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Cordeiros da Amazônia e a proposta de pecuária sustentável

O projeto surgiu com a inovadora proposta de ovinocultura sustentável no Estado do Acre
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Há uma década, um insight com cordeiros da Amazônia virou negócio rentável e sustentável na pecuária de corte de ovinos. Esse ‘resumo’ conta a história do casal de ovinocultores Luciana Mendonça e Adalberto Moreto e a empresa que criaram, o Frigorífico Annasara.  

O empreendimento, que começou há 10 anos, localizado na capital Rio Branco/AC, é especializado em abates e processamentos exclusivos de carne de cordeiro. Pioneiros na exploração comercial da ovinocultura no estado, o casal de empresários antes criava ovinos apenas para o consumo próprio e também por hobby. 

No início da atividade, isso lá em 2007, eram cerca de 300 animais. Só que o rebanho começou a crescer e em 2009 esse número já superava 700 cabeças. Como não havia um mercado formal para a ovinocultura na região, e sem saber o que fazer com tantos animais, Beto e Luciana enxergaram nessa lacuna uma boa oportunidade de negócio. A ideia foi verticalizar a produção e abrir um frigorífico. 

“Estudamos os custos de produção, viabilidade e rentabilidade. Então decidimos investir na construção de um abatedouro que atendesse as exigências da legislação sanitária local”, relata Luciana. 

Nessa época o rebanho ovino do Acre se resumia a pouco mais de 50.000 cabeças. Curiosamente, após a criação do empreendimento, a ovinocultura no estado passou de fato a dar os seus primeiros passos. Caminhada essa que também foi lenta e gradual para o projeto do casal. 

No começo, quando o empreendimento abatia cerca de 100 animais por semana, eram eles que elaboravam os cortes, que vendiam porcionados e embalados a vácuo com rótulos específicos. Esse detalhe era o diferencial do produto em relação ao que se tinha no comércio local (processados e comercializados na informalidade) na época. 

Hoje, com uma produção considerada ainda pequena, o Frigorífico Annasara tem capacidade para abater e processar 120 animais/dia, somando uma capacidade total de 40 toneladas/mês entre produtos e subprodutos. E os projetos de expansão não param. 

Segundo Luciana Mendonça, no momento o frigorífico passa por uma ampla reforma visando atender a legislação do Ministério da Agricultura e assim obter o S.I.F (Selo de Inspeção Federal) para poder exportar para outros estados. 

“Com a exportação dos produtos a ovinocultura do estado só tende a crescer e se fortalecer. O desafio é grande mais nossa coragem é maior, pois esse é um grande sonho, e poder vê-lo a cada dia se concretizando nos faz sentir recompensados. Nós acreditamos desde o início nesse projeto, a parceria com governo do estado foi essencial, agora entendemos que acreditar que pode dar certo é o primeiro passo, para que algo se realize”, detalha Luciana.   

Cordeiros da Amazônia: inovação em ovinocultura sustentável

O projeto Cordeiros da Amazônia nasceu com a inovadora proposta de ovinocultura sustentável no Estado do Acre e outros mercados. Um modelo que consiste em implantar um sistema produtivo eficaz na criação, recriação e terminação de ovinos, idealizado a partir de estudos feitos pelo Frigorífico Annasara e Agência de Negócios do Estado do Acre (Anac), os quais identificaram a atividade como tecnicamente possível, economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. 

Após o governo estadual passar a fomentar a produção no campo visando fortalecer essa cadeia produtiva, o rebanho ovino no Acre passou a crescer. De 2006-2016, por exemplo, o avanço foi de quase 50%. 

No entanto, o crescimento do rebanho trouxe a reboque o aumento do abate clandestino, sem nenhum controle de qualidade ou sanitário. Essa foi outra necessidade atendida a partir do Projeto Cordeiros da Amazônia, que também é voltado à produção sustentável para melhor atender a demanda da indústria com o padrão e qualidade exigidos. 

Além do incentivo a produção o projeto presta assistência técnica e assessoria rural aos produtores, faz a compra do cordeiro na desmama e com isso contribui para diminuir o abate clandestino na região. 

A proposta se norteia no fato de que o setor produtivo do Acre passa por um avanço tecnológico que vem facilitando a vida dos produtores. Principalmente nos projetos de colonização, assentamentos agroflorestais e agroextrativistas, que têm a agricultura familiar como atividade predominante. 

Para Luciana Mendonça o estado tem grande potencial de produtividade. Segundo ela, 76% das propriedades rurais no Acre são formados por pequenos estabelecimentos e ideais para produção consorciada. 

Ainda assim, desafios existem: “Nosso maior gargalo ainda hoje é a produção no campo. É importante fazer com que os produtores se profissionalizem e entendam que a produção só é viável se for sustentável e realizada de forma profissional, independentemente do tamanho do rebanho. Como todo negócio, a ovinocultura necessita de planejamento.” 

Fonte: IG Economia/Associação Brasileira de Criadores de Ovino – ARCO 
Crédito da foto: Divulgação/Frigorífico Annasara  

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