Search
Close this search box.

Pegada de carbono na lavoura ganha tecnologia com certificação global

28 de abril de 2023

Embrapa Instrumentação e Agrorobótica, primeiro centro fotônico no país, usam IA que viabiliza comércio no mercado voluntário internacional
Compartilhe no WhatsApp
Pegada de carbono na lavoura ganha tecnologia com certificação global

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, pode meio da unidade Instrumentação, localizada em São Carlos (SP), desenvolveu em parceria com a agfintech Agrorobótica, a AGLIBS, uma plataforma de IA (Inteligência Artificial), uma tecnologia que integra diferentes softwares e sensores avançados que permitem a digitalização do solo e das atividades agrícolas.

A inovação viabiliza o acesso à agricultura de precisão e à comercialização de crédito de carbono no mercado voluntário internacional. A tecnologia permite financeiramente medir, reportar, verificar e comercializar (MRVC) o carbono na agricultura, ao mesmo tempo em que faz a gestão da fertilidade do solo e nutrição das plantas, para o gerenciamento de indicadores de sustentabilidade e produtividade agrícola.

O anúncio da tecnologia ocorreu nesta semana, como parte das comemorações dos 50 anos da Embrapa e estará disponível ao público durante a Agrishow, feira de tecnologias que acontece na próxima semana, de 1º a 5 de maio, em Ribeirão Preto (SP). Vale registrar que a Agrorobótica é uma spin-off da Embrapa Instrumentação criada em 2015, que começou com um funcionário e três estagiários e hoje conta com equipe multidisciplinar de 30 funcionários. A startup é o primeiro centro fotônico no país, voltado para agricultura em operação comercial e escalável.

Tecnologia vai em busca de carbono mensurável


A AGLIBS foi desenvolvida alinhada a critérios científicos aceitos internacionalmente e tem como base a tecnologia LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy), a mesma técnica que a Nasa (Agência Espacial norte-americana) embarcou nos robôs para avaliação do solo do Planeta Marte.

No segundo semestre de 2022, a tecnologia LIBS foi aprovada mundialmente pela certificadora americana Verra, que gerencia o principal programa voluntário de mercados de carbono do mundo, o VCS (Programa Verified Carbon Standard).

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Débora Milori, que coordena o Lanaf (Laboratório Nacional de Agrofotônica), a LIBS é uma técnica espectro analítica rápida, reprodutível e limpa. “Ela usa pulsos laser de alta energia para criar um microplasma na superfície da amostra, e assim, determinar a sua composição química. Por ser uma técnica analítica direta, ela pode ser aplicada a uma grande variedade de amostras em diferentes estados físicos da matéria”, explica Milori.

image 2 2
Pegada de carbono na lavoura ganha tecnologia com certificação global

Embrapa/Divulgação
Amostras de solo chegam ao laboratório do centro de pesquisa

Segundo a pesquisadora, na agricultura, o LIBS permite analisar a composição química de solos sem a necessidade de um laborioso preparo de amostras e qualquer geração de resíduos químicos. Portanto, o uso do LIBS na Agricultura e Meio Ambiente é tão inovador e sustentável.

De acordo com o CEO da Agrorobótica, Fábio Angelis, a tecnologia faz análises de 22 parâmetros do solo e que seus hardware e software estão em fase de patenteamento. Entre os parâmetros medidos estão: carbono quantitativo e qualitativo dos solos, textura (teores de areia, silte e argila), estoque de carbono no solo (em tonelada por hectare), densidade do solo, pH, macro e micronutrientes, tudo de forma rápida, econômica e precisa, sem gerar resíduos químicos.

“É diferente dos métodos de análise de solos convencionais que utilizam vários reagentes químicos para extrair esses nutrientes do solo e usam mais de dez métodos de medidas diferentes para obter a mesma informação que o LIBS mensura com um único tiro laser”, afirma Angelis.

A empresa aposta em um modelo de prestação de serviços diferenciado para a nova tecnologia, oferecendo consultoria aos agricultores que fazem adesão ao programa de carbono. Segundo Angelis, os serviços têm início com o envio do CAR (Cadastro Ambiental Rural) da propriedade sobre o qual todo o planejamento amostral estratégico do projeto é realizado. Esse trabalho leva em consideração múltiplas informações para uma amostragem inteligente representativa.

image 2 1
Pegada de carbono na lavoura ganha tecnologia com certificação global

Embrapa/Divulgação
Coleta de solo para análise em laboratório, usando IA

“Esses dados são enviados para a equipe de coleta no campo que acessam as informações via aplicativo de celular. A coleta de solo é georreferenciada e cada amostra de solo é identificada com QRcode único. As informações do campo são enviadas para a nuvem e acessadas antecipadamente pela equipe da Agrorobótica. Em seguida essas amostras são transportadas para o Centro Fotônico da Agrorobótica onde cada amostra é rastreada e identificada,” diz Angelis.

Ele lembra que a plataforma está alinhada às orientações das metodologias da certificadora internacional Verra, o que permite a certificação do carbono e da fertilidade no solo. O crédito de carbono será gerado e convertido em VCU (sigla em inglês para Unidades de Carbono Verificadas), que pode ser negociado no mercado voluntário internacional e prover uma monetização inovadora para o agricultor. (Com Embrapa)

Por Forbes

Leia outras notícias no portal Mundo Agro Brasil

Relacionadas

Veja também

Dados mostram que serão produzidos 193,15 mil litros, abaixo do recorde de 580,22 mil litros do período anterior
Safra total de milho foi estimada em 114,14 milhões de toneladas, um acréscimo de 2,5 milhões de toneladas em relação ao previsto no mês passado; área plantada deve crescer 1% e produtividade deve avançar 1,2%
Essa parceria confirma a missão do AgroApp que é levar informações de qualidade para o produtor rural e profissional do campo.
Na comparação com a média diária de junho de 2023, há queda de 16,6% no valor obtido diariamente pelas exportações de açúcar em junho de 2024.