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Fim do acordo de grãos no Mar Negro: O que muda para o agronegócio e o Brasil?

18 de julho de 2023

O pacto que permitia o escoamento de grãos da Ucrânia pelo Mar Negro expirou nesta segunda-feira (17), após a Rússia suspender sua participação.
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Fim do acordo de grãos no Mar Negro: O que muda para o agronegócio e o Brasil?

O acordo visava aliviar uma crise global de alimentos, permitindo que os grãos ucranianos bloqueados pelo conflito Rússia-Ucrânia fossem exportados com segurança.

A invasão da Rússia em fevereiro de 2022 e o bloqueio dos portos ucranianos do Mar Negro fizeram disparar os preços globais dos grãos no ano passado, com Ucrânia e Rússia entre os maiores exportadores de grãos do mundo.

Quase 33 milhões de toneladas métricas de milho, trigo e outros grãos foram exportados pela Ucrânia sob o acordo.

O que muda para os grãos do Brasil e o agronegócio?

Na visão de Paulo Molinari, consultor sênior de milho na Safras & Mercado, ainda é cedo para termos dimensões dos verdadeiros impactos do fim do acordo para o Brasil. No entanto, Molinari destaca alguns pontos.

“O milho e o trigo seriam os produtos mais afetados, e 4º maior exportador de milho (Ucrânia) apresentando dificuldades de embarques, deve ajudar as vendas do Brasil”, explica.

Para Elcio Bento, analista de trigo da Safras, a saída da Ucrânia do mercado, importante fornecedor de trigo e milho, terá impactos positivos para os países que podem ser uma alternativa a essa ausência.

“No caso do trigo, o Rio Grande do Sul precisa escoar excedentes. Essa maior participação nas exportações é necessária e vai ocorrer independente da presença ou não do saldo ucraniano no mercado. Dessa forma, o que pode mudar é o patamar de preço que ele será vendido, sendo esse o principal fator para o setor”, explica Bento

De qualquer forma, os dois analistas da Safras ressaltam que o fim do acordo não parece ser definitivo e pode ser retomado a qualquer momento, e já não há um cenário de “desespero” como o visto no início da guerra em fevereiro de 2022.

Não renovação do acordo do Mar Negro

A Rússia notificou formalmente a Ucrânia, por meio da embaixada russa em Minsk, que estava suspendendo sua participação no acordo de grãos do Mar Negro.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres nesta segunda-feira que os acordos do Mar Negro deixaram de ser válidos hoje.

“Infelizmente, a parte desses acordos do Mar Negro em relação à Rússia não foi implementada até agora, então seu efeito foi encerrado”, afirmou.

Ele disse que a decisão de não renovar o acordo não está relacionada a um ataque noturno na ponte entre a Rússia e a Crimeia, que ele chamou de “ato terrorista” e culpou a Ucrânia.

O acordo pode ser retomado?

A Rússia saiu do pacto porque disse que suas demandas para melhorar suas próprias exportações de grãos e fertilizantes não foram atendidas.

O país também reclamou que não chegavam grãos suficientes aos países pobres. As Nações Unidas argumentaram que o acordo beneficiou esses países, ajudando a reduzir os preços dos alimentos em mais de 20% globalmente.

“Assim que a parte russa dos acordos for cumprida, o lado russo retornará à implementação deste acordo, imediatamente”, acrescentou Peskov.

A Alemanha continua apelando à Rússia para tornar possível uma extensão do acordo de grãos do Mar Negro com a Ucrânia, disse um porta-voz do governo em Berlim.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira (17) que acredita que o presidente russo, Vladimir Putin, deseja a continuidade de um acordo que permite a exportação de grãos ucranianos através do Mar Negro.

Na declaração, que ocorreu depois de Moscou ter suspendido sua participação na iniciativa, Erdogan disse ainda que espera progresso na questão depois que o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e seu colega russo, Sergei Lavrov, conversaram na segunda-feira.

“Acredito que o presidente Putin deseja a continuidade desta ponte humanitária”, disse Erdogan, acrescentando que os dois falariam no retorno de Erdogan de sua viagem aos países do Golfo na quarta-feira.

Por Reuters

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