Colheita de inverno na vinicultura

Empresa 100% brasileira evolui a cada ano com a técnica de poda dupla
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Colheita de inverno na vinicultura
Localização do vinhedo – Foto: Divulgação
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Se você ainda se pergunta o que são os vinhos de colheita de inverno, um bom exemplo é mostrar os resultados de uma vitivinícola nacional, produtora de uvas próprias e vinhos, que utiliza técnicas de segunda poda.

A Vitivinícola Góes é uma empresa 100% brasileira que produz uvas, vinhos e outras bebidas. Localizada no interior do Estado de São Paulo, no Roteiro do Vinho da cidade de São Roque, se destaca por suas modernas instalações, tanto no campo quanto na indústria. Além de uma equipe altamente capacitada, sempre de olho no futuro, a empresa investe em tecnologia, prezando pela qualidade dos vinhos e a preservação de suas raízes.

“A Vinícola Góes tem 30 hectares destinados ao plantio de uvas viníferas e oito exclusivamente para a técnica da segunda poda, isso aumentará no ano que vem, já prevemos 11 hectares. A qualidade das frutas sem dúvida é o que nos motiva a investir nesse sistema. O crescimento de um ano para o outro chegou a quase 50% e devemos obter à produtividade de 25 toneladas”, enfatiza Luciano Lopreto, diretor comercial da empresa.

A técnica de colheita de inverno, também chamada de dupla poda, consiste em podar (remover) as folhas do caule – a poda determina a quantidade e a localização dos gomos que originarão os frutos na temporada de crescimento.

Em geral a 1ª poda ocorre em agosto, e a colheita nesse caso será por meados de fevereiro (verão). A 2ª poda ocorre em janeiro e retarda seu ciclo natural, desta forma, o florescimento ocorre somente em maio e as uvas são colhidas no inverno. Portanto não ocorre a colheita em fevereiro, quando temos períodos de fortes chuvas no final do dia.

A intensidade da chuva pode ser extremamente prejudicial comprometendo a qualidade das uvas. Em São Roque, o inverno tem dias ensolarados e secos, com noites frias e praticamente sem chuvas, dessa forma, a poda invertida proporciona consistência na qualidade das uvas, garantindo vinhos com mais personalidade.

Para a família Góes, há de se pensar na escolha da localização do vinhedo, e a preferência deve ser dada para as encostas, por terem boa drenagem, evitando os locais baixos por serem mais úmidos.

“Quanto à exposição ao sol, devemos localizar o vinhedo de modo que receba a luz solar todo o dia ou na maior parte dele. É fundamental que o vinhedo receba os primeiros raios solares da manhã, pois estes evaporarão o orvalho antes que a temperatura suba, diminuindo assim o risco de doenças. Por este motivo devemos dar preferência à exposição Norte e Leste, como é o caso dos vinhedos da Vinícola Góes”.

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Uvas Malbec – Foto: Divulgação

Colheita de inverno na Vinícola Góes está em plena expansão

Além das tradicionais Cabernet Sauvignon Blanc, Sauvignon, Franc e Malbec que já estão em escalada de produção e firmaram sua história nos vinhos finos da Vinícola Góes, outras variedades aparecem como promessa para esta safra. Nada mais, nada menos do que Alvarinho, Verdelho, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot, Tannat, Teroldego e Barbera D’Asti serão colhidas nessa época de inverno e a expectativa de bons vinhos só aumenta no portfólio de produtos da empresa.

Além da área produtiva a vinícola sempre reserva alguns hectares para testar novas variedades e, assim, a cada ano são descobertas castas que se adaptam bem ao terroir da região e após estudos, pesquisas e análises do vinho, eles entram para a linha de produção e fazem parte da gama de produtos oferecidos aos seus clientes. Este ano o destaque deve ficar na Alvarinho e Petit Verdot.

A marca Góes é atualmente uma das líderes de mercado no varejo (de acordo com a Nielsen) e Top of Mind (registrado pela Revista Supermercado Moderno) no estado de São Paulo. Possui também uma robusta infraestrutura turística, com lojas, espaço de eventos, visitas orientadas, passeios aos vinhedos, restaurante, cafeteria e atividades de lazer, que fazem de seu espaço de Enoturismo um dos mais visitados do país e mais bem avaliados por seus visitantes, de acordo com o TripAdvisor.

História e Tradição da Família Góes

Descendente de imigrantes portugueses, o casal Benedito Moraes de Góes e Maria das Dores Lima de Góes lavrou terras desde os sertões da Vila de Una até Piedade, região hoje situada entre as cidades de Ibiúna e Piedade. Na primeira década do século passado, estabeleceram-se em São Roque, no bairro de Canguera. Foram nessas terras férteis, de clima rigorosamente frio e seco, que encontraram as condições ideais para lançarem de vez suas raízes em solo brasileiro, construindo assim uma grande família.

Ao lado de lavouras tradicionais e de subsistência – feijão, batata, milho, marmelo e pera – os irmãos Nhô Dito Góes (como era carinhosamente chamado Benedito) e Firmino de Góes foram os pioneiros a cultivar videiras e elaborar vinhos artesanais para consumo caseiro na região, entre os anos de 1910 e 1920. Como nessa época eram precários os meios de transporte, pois ainda não circulavam os veículos motorizados, a maior parte das mercadorias circulava com a utilização de carros de boi e tropas de muares (burros e mulas cargueiros). Nhô Dito Góes montou uma tropa famosa, que frequentemente levava para a Capital, ao mercado da Cantareira, hoje também conhecido como o ‘Mercadão de São Paulo’, os produtos agrícolas por ele cultivados.

Por volta de 1920, o plantio de vinhedos e elaboração de vinhos começou a crescer a partir do cultivo das variedades de uvas americanas como Isabel e Niágara. Em 1928, tem início a construção do primeiro trecho do ramal ferroviário de Mairinque a Santos, sendo que em abril de 1931 é inaugurada a Estação de Canguera. Depois de totalmente construída, a ferrovia alcançaria a Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira, em 1937, abrindo um grande corredor comercial para os produtos do interior, entre eles, os vinhos da região de Canguera.

Na década de 30, mais precisamente no ano de 1938, os vinhos passaram a ser comercializados oficialmente pela Família Góes: eram envasados em barris de 100 litros e despachados na estação ferroviária do bairro para o litoral. E, no início dos anos 60, Gumercindo de Góes com 50 anos de idade, começa a construir, junto com seus filhos, uma nova vinícola. E, no ano de 1962 inicia oficialmente a produção dos Vinhos Góes, em homenagem ao sobrenome e às origens da família, registrada posteriormente como Vitivinícola Góes.

Fonte: Vinícola Góes
Fotos: Divulgação

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