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Colheita de grãos no Brasil deve recuar para 319,5 milhões de toneladas

21 de setembro de 2023

Após recorde no ciclo passado, Conab prevê produção 1% menor na safra 2023/24
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Colheita de grãos no Brasil deve recuar para 319,5 milhões de toneladas

Após o recorde da safra passada, o Brasil deve ter uma colheita de grãos ligeiramente menor na temporada 2023/24, que está em fase inicial de plantio, segundo a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (19/9).

A projeção é de uma produção de 319,5 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à colheita anterior, de 322,752 milhões de toneladas. Para a área, a previsão é de alta de 0,5%, para 78,9 milhões de hectares.

Após a divulgação dos números, na sede da estatal, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a companhia “tem o papel de ser conservadora” em sua primeira estimativa para a produção da próxima safra. “A Conab tem o papel de ser conservadora na largada”, disse o ministro. Minutos antes, ele afirmara que a busca pela safra recorde “é um estigma que tem que ser quebrado”.

A queda na produção reflete a redução estimada para a colheita de milho, que será compensada em parte pelo aumento na safra de soja. A área de plantio de arroz também deve avançar, após 13 anos em retração.

Soja

A Conab projetou que o Brasil deve produzir 162,4 milhões de toneladas de soja na safra 2023/24. Se confirmada, será um novo recorde e um crescimento de 5,1% em comparação com a colheita 2022/23, estimada em 154,6 milhões de toneladas.

Os técnicos da Conab projetam um aumento de 2,8% de área plantada de soja, de 44,07 milhões para 45,29 milhões de hectares. O maior crescimento deve vir da região do Matopiba (confluência entre Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins), onde os sojicultores devem plantar 6,5% a mais no ciclo 2023/24. “A maior parte do aumento da área para a safra 2023/24 origina-se de áreas de pastos degradados ou área de pouso”, disse a Conab, em relatório.

A produtividade deve ser 2,2% maior, chegando a 3,58 toneladas por hectare, com perspectiva de recuperação no Rio Grande do Sul, que, na temporada passada, viveu o terceiro ano de seca severa .

No relatório, a Conab afirma que a expectativa é de que a demanda internacional por soja vai se manter firme e que o uso para a produção de biocombustíveis continuará crescendo. Esses fatores tendem a estimular o produtor a plantar uma área maior.

A Conab projetou que as exportações de soja devem alcançar 101,45 milhões de toneladas, com alta de 4,65% sobre as 96,9 milhões estimadas para este ano. O processamento no país deve crescer 3,89%, para 54,86 milhões de toneladas. A projeção está associada à perspectiva de aumento na mistura de biodiesel no diesel e na exportação de óleo de soja.

Milho

Já a produção de milho no Brasil deve cair 9,1% em comparação com safra 2022/23, considerando a soma das três safras. A Conab estimou uma produção total de 119,8 milhões de toneladas no ciclo 2023/24. Segundo a estatal, a área de cultivo deverá ser 4,8% menor no novo ciclo, caindo para 21,2 milhões de hectares. A produtividade também deve cair, 9,1%, para 5.651 quilos/hectare.

No relatório, a Conab destacou que os preços atuais do cereal e os projetados não “têm uma rentabilidade atrativa para a cultura, o que deverá refletir em redução de área de milho no Brasil na safra 2023/24, com destaque para a primeira safra (-5,4%) e para a segunda safra do grão (-4,8%)”.

Com menor disponibilidade, o Brasil também deve exportar menos. Segundo a estatal, as vendas externas devem cair quase 27%, para 38 milhões de toneladas em 2023/24. Por outro lado, a demanda interna pelo cereal deve aumentar 6,4%, podendo atingir 84,6 milhões de toneladas, com o crescimento na demanda por carnes.

Arroz

No caso do arroz, a perspectiva é de aumento de 10,2% na produção, para 11,3 milhões de toneladas, após o país ter colhido a menor safra do cereal em 20 anos em 2022/23. Pela primeira vez em 13 anos, a área crescerá, segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto. A perspectiva é de que o plantio alcance 1,6 milhão de hectares, 12,8% mais que em 2022/23.

“O desestímulo nas últimas safras veio da baixa produtividade do arroz com o La Niña, que contribuiu para um regime menos intenso de chuvas no Rio Grande do Sul e que incentivou a expansão de soja em tradicionais áreas irrigadas de arroz no Estado”, disse a Conab, em relatório.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a expectativa é de expansão de 12,1% da área, para 966,9 mil hectares.

Segundo a Conab, a área de feijão também deve crescer, 1,9%, para 2,7 milhões de hectares em 2023/24. Apesar disso, a produção deve ficar em 3 milhões de toneladas, uma queda de 2,4%, em razão da ocorrência do El Niño.

Na entrevista após a divulgação das estimativas, o ministro Fávaro também reconheceu o desafio de fazer com que os recursos do Plano Safra cheguem “na hora certa” aos produtores. Segundo ele, em alguns bancos já faltam recursos em determinadas linhas. Ele relatou que conversou com a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, que por sua vez “já pediu mais recursos” para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Por Globo Rural

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