50 cientistas que compõem o Índice Científico Alper-Doger
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Pesquisadora brasileira é uma das mais citadas em ranking internacional de produtividade científica
O trabalho mais citado de Juliana é sobre como o sequenciamento de diversos genomas de tangerina, pomelo e laranja – Foto: azerbaijan_stockers/Freepik

A engenheira-agrônoma Juliana Freitas-Astúa, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e presidente da Sociedade Brasileira de Fitopatologia (SBF), está na lista de 50 cientistas da Embrapa que compõem o Índice Científico Alper-Doger (AD), novo sistema de ranqueamento de produtividade internacional que mapeou os 604 cientistas mais citados da América Latina em 2022.

“Estar nesse ranking é um reconhecimento importante do trabalho do pesquisador, da Unidade de pesquisa e da Embrapa. Este tipo de indicador abre portas, porque, quanto mais citado o pesquisador é, maior a chance de estabelecer colaborações internacionais e conseguir recursos externos”, salienta a pesquisadora, que trabalha principalmente com a cultura dos citros.

Para ela, o fato de se dedicar a uma cultura global, de importância mundial, colabora para a sua presença no AD. “Nosso trabalho é um pouco híbrido; temos uma linha de pesquisa mais fundamental, mais básica, que busca entender as interações biológicas e moleculares entre vírus, plantas e seus vetores para doenças como a leprose dos citros, mas desenvolvemos também trabalhos bem aplicados, que são bastante citados”.

E a pesquisadora continua. “Nos últimos anos, caracterizamos diversos novos patógenos, muitos deles em áreas de pequenos produtores. “Além da caracterização molecular, nós estabelecemos métodos de detecção, identificamos seus vetores e sugerimos alternativas de manejo; então há um lado do nosso trabalho com aplicação bem prática que, quero crer, desempenha um papel social”.

“Mas existem muitos trabalhos extremamente importantes e úteis e que, às vezes, não entram nesses rankings de citação porque são mais locais ou dizem respeito a uma cultura mais regional, como maracujá, por exemplo. Provavelmente haverá um número menor de citações, mesmo sendo importantíssimos para um determinado nicho ou região”, salienta.

Pesquisadora brasileira e uma das mais citadas em ranking internacional de produtividade cientifica 1
Trabalho da pesquisadora Juliana Freitas-Astúa está entre os mais citados da América Latina em 2022 – Foto: Divulgação/Embrapa

De acordo com o AD, trabalho mais citado de Juliana é sobre como o sequenciamento de diversos genomas de tangerina, pomelo e laranja e revela uma história complexa durante a domesticação de citros. É fruto de um consórcio internacional com pesquisadores de outras instituições do Brasil e da Espanha, dos Estados Unidos e da China. Publicado em 8 de junho de 2014 na revista Nature Biotechnology, já foi acessado por 28 mil usuários e citado 382 vezes na literatura científica.

Recentemente, a pesquisadora foi um dos únicos brasileiros a estamparem a campanha 40 Faces da Fitopatologia British da Society for Plant Pathology (Sociedade Britânica de Fitopatologia) – BSPP, que traz perfis escritos por cada participante, com informações sobre sua trajetória pessoal e profissional, os desafios de fitopatologia que mais gostariam de ver resolvidos, e o que poderia melhorar o mundo da fitopatologia em termos de inclusão. O outro brasileiro foi seu colega Francisco Laranjeira, recém-selecionado como chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Carreira da pesquisadora

Juliana Astúa possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Fitopatologia pela USP, doutorado em Fitovirologia pela Universidade da Flórida e pós-doutorado pela USP. É pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura desde 2002, atuando em colaboração com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). É a responsável pelo campo avançado da Embrapa Mandioca e Fruticultura na capital paulista.

Foi presidente da International Organization of Citrus Virologists (IOCV) no período de 2013 a 2016, e desde então, faz parte do conselho desta organização. É copresidente do grupo de estudos sobre a família Rhabdoviridae do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) e membro do painel internacional para elaboração de protocolos para o diagnóstico da leprose dos citros para a Convenção Internacional de Proteção Vegetal (IPPC/FAO). Desde 2018 é professora visitante da Southwest University (Chongqing, China).

Fonte: Embrapa Mandioca e Fruticultura

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