Diesel com alta de preço repercute em greve dos caminhoneiros

Sindam, do Espírito Santo, anunciou no início da semana a paralização da categoria dos caminhoneiros depois do reajuste anunciado pela Petrobras que elevará o preço do diesel em 8,86% nas refinarias
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Diesel com alta de preço repercute em greve dos caminhoneiros
Caminhoneiros entram em greve no Espírito Santo por conta do aumento do diesel – Foto: aleksandarlittlewolf/Freepik

De acordo com o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Espírito Santo (Sindicam/ES) a categoria dos caminhoneiros vai interromper os fretes a partir das 00h01 dessa quarta-feira, 11. A decisão foi tomada depois do reajuste anunciado pela Petrobras que elevará o preço do diesel em 8,86% nas refinarias, passando assim, o valor médio de R$ 4,51 para R$ 4,91.

“O Sindicam/ES, a ACA e a Coopercolog, juntamente com os representantes dos caçambeiros, apoiam esse movimento. Entendemos que a situação dos autônomos ficou insustentável depois de tantos reajustes, seja no preço do diesel ou dos insumos que compõem o dia a dia do caminhoneiro”, informa trecho do documento. Os caminhoneiros pedem redução de 26% no preço do diesel.

Na semana passada, a Petrobras anunciou lucro de quase R$ 45 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O montante é mais de 3.700% maior em comparação com o mesmo período no ano passado. Ainda na terça-feira, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) emitiu nota em protesto ao reajuste.

“A busca pelo fim do PPI (preço de paridade de importação) não é só dos caminhoneiros, mas, sim, de toda a população brasileira, principalmente os mais vulneráveis e a classe média”, manifestou a Abrava, em nota.

Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a pedir para que o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, não elevasse os preços dos combustíveis. Entretanto, a solicitação não foi atendida.

“Vocês não podem, ministro Bento Albuquerque e senhor José Mauro, da Petrobras, não podem aumentar o preço do diesel”, disse Bolsonaro em sua live semanal. “Não estou apelando, estou fazendo uma constatação levando-se em conta o lucro abusivo que vocês têm. Vocês não podem quebrar o Brasil. É um apelo agora: Petrobras, não quebre o Brasil, não aumente o preço do petróleo. Eu não posso intervir. Vocês têm lucro, têm gordura e têm o papel social da Petrobras definido na Constituição”.

Em resposta, Coelho afirmou que a estatal não é “insensível à economia brasileira”, mas que continuará seguindo os preços de mercado. “Eu acho legítima a preocupação do presidente Jair Bolsonaro em relação aos preços mais elevados dos combustíveis, essa elevação do preço acontece em todo o mundo”, afirmou o presidente da Petrobras. “Por outro lado, por dever de diligência, os administradores da Petrobras, de capital aberto, devem atuar alinhados com a atual política de preços da companhia”.

Reajuste do diesel e a troca de direção no Ministério de Minas e Energia

Em decreto publicado no Diário Oficial da União, quarta-feira, 11, o governo alterou a direção do Ministério de Minas e Energia, quando a pedido, Bento Albuquerque foi exonerado e Adolfo Sachsida foi nomeado para o cargo.

Bento Albuquerque foi nomeado para o Ministério de Minas e Energia em novembro de 2018 e era um dos poucos ministros restantes do quadro inicial do governo federal. A mudança ocorre depois de recentes críticas do presidente à política de preços da Petrobras, estatal ligada à pasta. Na semana passada, Bolsonaro citou o ministro Bento Albuquerque e o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, ao reclamar de reajuste no preço do diesel para as refinarias.

Adolfo Sachsida, doutor em economia e advogado, era chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia. É autor de livros e artigos técnicos sobre políticas econômica, monetária e fiscal, avaliação de políticas públicas e tributação, Foi professor em diversas universidades brasileiras, entre as quais a Universidade Católica de Brasília, onde foi diretor da graduação e do mestrado em economia. Também foi professor de economia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

 “Agradeço ao presidente pela confiança, ao ministro Paulo Guedes pelo apoio de mais de três anos e peço a graça de Deus para estar à frente desse desafio que é o maior da minha carreira profissional. Agradeço também ao ministro Bento Albuquerque pelo trabalho até aqui executado”, disse o novo ministro.

Como isso afeta o agronegócio?

“A alta do diesel anunciada pela Petrobras na 2ª feira, 9, nas refinarias vai impactar todo o setor produtivo e não só o agronegócio. Também vai refletir na inflação”, disse o presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), deputado Sérgio Souza (MDB-PR) em sua avaliação.

“O aumento nos preços do diesel pode prejudicar as próximas safras. O diesel é um dos principais componentes do custo de produção agrícola, e os recentes aumentos devem impactar negativamente todo o setor”, aponta representa da CNA.

As primeiras semanas de março, o aumento de 24,9% no preço do diesel nas distribuidoras está causando grandes preocupações no agronegócio. Sendo o combustível que move o setor de diversas formas, os reflexos dessa nova e expressiva alta devem ser negativos, podendo até prejudicar as próximas safras.

O aumento é consequência direta da guerra na Ucrânia, uma vez que a Rússia é um dos principais produtores de petróleo no mundo e as sanções ao país retiraram milhões de barris do mercado internacional, pressionando as cotações.

O mundo inteiro está passando por esses problemas, e só será diferente a forma de se lidar com eles. É bom pensar que o aumento no diesel irá causar vários outros aumentos. A alta nos preços do combustível é preocupante porque impacta diversas etapas da produção agropecuária. A primeira delas, naturalmente, é o frete; não apenas o transporte dos produtos finais do campo para a cidade deve ficar mais caro como também o deslocamento de insumos, gerando um efeito cascata no setor.

É inviável para as transportadoras manter o custo do frete inalterado com tamanho aumento no preço dos combustíveis, já que, para as empresas, ele corresponde a cerca de 35% das despesas, podendo chegar a 50% para os autônomos.

Na prática, o diesel nas distribuidoras saltou de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, passando de R$ 6 nas bombas em vários Estados. Analisando os últimos 12 meses, o aumento chega a 46,8%, segundo números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio também precisa do diesel para o uso de diversos tipos de maquinário, como tratores, colheitadeiras e geradores de eletricidade. Sendo assim, o preço do combustível tem impacto direto nos custos de produção, que podem aumentar 90% no cultivo de grãos.

Efeitos nas próximas safras

Por mais que o maior aumento tenha sido aplicado em março de 2022, uma tendência de alta era observada desde o ano anterior. Contudo, as elevadas cotações das commodities no mercado internacional (e o dólar alto) permitiram que os produtores processassem grande parte desse custo sem repassá-lo.

No atual cenário, os produtores podem decidir cortar custos em algumas frentes, podendo até diminuir a área plantada em certas culturas. Os grãos deverão ser priorizados porque continuam sendo bem pagos no exterior, então podem faltar produtos para o mercado interno, pressionando ainda mais a inflação nos supermercados.

A saída para essa crise não é fácil, e o governo estuda financiar o congelamento de preços de combustíveis, cortar impostos ou subsidiar categorias mais vulneráveis. Para o agronegócio, outra saída é acelerar a transição energética para fontes além do petróleo, como a solar. Em curto e médio prazo, entretanto, os impactos negativos deverão ser sentidos por todos.

Fonte: Redação MAB com informações da CNN Brasil e CNA

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