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Lodo de esgoto pode virar fertilizante orgânico

21 de agosto de 2023

O aproveitamento dos efluentes urbanos pode resultar em adubo derivado. Conheça dez fatos sobre esses derivados para reciclagem agrícola
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Lodo de esgoto pode virar fertilizante orgânico
Produção de adubo orgânico é feita, principalmente, em São Paulo, no Paraná e em Brasília Divulgação/Tera

lodo de esgoto é um resíduo sólido com 60% a 75% de matéria orgânica na composição por causa do excedente de biomassa microbiana cultivada no processo de tratamento dos esgotos sanitários. Desde a década de 1990 é aproveitado no Brasil na indústria de fertilizantes orgânicos, mas ainda gera dúvidas na sua aplicação.

Segundo a empresa brasileira Tera Nutrição Vegetal, especializada em tratamento de efluentes urbanos, no Brasil, a reciclagem agrícola dos rejeitos como matéria-prima de fertilizantes orgânicos ou condicionador de solos avançou nos últimos 20 anos, principalmente, nos estados de São Paulo e Paraná e no Distrito Federal.

Como matéria-prima, as regras de uso foram atualizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e como resíduo, a aplicação direta no solo segue critérios atualizados em 2020 na legislação de reciclagem agrícola (CONAMA, 2006).

Bastante promissora, a utilização gera dúvidas, porque é confundida, muitas vezes, com uso de fezes e rejeitos sanitários. Porém, para transformar a biomassa em um produto viável ao solo, é necessário fazer a compostagem termofílica, que transforma o lodo em em um produto diferente, informa a Tera.

O processo consiste na redução de massa e volume pela respiração microbiana e perda de umidade, além da completa higienização do produto final.

Para desmistificar a aplicação do adubo orgânico derivado do lodo de esgoto, principalmente o impacto nos alimentos, o engenheiro agrônomo Fernando Carvalho Oliveira, responsável técnico pelos fertilizantes orgânicos da companhia, explica o que é verdade e o que é falso no assunto. Confira!

1- São produzidos com fezes e dejetos humanos

FALSO. Quando o esgoto passa pelo sistema de tratamento adequado, como acontece em empresas como a Companhia de Saneamento de Jundiaí (CSJ), o lodo gerado é resultado de um processo biológico. O tratamento transforma a carga orgânica do esgoto em biomassa, por meio da ação de microrganismos.

Do esgoto sanitário é possível extrair o lodo e, dele, gerar biomassa — Foto: Divulgação/Tera

Do esgoto sanitário é possível extrair o lodo e, dele, gerar biomassa — Foto: Divulgação/Tera

2- Cheiram mal e atraem vetores

FALSO. Os fertilizantes orgânicos derivados de lodo possuem um cheiro característico devido à presença de matéria orgânica. No entanto, trata-se de produto bioestabilizado que não possui mais a capacidade de atrair pragas e vetores.

3- São benéficos ao sistema solo-planta

VERDADE. Os fertilizantes orgânicos de lodo apresentam benefícios para o solo e as plantas, porque fornecem macro e micronutrientes, liberando gradualmente durante o ciclo da cultura. Além disso, possuem efeito residual, contribuindo para produtividade a longo prazo. Aumentam, ainda, a retenção de nutrientes no solo e estimulam o crescimento das plantas.

4- Ajudam a reduzir a incidência de doenças via solo em diversas culturas

VERDADE. Os compostos orgânicos derivados de lodo de esgoto possuem alta densidade e diversidade de microrganismos, o que pode contribuir para a supressão de fitopatógenos e controle de pragas, como nematóides.

5- O uso não é reconhecido pelo MAPA

FALSO. No Brasil, o uso de lodo de esgoto como matéria-prima na produção de fertilizantes orgânicos compostos e/ou condicionadores de solo é amplamente regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio de decretos e instruções normativas próprias.

6- Por ser derivado de resíduos biológicos não pode ser utilizado em todos os cultivos

FALSO. O adubo orgânico pode ser utilizados em qualquer cultura, incluindo café, cana-de-açúcar, grãos, citros, frutas tropicais, frutas de clima temperado, eucalipto, hortaliças, tubérculos, pastagens, parques, jardins, floreiras e plantas ornamentais, desde que regulamentados pelo Mapa.

O adubo de lodo pode ser usado até em legumes e frutas, como é o caso do tomate — Foto: Divulgação/Tera

O adubo de lodo pode ser usado até em legumes e frutas, como é o caso do tomate — Foto: Divulgação/Tera

7- Promovem a redução dos custos de produção

VERDADE. A utilização pode reduzir os custos de produção agrícola, uma vez que esses fertilizantes fornecem nutrientes essenciais às plantas, aumentam a eficiência no aproveitamento dos fertilizantes minerais e estimulam o crescimento e produtividade das culturas.

8- Potencializam em até 50% o uso dos fertilizantes minerais

VERDADE. Os adubos orgânicos compostos derivados de lodo de esgoto podem potencializar o uso de fertilizantes minerais em até 50%. Isso ocorre porque eles fornecem nutrientes importantes para as plantas e melhoram as condições do solo, aumentando a eficiência e o aproveitamento dos fertilizantes minerais, resultando em economia de recursos.

O fertilizante composto de lodo ajuda, ainda, a melhorar a produtividade a longo prazo — Foto: Divulgação/Tera

O fertilizante composto de lodo ajuda, ainda, a melhorar a produtividade a longo prazo — Foto: Divulgação/Tera

9- Não podem ser utilizados em plantas ornamentais e domésticas

FALSO. O produto reciclado pode ser utilizado em plantas ornamentais e domésticas e em todos os tipos de plantações. Até mesmo no cultivo de alimentos de consumo direto, como frutas, verduras e legumes. É importante que as recomendações de aplicação e dosagem adequadas para cada tipo de planta sejam seguidas para obter o melhor aproveitamento do composto.

10- Contaminam os alimentos fertilizados

FALSO. Quando utilizados corretamente e seguindo as recomendações de uso, os fertilizantes orgânicos não representam risco de contaminação dos alimentos fertilizados. Durante o processo de compostagem do lodo junto com outros resíduos orgânicos, obtêm-se altas temperaturas na compostagem termofílica, promovendo a esterilização completa dos patógenos contidos na matéria-prima.

Por Globo Rural

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