Bahia quer garantir excelência da carne de frango no estado

O objetivo é reunir esforços e delinear ações e ferramentas, inclusive termos de cooperação, para uma atuação conjunta na defesa do consumidor e garantia de boas práticas do setor produtivo.
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Bahia quer garantir excelência da carne de frango no estado
Bahia quer acabar com água na carne do frango. O comportamento gera fraudes e compromete o produto – Foto: Divulgação Seagri

O combate à fraude por adição de água no frango congelado será intensificado em todo o estado da Bahia. Em duas reuniões realizadas durante a quarta-feira (23 de fevereiro), entre dirigentes e técnicos de órgãos e entidades ligados aos setores de fiscalização e produção do frango de corte, foram estabelecidas as primeiras tratativas nesse sentido.

O objetivo dos esforços é delinear as ações e ferramentas necessárias, inclusive termos de cooperação, para uma atuação conjunta na defesa do consumidor e garantia de boas práticas do setor produtivo.

A reuniões tiveram representantes da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), do Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro) e da Associação Baiana de Avicultura (ABA).

Há leis e portarias que determinam a percentagem de água em carne congelada de aves, sendo que o máximo permitido é de 6%. Esse acúmulo de água se dá por conta do processo de resfriamento da carne, que passa por uma imersão em tanques de água, gerando uma absorção natural. Quando o produto apresenta mais água do que o permitido, ele fica mais pesado e o consumidor acaba pagando mais e levando menos carne.

“Da parte da ADAB, vamos envolver todos os elos em prol desse objetivo maior. Tudo o que fortalece a cadeia produtiva e auxilia na defesa agropecuária, viabilizando a produção e garantindo alimento de qualidade na mesa da população, é de nosso interesse”, frisou o diretor geral da ADAB, Oziel Oliveira.

Há um interesse direto dos próprios produtores baianos quanto à fiscalização, para garantir a qualidade da carne oferecida e também localizar aqueles que, eventualmente, tentam burlar a lei.

A exemplo do que já acontece com o Fundo de Apoio à Pecuária do Estado da Bahia (FUNDAP), a ABA firma parceria com a ADAB no sentido de se viabilizar ações de fiscalização em toda a cadeia produtiva, desde as granjas até o produto embalado pelos frigoríficos, contendo o Selo de Inspeção Estadual (SIE). Nas gôndolas dos supermercados será fiscalizada a carne exposta à venda, e aí entra a parceria com o Ibametro.

Pelo convênio que está sendo firmado entre ADAB e ABA, a Associação Baiana de Avicultura irá doar equipamentos para incrementar o Laboratório de Alimentos, do Centro Tecnológico Agropecuário do Estado da Bahia (Cetab), unidade vinculada à Seagri.

O laboratório estará apto à realização de dripping test para analisar a quantidade de água absorvida pelo frango durante seu processamento.

“A Seagri fomenta as cadeias produtivas, mas também possui braços de pesquisa e fiscalização, como o Cetab e a ADAB, que verificam os processos para que o produto chegue ao consumidor com qualidade. Nessa perspectiva, estamos alinhavando toda essa parceria para melhorar ainda mais a eficácia de nossa indústria, garantindo a seguridade sanitária e também a qualidade e o peso do produto oferecido ao consumidor”, disse o chefe de gabinete da SEAGRI, Alisson Gonçalves.

Nas reuniões também estiveram presentes o diretor de inspeção de produtos de origem agropecuária da ADAB, Rafael Mendes; o diretor do Ibametro, Thales Dourado; o presidente da ABA e diretor da Gujão Alimentos, Dario Mascarenhas; o presidente do Comitê de Sanidade Avícola e Responsável Técnico da Gujão Alimentos, André Pazos; a representante  da ABA e do Fundo de Vigilância, Desenvolvimento, Defesa Sanitária e Amparo aos Avicultores do Estado da Bahia (FAEBA), Patrícia Nascimento; e o ex-diretor do Ibametro, Randerson Leal, que contribuiu com sua expertise no tema, a partir dos anos que esteve à frente do órgão.

O setor na Bahia

Levantamento da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, mostra que, em 2020, a Bahia chegou ao número de 47,7 milhões de galináceos, o maior da série histórica iniciada em 1974. O grupo dos galináceos engloba frangos para corte e galinhas poedeiras.

A PPM mostra que as cidades com as maiores quantidades de galináceos na Bahia, em 2020, foram Barreiras (7,2 milhões de animais), Conceição da Feira (3,3 milhões) e Luís Eduardo Magalhães (3,2 milhões).

No período, a cidade de Varzedo teve o maior aumento no plantel de galináceos na Bahia, saindo de 1,1 milhão (2019) para 1,6 milhão (2020), representando crescimento na ordem dos 43,7%. A performance fez com que Varzedo saltasse da décima-primeira posição dentre as cidades produtoras de galináceos no estado para a nona posição.

Outra cidade baiana de destaque na criação é Eunápolis. A PPM traz que, em 2020, o plantel de galináceos da cidade foi de 2,5 milhões, com aumento de 23,8% em relação a 2019, o que fez com que a cidade saltasse da sétima para a quarta posição dentre as maiores criadoras de galináceos da Bahia.

Fonte: ADAB e Seagri (Bahia)

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