Como o mogno africano se encaixa no agronegócio brasileiro?

De acordo com empreendedor paulista, investimento de longo prazo nessa espécie de árvore exótica, que produz madeira de alta qualidade para o mercado nacional, pode surpreender pela rentabilidade
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mogno africano
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Existe uma forma melhor de definir o agronegócio brasileiro do que com o adjetivo “gigante”? Seja em sua força econômica, seja na análise do número de atividades que ele engloba, é difícil definir o agronegócio de outra maneira. Nesse sentido, é bastante significativo levar em consideração que o conceito de agronegócio não define nenhuma classe específica de produtor rural, indústria agrícola ou alguns prestadores de serviços. Não depende também o tamanho da área, volume de produção, renda e tecnologia adquirida. Ou seja, a agricultura no agronegócio engloba o que chamamos de agricultura empresarial, pequena agricultura, agricultura familiar, além dos outros agentes da cadeia produtiva. 

Desse modo, são tantos os setores que fazem parte do agronegócio que, muitas vezes, atividades de grande importância econômica ainda são desconhecidas ou acabam passando despercebidas pela maioria das pessoas. Esse é o caso do mogno africano.  

O mogno africano é uma espécie de árvore exótica que produz madeira de alta qualidade para o mercado nacional. A espécie é nativa da África, como o próprio nome já diz, e veio para o Brasil em meados de 1977 quando o ministro da agricultura da Costa do Marfim passou pela sede da Embrapa Oriental, em Belém do Pará (PA), e entregou ao pesquisador Ítalo Cláudio Falesi sementes da árvore. O ministro disse que a espécie era puro “ouro verde”. Tal afirmação é uma boa demonstração de seu potencial. 

Sem mais delongas, convidamos o leitor para conhecer um pouco mais sobre o mogno africano, esta rentável atividade que faz parte do agronegócio brasileiro.  

O mogno africano – principais características e produção no Brasil 

Em primeiro lugar, as condições exigidas para se investir em mogno africano não são muitas. A árvore pode ser plantada em qualquer tipo de solo. Contudo, recomenda-se realizar Análises de Solo com profundidades de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm. E com base nos resultados, realizar as correções e adubações adequadas.  

Com relação ao clima, o mogno demonstra grande poder de adaptação, de tal modo que existem florestas no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e parte da região Sul do Brasil. Diferenças naturais de solo, temperatura, índice pluviométrico e até mesmo altitude são fatores que exercem determinada influência, porém, não são limitantes. O único fato que deve ser observado é se a região não sofre com geadas severas. O mogno africano resiste a pequenas geadas, contudo, geadas fortes podem matar plantações jovens. 

No que se refere aos preços, atualmente temos dois cenários, segundo a ITTO (Organização Internacional de Madeiras Tropicais):  

1º cenário: venda da madeira em tora na propriedade: Valor (R$/m³): 

Madeira de 12 a 15 anos: 500,00 a 750,00 (Tramontina em média 600,00); 

2º cenário: venda da madeira serrada, seca e entregue para cliente: Valor (R$/m³):  

– Madeira de desbaste de 8 a 10 anos: 1.300,00 a 1800,00; 

– Madeira de 15 a 18 anos: 2.500,00 a 3.000,00. 

Embora os valores sejam aproximados e o valor da madeira seja influenciado por vários fatores, esse é o preço médio praticado no mercado interno. Deve-se levar em conta que o mercado interno de mogno africano ainda está apenas no início. Em alguns anos, muito provavelmente o mercado estará consolidado. 

Antes do corte final, que acontece normalmente entre 14 e 18 anos após a plantação das mudas, o mogno africano deve sofrer cortes intermediários, chamados de desbaste ou raleio. O primeiro desbaste com 4 ou 5 anos. O segundo desbaste com 7 a 10 anos. Corta-se alternadamente as árvores, deixando as melhores para o final dos 15 anos. Entre 8 e 10 anos, a árvore já alcançou, também, 10 metros de fuste (altura comercial da árvore). Além disso, a madeira já ganhou características adequadas para uso na confecção de pisos, móveis e armários, construção de barcos, madeira compensada, acabamentos interiores e folheados decorativos.  

A produção média, aos 10 anos, é de 0,4 m³ de madeira serrada por árvore, com fuste de 10 m e DAP (diâmetro na altura do peito) de 30 a 35 cm. 

A questão do espaçamento deve ser decidida diretamente pelo produtor, pois cada tipo apresenta vantagens e desvantagens, de acordo com a finalidade da floresta que se quer implantar. Por exemplo, no mais denso (3×2), deverá se realizar um desbaste mais cedo. Aos 4 ou 5 anos, por exemplo. Nesse caso, há maior competição lateral entre as árvores, o que gera maior crescimento em altura e fustes mais retos. Em contrapartida, nesse espaçamento, o custo de implantação é maior. E, também, não se deve esperar grande lucro no primeiro desbaste, tendo em vista o diâmetro pequeno das toras. Mas, olhando a longo prazo, esse parece ser o espaçamento mais promissor e uma tendência para o futuro. Contudo, o produtor pode adaptar o espaçamento de acordo com sua necessidade. 

Requisitos de Regularização 

Acerca das questões burocráticas, a entidade que cuida desta regularização é o órgão ambiental do estado em que se realizou o plantio da floresta. O primeiro requisito é a sua propriedade ter a área de reserva legal ou preservação permanente averbada. O segundo requisito é ter a Nota Fiscal de compra das mudas com o Certificado de Conformidade das mudas anexado, especificando a quantidade de mudas compradas e espécie, a fim de comprovar a procedência das mesmas. 

A madeira do mogno africano é bela e muito durável. A árvore é de porte grande, alcançando altitude de 40 a 50 metros e diâmetro na altura do peito (DAP) de até 200 cm. O alburno possui coloração marrom-amarelada e o cerne marrom-amarelado variando para o marrom-avermelhado. Além disso, é muito procurada nos EUA, Europa e China por possuir uma qualidade e aplicação para diferentes usos. Por exemplo, pode ser utilizada para construção civil, indústria naval, instrumentos musicais, movelaria, sofisticados acabamentos e outros. 

como o mogno africano se encaixa no agronegocio brasileiro
Foto atual da floresta de mogno africano na cidade Taquaritinga – Foto: Arquivo pessoal/Henrique Prodatta
Experiência prática do empreendedor 

Foi com base em todos os fatores citados acima, que Henrique Barros, da Prodata, empreendedor que até então não tinha nenhuma ligação com o agronegócio, resolveu plantar, em 2015, uma floresta de mogno africano na cidade Taquaritinga, região central do Estado de SP.  

Dividindo a floresta em três partes, uma plantada em 2015, outra em 2016 e outra em 2018, Henrique optou por utilizar, respectivamente, os espaçamentos 4×4, 4×4 e 4×2.  

Com solo e clima propícios, ele também não enfrentou problemas burocráticos: “somente mudei a atividade (da utilização das terras) nos órgãos competentes ‘para plantio de floresta’ e adquiri com Nota Fiscal todas as mudas e insumos para o plantio e manutenção”, relata.  

Isso feito, ele escolheu o tipo de espécie de mogno a ser plantada. A opção foi pela Khaya Senegalensis. Tal espécie exige a realização da poda de galhos desde o seu primeiro ano até, no mínimo, 10 anos, quando a copa atinge por volta de 10 metros de altura.  

O empresário pretende retirar suas primeiras toras em 2032, 17 anos após a plantação das primeiras mudas. Ele deseja vender toras serradas e secas, a fim de agregar maior valor ao produto. 

“Sou empresário, não nasci na terra, como dizem as pessoas com vocação agrícola. Então, quando comprei a propriedade, tinha que fazê-la rentável e sem ter de conhecer a fundo a agricultura. Comecei a pesquisar sobre madeirasanalisando qual seria a mais rentável e menos suscetível a pragas. Foi quando conheci o mogno africano. Eu o estudei em todas as fontes que estavam disponíveis na internet e fiz cálculos de quanto seria o retorno por alqueire, por ano, e qual seria o custo. Nestas contas, percebi que daria mais que qualquer outro produto plantado em nossas terras atualmente. Claro que temos intempéries que podem acontecer, como incêndios e pragas que ainda não são conhecidas. Porém, hoje, com mais de seis anos de cultivo, pude observar e aprender a agricultura, e tenho plena certeza de que não é fácil manter uma plantação de mogno. Ela necessita de muitos cuidados para chegar aos 17 anos, perfeita, mas se tudo ocorrer como planejado, o resultado será inúmeras vezes superior ao cultivo, por exemplo, da cana-de-açúcar”, afirma Henrique. 

Fonte: Redação Agrovenki 
Crédito da foto em destaque: Divulgação/Canva

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