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Crescem operações de fusão e aquisição no agronegócio

22 de fevereiro de 2023

Levantamento da KPMG mostra 117 operações em 2022, número 105% maior do que em 2021
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Crescem operações de fusão e aquisição no agronegócio

Pesquisa realizada pela KPMG mostra que, no ano passado, ocorreram 117 operações de fusão e aquisição envolvendo o agronegócio. É mais que o dobro de 2021, quando aconteceram 57 transações, e três vezes o registrado em 2020 (39) . Na relação ano contra ano, 2022 teve aumento de 105,2%.

As transações domésticas predominaram: 75% das negociações envolveram empresas de capital majoritariamente nacional adquirindo, de brasileiros, capital de outras companhias estabelecidas no país. As estrangeiras comprando capital de empresa estabelecida no Brasil representaram 24% das negociações, e ainda houve 1% de brasileiras adquirindo capital de companhias estabelecidas no exterior.

De acordo com a KPMG, o agronegócio respondeu por 7% do total de operações, em todos os segmentos, realizadas no Brasil em 2022. E a perspectiva para o setor é de que ainda há muito espaço para avançar. Principalmente porque grande parte das transações (76%) envolveu companhias de agroserviços e, dessas, cerca de 80% dos negócios estavam no campo da tecnologia.

“Esse volume ainda é incipiente diante das 1.703 agtechs mapeadas pela Embrapa no ecossistema de inovação do Brasil”, disse a sócia-líder de Agronegócio da KPMG no Brasil, Giovana Araújo. Para a executiva, a representatividade do agronegócio no PIB brasileiro e a evolução tecnológica pela qual passa o setor indicam um grande potencial que ainda está por vir nessa cadeia.

Outra sinalização desse campo a ser explorado é o fato de que muitas das operações envolveram distribuidoras de insumos, abrangendo todo o universo de agrorevendas e puxando um movimento de verticalização no setor. Segundo Giovana, esse avanço tem impacto ainda no desenvolvimento de serviços financeiros.

Cada vez mais as distribuidoras de insumos assumem o papel de agentes de crédito, oferecendo ferramentas práticas e seguras para os produtores financiarem suas atividades. “Isso gera um processo de cosolidação do setor”, afirmou Giovana.

Quanto mais os outros elos buscam as revendas para ampliar seus negócios, maior vai se tornando o apetite para novas operações. Um exemplo de estímulo para tal sinergia é a elevação dos preços de fertilizantes, defensivos e outros insumos, com impacto direto nos custos de produção. O setor acaba se movimentando de forma estratégica para ter segurança de abastecimento.

Tendências

Além da redução de custos e da garantia de que não faltarão insumos, as operações de fusão e aquisição no agronegócio são motivadas pela sustentabilidade. A evolução das cadeias produtivas tem de estar alinhada com a demanda global por preservação ambiental, pelo uso consciente dos recursos naturais.

A sócia da KPMG chama a atenção para a conexão do avanço das empresas de tecnlogia no agronegócio com essa tendência mundial. “Há uma disrupção no setor, como é o caso da utilização de inteligência artificial e georreferenciamento para que se reduza o volume de aplicações de herbicidas, por exemplo”, comentou Giovana. A inovação ajuda inclusive a reduzir os juros nos financiamentos, pois os riscos são menores.

A opinão de Giovana é reforçada pelo sócio da Hand M&A, José Venâncio. Para o executivo, o agro tem sido muito rápido em assimilar o ESG e a colocar em prática os conceitos ambiental, social e governança que definem a sigla em inglês. “As empresas de biológicos são um reflexo disso, pois compõem um nicho de mercado com grande potencial.”

Venâncio afirma que o Brasil já é uma liderança global de ESG no agronegócio, e que há aí uma grande oportunidade para explorar essa imagem no mundo todo. “Temos de levar esse retrato real do setor e incentivá-lo a não parar de seguir essa linha.”

Sobre outras tendências em fusões e aquisições no setor, Venâncio acrescenta haver uma busca crescente pelas empresas de insumos para pecuária, que também oferecem produtos para agricultura, no caso de produção de alimentos para o rebanho.

Também tem vem crescendo o olhar sobre o potencial das sementeiras. “Os investimento estrangeiros estão começando a aparecer”, disse Venâncio.

Por Globo Rural

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