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Clima para as frutas: balanço 2022 e verão 2022/23

7 de março de 2023

Confira um resumo dos impactos do clima nas frutas acompanhadas pelo Hortifruti/Cepea
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Clima para as frutas: balanço 2022 e verão 2022/23

Confira um resumo, publicado na edição de fevereiro da Revista Hortifruti Brasil, dos principais impactos do clima nas culturas de banana, citros, maçã, mamão, manga, melancia, melão e uva:

BANANA: Temperatura abaixo da média no Sul e chuva em excesso no NE influenciam no cacheamento

O frio prolongado no segundo semestre do ano passado, associado a dias nublados, tem refletido na produção de banana nas principais regiões do Sul e do Sudeste do País. Segundo colaboradores contatados pelo Hortifruti/Cepea, temperaturas abaixo da média em boa parte de 2022 atrasaram o ciclo da cultura, retardando o cacheamento. Com isso, a saída da fruta também levou mais tempo, havendo excesso de oferta em dezembro e na primeira quinzena de janeiro, principalmente de nanica.

A melhora no clima neste início de ano, após as altas temperaturas e chuvas volumosas em janeiro, tem aumentado a qualidade das frutas, porém, acionado o alerta de produtores para incidência de doenças, como sigatoka. Já nas praças do Nordeste, como Bom Jesus da Lapa (BA) e Vale do São Francisco (BA/PE), o impacto do clima não foi tão intenso, mas houve influência da grande amplitude térmica desde o segundo semestre do ano passado (que atrasou o cacheamento) e das chuvas consideráveis – vale lembrar que as precipitações continuam frequentes no Nordeste, enquanto a amplitude térmica já não é mais uma preocupação.

CITROS: Chuvas favorecem desenvolvimento das frutas

O volume de chuvas esteve abaixo da média no estado de São Paulo até meados de setembro/22, cenário que restringiu o enchimento das frutas até este período. Porém, o cenário foi benéfico ao estresse hídrico das plantas, favorecendo a abertura de floradas. Nos pomares irrigados, foi possível a abertura de flores antes mesmo do retorno das chuvas (em julho/22), mas, nos de sequeiro, apenas após as chuvas é que as floradas ocorreram. Em algumas regiões, as aberturas começaram no final de setembro/22, enquanto em outras, apenas em outubro.

Porém, muitas áreas receberam chuvas sequenciais ainda em período floral, fator que aumentou a propensão à podridão – tornando necessários tratos culturais mais intensivos, e, em algumas localidades, o pegamento foi prejudicado por este cenário. Nos períodos de pegamento e de desenvolvimento (pós-florada), as chuvas, que estão mais frequentes desde o segundo semestre de 2022, são muito bem-vindas, visto que contribuem com o enchimento dos frutos – vale lembrar que, para as laranjas, as temporadas 2020/21 e 2021/22 foram de precipitações abaixo da média, o que limitou significativamente a produtividade. Para os citros (laranja, tangerina e limão/limas) que estavam em ponto de colheita, a maior umidade dificultou as atividades de campo, com atraso da colheita e alguns relatos de podridões.

MAÇÃ: Neve, geada e seca afetam safra 2022/23

A safra 2022/23 das maçãs gala e fuji está sendo prejudicada pelo clima no Sul do País. Durante o período de dormência, no inverno, quando se precisava de baixas temperaturas, não houve um bom acúmulo de horas de frio (≤ 7,2°C). Assim, a quebra da dormência atrasou, postergando a brotação e a florada. Na quebra, inclusive, chuvas, geadas e até neves ocorreram, prejudicando a brotação das gemas, que foram irregulares e mal distribuídas, influenciando a florada. Destaca-se que as chuvas também aumentaram a incidência de doenças fúngicas no período, como sarna e glomerella.

Posteriormente, o fenômeno La Niña resultou na irregularidade e queda do volume de chuvas. Neves novamente foram observadas, agora, na primavera, o que é incomum para o período. Como resultado, o desenvolvimento dos pomares foi limitado, havendo atraso de 15 dias na colheita da gala, com as atividades ocorrendo apenas a partir da última semana de janeiro, e no caso da fuji, em meados de março. Destaca-se que, além do calendário, a produção deverá ser impactada, sobretudo para a fuji – que é mais tardia e acabou sofrendo mais com as intempéries –, sendo previsto um limitado volume colhido para essa variedade.

MAMÃO: Chuva preocupa, e incidência de doenças fúngicas aumenta

Desde novembro/22, chuvas volumosas têm sido registradas nas principais regiões de mamão, o que tem impactado a produção do início de 2023. Lavouras foram danificadas e houve caso de alagamento, sobretudo no Sul da Bahia e no Norte do Espírito Santo, resultando em perdas e em diminuição na colheita. Em outras localidades, chuvas seguidas de altas temperaturas aceleraram a maturação do fruto. Destaca-se que doenças fúngicas estão aparecendo mais frequentemente, como phytophthora, mancha-chocolate e pinta-preta.

MANGA: Elevado volume de chuvas prejudica a produção

Nos últimos meses, mangicultores de todas as regiões produtoras acompanhadas pelo Hortifruti/Cepea enfrentam dificuldades relacionadas ao clima – principalmente chuvas frequentes. No semiárido (Vale do São Francisco, Livramento de Nossa Senhora/BA e Norte de Minas Gerais), as precipitações estão apresentando comportamento similar ao da primavera e verão passados (2021/22), com chuvas acima da média desde meados de outubro. Este cenário reflete na qualidade, na sanidade e no custo de produção das mangas que estão prontas para colheita.

Os principais relatos de produtores estão relacionados à antracnose, verrugose e podridão peduncular. No semiárido, também houve reflexos da maior umidade em localidades que estavam sendo preparadas para colheita no primeiro semestre de 2023. Nas áreas em período de indução floral, houve necessidade de reinduções – cenário que altera o calendário de colheita e eleva os custos. Já nas propriedades que estavam em florada, o pegamento foi limitado, devendo refletir na oferta futura.

Espera-se que as chuvas diminuam entre fevereiro e abril. Na praça paulista de Monte Alto/Taquaritinga, as precipitações estiveram mais frequentes sobretudo a partir de dezembro/22, período em que as áreas estavam em plena colheita. Como a região sofre com incidência severa de xantomonas, e a bactéria se torna mais visível com o aumento da umidade, este se tornou um problema mais acentuado de dezembro para cá. Além disso, as chuvas aceleraram a maturação das mangas, resultando em períodos de concentração de colheita, em aumento de envios à indústria e em frutas maduras ainda no pé. Não deve haver impactos do cenário atual na produção da próxima safra, visto que as floradas ocorrem apenas a partir de junho.

MELANCIA: La Niña influencia negativamente a produção da fruta

Desde novembro/22, chuvas volumosas têm impactado a produção de melancia, especialmente em Teixeira de Freitas (BA). Dados do Inmet mostram que o Sul da Bahia acumulou precipitação superior a 900 de novembro/22 a janeiro/23. As chuvas causaram perda de lavoura por alagamento e atraso da colheita da segunda parte da safra em aproximadamente um mês e meio (que se iniciará apenas a partir de meados de fevereiro).

Além disso, a incidência de doenças fúngicas, como míldio e antracnose, cresceu. Por outro lado, o Rio Grande do Sul vem enfrentando uma onda de calor forte e escassez de chuvas, refletindo em frutas de menor calibre, queima de casca e maior incidência de tripes – e, consequente, aumento de viroses. Já no estado de São Paulo, chuvas no início da temporada 2022/23 diminuíram a qualidade das primeiras lavouras, mas sem reflexos significativos sobre a produtividade.

MELÃO: Chuvas reduzem a qualidade e a produtividade

As fazendas de melão do Rio Grande do Norte, do Ceará e do Vale do São Francisco (BA/PE) continuam sendo afetadas pelo grande volume de chuvas – o desenvolvimento da fruta vem sendo prejudicado desde a safra 2021/22. Os temporais nas lavouras, além de reduzirem a qualidade dos melões, ocasionaram quebras na produtividade, o que, por sua vez, eleva os custos unitários de produção e diminui a rentabilidade dos produtores – neste caso, ressalta-se que os gastos relacionados ao controle sanitário reforçaram o aumento nos custos.

UVA: Chuvas prejudicam frutas direcionadas às exportações

As chuvas ocorridas no Vale do São Francisco (PE/BA) desde meados de outubro/23 agravaram algumas dificuldades que já foram observadas ao longo de todo o ano de 2022 – vale lembrar que a primavera e o verão de 2021/22 também foram mais chuvosos. Desde o final do ano passado, além dos danos diretos, como rachadura das bagas e queda de cachos, a umidade e as temperaturas têm aumentado a incidência de doenças. O míldio, uma das maiores preocupações fitossanitárias da cultura da uva, voltou a aparecer e já tem gerado prejuízos à produção e podridões.

No geral, as chuvas implicaram na redução da qualidade das uvas que estavam próximas do período de colheita, no abortamento de floradas, em maior incidência de doenças e em aumento dos custos de produção (devido à maior necessidade de cuidados preventivos). Com a qualidade prejudicada, parte da uva que deveria ser enviada para a exportação foi direcionada ao mercado interno. Em Marialva (PR), chuvas em alguns períodos ocasionaram perdas e redução de qualidade, sobretudo no caso das finas.

O retorno financeiro na região paranaense pode ter sido comprometido pelos altos custos de produção. Nas praças do Sudeste, apesar do aumento das chuvas em dezembro e janeiro, não foram relatados prejuízos, exceto em São Miguel Arcanjo (SP), onde a colheita do primeiro bimestre de 2023 apresentou maior incidência de doenças fúngicas (principalmente a partir da segunda quinzena de janeiro), com possibilidade de queda na qualidade.

Fonte: hfbrasil.org.br

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