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Em 10 anos capim-sudão BRS Estribo já foi utilizado em mais de 3,3 milhões de hectares diz Embrapa

31 de agosto de 2023

A cultivar vem se consolidando como uma alternativa de forrageira para a pecuária de corte e de leite na região Sul do Brasil
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Em 10 anos capim-sudão BRS Estribo já foi utilizado em mais de 3,3 milhões de hectares diz Embrapa
Foto: Manuela Bergamim

Segundo levantamento feito pela equipe da Embrapa Pecuária Sul, em 2022 a cultivar foi utilizada em aproximadamente 440 mil hectares. Se forem somadas as áreas anuais de cultivo ao longo desses dez anos, estima-se que o BRS Estribo já foi cultivado em mais de 3,3 milhões de hectares.

De acordo com dados da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (APASSUL), a BRS Estribo é a segunda cultivar de espécie forrageira mais produzida e comercializada no estado do Rio Grande do Sul.

A cultivar de capim-sudão BRS Estribo é uma forrageira anual de verão que tem apresentado excelente desempenho técnico e produtivo ao longo desses 10 anos.

De acordo com Daniel Montardo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul e um dos responsáveis pelo seu desenvolvimento, uma das principais vantagens da cultivar é o ciclo longo e a alta produção de forragem. “Outro aspecto positivo apontado pelos produtores é a grande flexibilidade de manejo, podendo ser utilizada tanto em pastejo contínuo como rotativo, com alta resposta ao condicionamento da estrutura da pastagem”, ressalta o pesquisador.

Produtores também indicam outras características importantes do BRS Estribo, como a alta capacidade de perfilhamento, rebrote e produtividade. Segundo Montardo, a cultivar também tem se mostrado eficaz em consorciação de forrageiras, propiciando seu uso em conjunto com uma ampla gama de outras espécies e cultivares, inclusive de ciclo hibernal.

“Toda essa flexibilidade tem levado à oportunidade de novas inserções, como, por exemplo, a semeadura mais tardia na região sul do Brasil (entre fevereiro e abril), tanto para servir como mitigador de vazios forrageiros outonais, como para produzir palhada após a colheita da soja e antes do plantio do trigo, e sua indicação para composição de consórcios, mesclas e cadeias forrageiras, como a tecnologia Pasto sobre Pasto, também desenvolvida pela Embrapa”, destaca o pesquisador.

A avaliação de impactos dessa tecnologia, realizadas anualmente pela Embrapa Pecuária Sul, atesta os bons resultados produtivos e a satisfação dos produtores entrevistados.

Segundo a metodologia utilizada nesse trabalho, apenas no ano de 2022 o impacto econômico da utilização da cultivar BRS Estribo foi superior a R$ 98 milhões.

Mesmo com ampla adoção, o pesquisador Daniel Montardo acredita que a demanda por sementes dessa cultivar tende a seguir aumentando.

Entre os fatores que indicam essa procura está o aumento do processo de intensificação da pecuária que ocorre em toda a região sul do Brasil, o crescimento do cultivo de soja na metade sul do Rio Grande do Sul, o que exige que o rebanho pecuário seja mais concentrado em áreas menores e com pastagens mais produtivas, e a ampliação de áreas com integração lavoura-pecuária, onde a pecuária também é intensificada e são exigidos mais cultivares de ciclo anual para compor os diferentes sistemas de produção integrados.

Capim-sudão BRS Estribo

O capim-sudão BRS Estribo é um dos frutos de uma parceria formada entre a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-Brasileira para o Fomento e a Pesquisa de Forrageiras (Sulpasto), instituição que integra empresas produtoras de sementes dos três estados da região Sul.

A parceria foi feita com o objetivo de desenvolver e lançar cultivares de espécies forrageiras para a Região Sul do Brasil. Constituída no final de 2011, essa iniciativa já disponibilizou cultivares de espécies como azevém, trevo-branco, trevo-vermelho, trevo-vesiculoso, cornichão, aveias forrageiras, entre outras.

De acordo com Daniel Montardo a cultivar também integra o Programa de Melhoramento Genético e de Produção de Sementes de Espécies de Forrageiras para a Região Sul, desenvolvido por diferentes unidades da Embrapa.

Além do desenvolvimento de cultivares, o programa também atua em pesquisas para a melhoria na qualidade das sementes produzidas, sejam por meio de sistemas de produção, técnicas de colheita e de beneficiamento, controle de plantas invasoras, entre outros.

Por DBO

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